terça-feira, 15 de abril de 2008

INCANCELLABILE - Cap 17

Paris
9hs



A camareira abriu o quarto para realizar sua faxina rotineira. Ao encaminhar-se para o banheiro,deixou cair a vassoura.


Havia uma mulher caida envolta a uma poca de sangue.


Correu ao telefone e ligou para a recepcao pedindo uma ambulancia.



No dia seguinte...



Cassidy acordou sobressaltada. Percebendo onde estava, ela gelou.


Lentamente os relances da ultima noite voltavam a sua mente.


A dor.


Automaticamente, levou a mao ao ventre. tinha soro injetado na veia.

Uma enfermeira apareceu.

- Moca procure nao se mexer.

- O que houve?

- Voce foi encontrada num quarto de hotel desacordada e sangrando.

- Eu estava gravida e...


- Sinto muito,voce perdeu o bebe.



Cassidy levou a mao a boca.Estava em choque.


- Moca, hey esta me ouvindo? Moca...

Ela tornou a ouvir a enfermeira.

- Vou chamar a doutora para lhe dar mais informacoes.

Em cinco minutos uma medica bem simpatica entrava na UTI.


Apos conversar com Cassidy para saber do que ela se lembrava, a medica explicou que ela tivera um aborto.Substancias toxicas foram encontradas no sangue de Cassidy e as conclusoes da medica era obvias.


- Voce nao queria esse bebe, Srta Smith?


- Nao, voce esta enganada.E claro que queria!


- Entao, alguem nao queria. Como explica a droga encontrada no seu sangue?



Ela ficou calada. Nao tinha duvidas. Sawyer. Ela foi vitima de um golpe. A medica nao insistiu, via casos assim todos os dias.



- Bem, a tarde voce deve ter alta e nao se preocupe esse e um hospital publico. Nao precisa pagar.


Apos sair do hospital, Cassidy recebeu alguns pertences - sua carteira com documentos e cartoes, mudas de roupas e um bilhete.


"Sorry, essa e a minha natureza humana. Voce ja devia ter aprendido. Me esquece. Sawyer."



Ao checar a conta bancaria que abrira apos o golpe de Kate, a ficha finalmente caiu. Ele levara tudo e encerrara a conta.


Cassidy encontrava-se sozinha em Paris e tudo que restou do seu golpe milionario foram apenas mil euros que tinha na carteira. O suficiente para voltar ao seu pais.



3 dias depois...
FBI Los Angeles - HQ


Ana finalmente recebera o resultado das companhias aereas. Achara sua cumplice.Cassidy Smith voara para Paris junto com o golpista.
Contactou a policia francesa e pediu ajuda mas nao sabia ao certo se podia contar com eles. Pegou o celular.



- Jack Shepard.


- Oi, e a Ana. Desculpe nao ter ligado antes, a investigacao ta mais dificil que imaginava.


- Espero entao que esse telefonema seja para nos dar boas noticias.


- E um pouco. como esta Kate?


- Bem melhor.


- Voce acha que poderia traze-la aqui para conversarmos? Aproveito e conto o que descobri.


- Claro! As 15hs?


- Fechado, espero voces no meu escritorio no FBI.


Desligou.


- Kate, era a Ana. Vamos ao FBI hoje a tarde.


Ela estava na cozinha e veio ao encontro dele. Receosa perguntou:


- Acharam ele?


- Ainda nao mas ela quer conversar com voce.





15h


Ana Lucia, Jack e Kate estavam numa sala reservada. Ana perguntou se Kate preferia ficar a sos com ela. Nao, fora a resposta. Queria Jack ao seu lado.


Quando Kate comecou a contar as lembrancas do ocorrido, ela deixava transparecer toda a sua frustracao. As lagrimas bem como as perguntas de porque isso aconteceu com ela foram inevitaveis.



Ve-la ali, exposta e vulneravel deixava Jack irritado. Ele pasava a mao na cabeca,nervoso.


Ana que o conhecia bem, recriminou-o com o olhar. Devia estar dando forcas a ela.Percebendo seu erro, Jack segurou uma das maos de Kate e com a outra fazia pequenos circulos na suas costas a fim de acalma-la.


Toda a historia contada por Kate so reforcava a teoria de Ana Lucia. Foi tudo planejado desde o comeco.


- Kate, eu tenho certeza que seu ex-marido sabia o que queria no dia que se casou com voce. Mas e claro que o fato de voce ter ficado famosa, ajudou ainda mais.


- Eu realmente nao desconfiei de nada. Achei ate que ele ainda gostasse de mim pela reacao dele quando pedi o divorcio...


- Garanto que a reacao foi por voce quase arruinar a chance dele de enriquecer.


Kate deu de ombros, tinha um olhar triste.


- Voce alguma vez ouviu falar de Cassidy Smith?


- Nao.Porque?


- Bem, ela e cumplice do Sawyer. Ajudou-o a roubar seu dinheiro.Nenhuma ideia?


Kate pensou por um instante.


- Nao, mas eu desconfiava que ele estava tendo um caso entao imagino que seja ela.


- E bem provavel. Voce alem de dinheiro,investimentos, sabe de algo mais que poderia ter despertado a ganancia de Sawyer?


- Fora, o que ele me roubou, tenho um seguro de vida.


- Bingo! O sorriso de Ana iluminou-se. - Pode escrever o nome da companhia e informar alguns dados?


- Claro. Mas voce nao...


- Sim, tenho quase certeza que esse possa ter sido o motivo principal para assassina-la. De quanto era o premio?


- $ 4 milhoes...e ele era meu beneficiaro. Sussurrou Kate.


Jack deixou-se cair na cadeira. O canalha era pior do que imaginara.


- Ana, voce ja consegui localizar a tal Cassidy?


- Mais ou menos, tudo indica que estao os dois em Paris.


- Desgracados!



Deixaram o predio do FBI alguns minutos depois.Kate ainda estava abalada com tudo e na saida ainda deparou-se com 2 reporteres.



Jack, felizmente conseguira contornar as coisas e sairam dali o mais rapido posssivel.


Agora, restava a esperanca de Ana Lucia encontrar a cumplice. E talvez houvesse justica para Kate Austen.




10 dias depois...



San Sebastian

9h




Kate caminhava tranquilamente pelos corredores do hospital. As ultimas duas semanas foram otimas para ela, durante a sua recuperacao cumpriu a risca todas as recomendacoes de Desmond e teve o melhor medico ao seu lado.


Claro que algumas vezes teve que se segurar pra nao passar dos limites.Estava cada vez mais dificil resistir aquele homem tanto tempo.Esperava sinceramente que hoje apos exame e retirada dos pontos, fosse totalmente liberada.


Apresentou-se na recepcao e pediram-na para aguardar enquanto localizavam o Dr.Hume.


Alguns minutos depois, uma enfermeira pedia que a acompanhasse.


- Com licenca Dr., sua paciente Srta.Austen.

- Obrigado. Ola, Kate!Sente-se. Vejo que estas bem melhor.

- Me sinto muito bem mesmo.

- Que milagre o Doc deixar voce sozinha...

- Ele esta em uma cirurgia,mas e so porque nao conseguiu postergar.

- Voce pode sentar ali para eu examina-la?

Kate deitou-se na cama e esperou Desmond retirar as gazes do curativo da coxa.Ele analisava tudo em silencio.Pegou uma caixa de material na mesa ao lado e comecou a retirar os pontos. Em menos de cinco minutos limpava o local.

Quando ele aproximou-se do rosto de Kate para verificar o ferimento do ombro,ela falou:

- Pensei que isso era trabalho de enfermeira ou mesmo de internos.


- E acertou. Mas essa paciente e VIP.


Ela riu. Enquanto ele examinava o local puxava conversar com ela.


- Voce sentiu algo diferente? Dores de cabeca, nauseas,dificuldades nos reflexos?


- Nao,tudo bem. No inicio tive dores na perna quando comecei a me exercitar mas acredito que era normal.Depois de uns 3 dias ja nao sentia tanto.


- E o braco? Fez a fisioterapia como pedi?


- Sim. Inclusive, voltei a escrever. - Otimo. Ele terminou o servico.


- Prontinho,Kate. Nova em folha.E diante disso peco apenas para voce continuar a fazer os exercicios pelo menos 2 vezes por semana. Tem meu aval para voltar a trabalhar tambem.



- Fico feliz, estou morrendo de saudades. Alem disso, nao esta sendo facil ver toda imprensa perguntando de mim.Quero dar uma resposta a todos.


- E quanto as investigacoes? Caminharam?


- Ah sim, na semana passada Ana pediu para eu contar minha versao dos fatos e ela descobriu que James, quer dizer Sawyer, tinha uma cumplice.


- Tomara que prendam esse cretino logo. Bem, meu trabalho esta concluido. De agora em diante, sou apenas Desmond, ou Des pra voce.


Ele levantou-se para cumprimenta-la. Kate estava de pe ja na porta do consultorio e lutava contra a vontade de fazer a pergunta principal. Claro que Desmond notou e brincou com ela.


- Kate, so mais uma coisa.


- Diga.


- Pode "matar" meu amigo agora se e que me entende,so nao deixa ele viciar demais.


- Tks, Desmond. E abriu um sorriso.


Enquanto tomava um taxi para casa, Kate pensava nas palavras de Desmond. Ela realmente estava morrendo de vontade de ficar com Jack mas queria planejar algo especial e apesar de ter sido liberada ela ainda nao se sentia 100% para "matar" Jack. A espera havia sido longa demais e nao gostaria que nada atrapalhasse o seu momento, decidira enfim o que queira fazer.








CONTINUA...

As Palavras que Nunca Te Direi - Cap 8

Capitulo 8



Kate passou o resto da tarde explorando a cidade enquanto Jack trabalhava no escritório.


Como não conhecia bem Wilmington, pediu indicações para o centro histórico e passou algumas horas olhando as lojas. Mas nada naquele belo lugar parecia deixa-la mais calma. A medida que o tempo passava, ela ficava mais ansiosa.


O convite de Jack para jantar a surpreedera realmente. Sera que tratava-se apenas de uma cortesia, ou de alguma forma ela conseguira amolescer o coracao de Jack Shepard? Sem conseguir se concentrar, voltou para o hotel para dormir um pouco. Os últimos dois dias tinham-na cansado, por isso adormeceu imediatamente.

Jack, ao seu modo, enfrentava pequenas crises sucessivas. Uma encomenda de novos equipamentos chegou logo errada,mais tarde surgiram problemas com alunos de mergulho, o trabalho o consumira tanto que nem sequer voltou a pensar no jantar.

às seis e meia já estava cansado, e respirou de alívio quando finalmente fechou a loja à tardinha. Depois do trabalho passou primeiro na mercearia e comprou as coisas de que precisava para o jantar. Tomou um banho e vestiu umas calças de moleton e uma camisa branca de algodão. Em seguida pegou uma cerveja. Depois de abrir, foi para a varanda e sentou-se numa das cadeiras de ferro forjado. Olhando para o relógio, deu conta de que Kate estaria ali, dentro de pouco tempo.

Jack estava ainda sentado na varanda quando finalmente ouviu o som de um motor em marcha lenta descendo o quarteirão. Desceu a varanda e deu a volta vendo Kate estacionar na rua atrás do seu carro.
Ela saiu do carro usando jeans e a mesma blusa que realçava maravilhosamente o corpo. Parecia descontraída quando veio ao seu encontro, e quando sorriu calorosamente para ele, Jack percebeu que a sua atração se tornara mais forte desde o almoço daquela tarde, o que, por alguma razão, o tornava um pouco inquieto.

Encaminhou-se para ela o mais despreocupadamente possível, e Kate encontrou-o a meio caminho, trazendo uma garrafa de vinho tinto nas mãos. Quando chegou perto dela, sentiu o aroma do perfume, algo que ela não tinha usado antes.

- Trouxe vinho - disse ela, entregando-o. - Achei que seria bom para acompanhar o jantar. - E, após uma breve pausa, disse: - Como foi a sua tarde?

- Muito ocupada. Os clientes não pararam de chegar até à hora do fechar e tive um montão de papelada para tratar. Na verdade, só cheguei há pouco. - Ele dirigiu-se para a porta da frente, Kate logo atrás. - E a Kate? O que é que fez durante o resto do dia?

- Dormi - disse ela gozando dele e ele riu. Nao iria contar o quanto pensara nele.

- Esqueci-me de lhe perguntar antes, mas quer alguma coisa especial para o jantar? - perguntou ele.

- Que planeja fazer?

- Talvez grelhar uns bifes, mas não sei se voce come essas coisas.

- Estás brincando? Esqueceu que eu cresci no Nebraska. Adoro um bom bife.

- Então vai ter uma agradável surpresa.

- O quê?

- Eu faço os melhores bifes do mundo.

- Ah faz? Não me diga!

- Vou provar - disse ele, e ela riu, num tom melodioso. Quando se aproximaram da porta da frente, Kate olhou para a casa pela primeira vez.


Era relativamente pequena - retangular e de apenas um piso. Ao contrário das casas em Wrightsville Beach, esta encontrava-se diretamente sobre a areia.


Quando lhe perguntou porque é que a casa não estava erguida em estacas como as outras, ele explicou que ela fora construída antes das regras de construção anticiclones terem entrado em vigor.

- Agora as casas têm de ser levantadas para que as marés possam passar por baixo da estrutura principal. O próximo grande furacão irá provavelmente arrastar esta velha casa para o alto mar, mas tenho tido sorte até agora.

- Isso não o preocupa?

- Não muito. A casa não vale grande coisa, e foi essa a única razão porque a pude comprar. O proprietário acabou se cansando da tensão que sentia sempre que uma grande tempestade começava a atravessar o Atlântico.

Chegaram às escadas e entraram. A primeira coisa em que Kate reparou ao entrar foi a vista da sala de estar. As janelas iam do chão até ao teto e estendiam-se ao longo de todo o comprimento dos fundos da casa, dando para a varanda e para Carolina Beach.

- Esta vista é incrível - disse ela, surpresa.

- É, não é? já vivo aqui há alguns anos, mas ainda não deixei de admirar.

Num dos lados havia uma lareira, rodeada por uma dúzia de fotos. Ela encaminhou-se para elas.


- Importa-se que eu dê uma olhada?

- Não, fique à vontade. Tenho que preparar a grelha lá fora. Precisa de uma pequena limpeza.

Jack saiu através da porta de vidro corrediça. Depois dele sair, Kate olhou para as fotografias durante algum tempo e depois fez uma excursão pelo resto da casa. Como muitas das casas de praia que já vira, não havia espaço para mais de uma ou duas pessoas lá viverem. Tinha apenas um quarto de dormir, no qual se entrava através de uma porta que dava para a sala. Na parte da frente da casa havia uma cozinha, uma pequena área para refeições e um banheiro. Embora tudo estivesse arrumado e limpo, a casa parecia não ter obras há anos.


Satisfazendo sua curiosidade havia apenas um lugar que ela queria explorar.Parou junto do quarto dele e olhou. De novo viu fotos decorando as paredes. Além disso havia um grande mapa da costa da Carolina do Norte pendurado diretamente sobre a cama. Quando olhou na direção da mesa de cabeceira, viu a foto emoldurada de uma mulher. Certificando-se de que Jack ainda estava lá fora, ela entrou no quarto para olhá-la de perto.

Sarah devia ter vinte e tal anos quando a foto foi tirada. Tal como as fotos nas paredes, parecia que Jack mesmo a fotografara e ela perguntava-se se a foto fora emoldurada antes ou depois do acidente. Pegando na moldura, ela reparou que Sarah era atraente - um pouco mais petite do que ela - com cabelo louro no meio dos ombros. Os olhos de Sarah eram verdes escuros e quase felinos, davam-lhe uma aparência exótica e pareciam quase como se estivessem a olhar fixamente para ela.


Pousou a moldura com cuidado na mesa de cabeceira, certificando-se de que estava na mesma posição que anteriormente. Tal como a sala, o quarto também tinha janelas do chão ao teto com vista para a praia.Voltando-se, continuou com a impressão de que Sarah observava cada movimento seu.


Ignorando a sensação, olhou para o espelho sobre a comoda. Uma fotografia de Jack e Sarah sorrindo abertamente, de pé no convés do Happenstance. Como o barco parecia já estar restaurado, Kate deduziu que a foto tinha sido tirada apenas alguns meses antes de Sarah ter morrido.


Sabendo que ele poderia entrar em casa a qualquer momento, saiu do quarto, sentindo-se um pouco culpada por ter bisbilhotado. Dirigiu-se às portas corrediças que davam da sala para a varanda e abriu-as. Jack limpava a grelha e sorriu quando a ouviu sair. Ela caminhou até à beira da varanda onde ele estava e encostou-se a grade, com uma perna por cima da outra.

- Foi voce que tirou todas aquelas fotos nas paredes? - perguntou ela. Ele usou as costas da mão para afastar o suor da testa.

- Foi. Houve uma epoca que levava a máquina em quase todos os mergulhos. Pendurei a maior parte na loja, mas como tinha tantas, pensei em pôr algumas aqui também.


- Parecem de um profissional.

- Obrigado. Mas acho que a qualidade tem mais a ver com a quantidade enorme que tirei. Devia ter visto todas aquelas que não saíram.

Enquanto falava, Jack segurava a grelha. Embora estivesse queimada de preto em alguns lugares, parecia estar pronta. Pegou num saco de carvão e deitou algum para uma grelha que parecia ter trinta anos, usando a mão para o espalhar por igual. Depois acrescentou um pouco de combustível, embebendo cada pedra apenas por um instante. Ela falou no mesmo tom de gozo que usara antes.


- Sabe, agora já existem grelha a gás.

- Eu sei, mas eu gosto de preparar como fazíamos quando éramos crianças. Além disso o sabor é muito melhor assim. Grelhar com gas é a mesma coisa que cozinhar dentro de casa.

Ela sorriu.

- E prometeu-me o melhor bife que alguma vez irei comer.

- E vai tê-lo. Confie em mim. - Ele terminou com o combustível e colocou-o ao lado do saco de carvão. - Vou deixar isto embeber durante uns minutos. Quer beber alguma coisa?

Kate perguntou:

- O que é que tem?

Jack clareou a garganta.

- Cerveja, refrigerantes, ou o vinho que trouxe.

- Pode ser uma cerveja.

Jack pegou o carvão e o combustível e pôs dentro de um velho baú que se encontrava ao lado da casa. Depois de sacudir a areia dos sapatos, entrou em casa, deixando a porta de vidro corrediça aberta.

Enquanto esperava por ele, Kate voltou-se e olhou para a extensão da praia. Agora que o Sol se pôra, a maior parte das pessoas tinha desaparecido, e as poucas que restavam faziam jogging ou passeavam a pé. Apesar da praia não estar cheia, mais de uma dúzia de pessoas passara pela casa no curto espaço de tempo em que ele demorara lá dentro.

- Nunca se cansa de ter todas estas pessoas à volta? - perguntou ela quando ele voltou.

Ele entregou-lhe a cerveja.

- Nada! também não estou muito tempo em casa. Normalmente quando chego, a praia já está bastante deserta. E no Inverno não há absolutamente ninguém.

Apenas por um instante, ela imaginou-o sentado na sua varanda, olhando a água sozinho como sempre. Jack meteu a mão no bolso e tirou de lá uma caixa de fósforos. Acendeu o carvão afastando-se quando as chamas irromperam. A brisa ligeira fazia o fogo dançar em círculo.

- Agora que já acendi o fogo, vou começar a preparar o jantar.

- Posso ajudá-lo em alguma coisa?

- Não há muito que fazer - respondeu ele. - Mas se tiver sorte, talvez lhe revele a minha receita secreta.

Ela inclinou a cabeça e olhou para ele com ar matreiro.

- Sabe que está pôndo a faisca bastante alta em relação a esses bifes.

- Eu sei. Mas tenho fé.

Ele piscou e ela riu-se antes de o seguir para dentro em direção à cozinha. Jack abriu um dos armários e tirou algumas batatas. Depois de acender o forno, embrulhou as batatas em folha de alumínio e colocou-as no tabuleiro.

- Que posso fazer?

- Como disse, não muito. Acho que tenho tudo sob controle. Comprei uma daquelas saladas pré-embaladas e não há mais nada no cardápio.

Kate afastou-se para um canto observando enquanto Jack punha as últimas batatas no forno e tirava a salada da geladeira. De soslaio, ele olhou para ela enquanto colocava a salada dentro de uma tigela.

O que havia nela que o fazia de repente querer estar o mais próximo possível? Pensando nisso, abriu a geladeira e tirou os bifes que pedira para cortar especialmente para aquela noite. Abriu o armário ao lado e encontrou o resto das coisas de que precisava. Depois de as retirar, colocou tudo perto de Kate.

Ela lançou-lhe um sorriso provocador.

- Então, o que há de tão especial nestes bifes grelhados?

Concentrando-se, ele deitou um pouco de brandy numa tigela rasa.

- Há algumas coisas. Primeiro, arranjam-se alguns bifes grossos como estes. Normalmente não se corta assim tão grossos, por isso tem de pedir especialmente para lhe fazerem esse favor. Depois tempera-os com um pouco de sal, pimenta, e alho em pó, e deixa-os embeber no brandy até o carvão ficar em brasa.

Ele fez o que explicou enquanto falava, e pela primeira vez desde que ela o conhecera, ele aparentava a idade que tinha. Com base no que havia dito, podia concluir que era pelo menos quatro anos mais velho do que ela. E como era bonito. Ela não podia deixar de se sentir atraída por ele.

- É esse o seu segredo?

- É só o começo - prometeu ele, subitamente consciente de como ela estava bela. - Mesmo antes de irem para a grelha, acrescenta-se um pouco deste produto para tornar a carne tenra. O resto tem a ver com a maneira como são grelhados, e não com o tempero.

- Parece que é um verdadeiro cozinheiro.

- Na verdade não. Sei fazer algumas coisas, mas hoje em dia não cozinho muito. Quando chego em casa normalmente apetece-me qualquer coisa que não exija muito esforço.

- Também sou assim. Se não fosse pelo Kevin acho que não cozinharia muito.

Depois de acabar de preparar os bifes, ele foi de novo até à gaveta de onde retirou uma faca, voltando para o lado dela. Pegou em dois tomates que estavam em cima do balcão e começou a cortá-los.

- Parece que tem uma ótima relação com Kevin.

- Tenho. Só espero que continue. Ele é quase adolescente agora, e preocupa-me que quando ele for mais velho, vá querer passar menos tempo comigo.

- Se fosse você não me preocuparia muito. Pela maneira como me fala dele, acho que os dois se darão sempre bem.

- Espero que sim. Neste momento, ele é tudo o que tenho. Não sei o que faria se ele começasse a afastar-me da sua vida. Tenho alguns amigos que têm filhos um pouco mais velhos do que ele que me dizem que isso é inevitável.

- Tenho certeza de que ele vai mudar um bocadinho. Todos mudam, mas isso não significa que ele deixará de falar contigo.

Ela olhou para ele.

- Está falando por experiência própria ou estás dizendo aquilo que eu quero ouvir?

Ele encolheu os ombros, sentindo de novo o perfume dela.

- Estou apenas a lembrando do que passei com o meu pai. Sempre fomos muito unidos quando era criança, e isso não mudou quando fui para a escola secundária. Comecei a fazer coisas diferentes e a passar mais tempo com os meus amigos, mas continuamos sempre a falar um com o outro.

- Espero que também seja assim comigo - disse ela.

Um silêncio tranquilo desceu sobre eles com a preparação do jantar. O simples ato de cortar tomates com ela a seu lado aliviava a ansiedade que ele havia sentido até então. Kate era a primeira mulher que convidara para sua casa, e Jack percebeu que havia algo de confortável em tê-la ali.

Quando acabou, Jack pôs os tomates na tigela da salada e limpou as mãos numa toalha de papel. Depois pegou a sua segunda cerveja.

- Quer beber mais uma?

Ela bebeu o resto da sua garrafa, surpresa por tê-la acabado tão depressa. Acenou que sim com a cabeça, colocando a garrafa vazia sobre o balcão. Jack abriu a nova garrafa e passou-a a Kate, abrindo depois outra para si. Kate estava descontraidamente encostada ao balcão, e quando pegou na garrafa, algo lhe pareceu surpreendentemente familiar na sua postura: o sorriso percorrendo suavemente os seus lábios, talvez, ou o seu olhar enviesado enquanto o observava a levar a sua própria garrafa aos lábios.

Lembrou-se de novo daquela indolente tarde de verão com Sarah, quando viera para casa fazer-lhe uma surpresa ao almoço - um dia que em retrospectiva lhe parecera tão repleto de sinais... no entanto como poderia ter ele antevisto tudo o que iria acontecer? Estavam na cozinha, tal como ele e Kate naquele momento.

Ele engoliu em seco, percebendo de repente do silêncio na cozinha.

- Vou ver como está o fogo - disse ele, precisando de uma coisa, qualquer coisa, para fazer. - Espero que já esteja quase pronto.

- Posso pôr a mesa enquanto for ver?

- Claro. A maior parte das coisas de que precisa estão aqui.

Depois de lhe mostrar onde encontrar o que precisava, ele foi lá para fora, esforçando-se por se descontrair e afastar da sua mente as recordações. Quando chegou a grelha, examinou o carvão, concentrando-se naquilo que estava a fazer. Quase branco, o carvão precisava de mais alguns minutos, calculou ele. Foi novamente até ao baú, e desta vez tirou de lá um pequeno abanador. Colocou-o sobre a grade ao lado da grelha e respirou fundo. O ar do oceano estava fresco, quase embriagante, e pela primeira vez, percebeu subitamente que apesar da visão de Sarah que tivera apenas há alguns instantes atrás, continuava contente por Kate ali estar. Na realidade, estava feliz, algo que não sentia havia muito tempo.


Não era apenas a maneira como eles se davam um com o outro, mas eram as pequenas coisas que Kate fazia. O modo como ela sorria, a maneira como olhava para ele, até a maneira como ela tinha pegado na mão dele naquela tarde - começava já a sentir como se a conhecesse há mais tempo. Perguntava a si mesmo se seria por ela ser parecida com Sarah, em tantas coisas, ou se o seu pai tivera razão sobre ele precisar passar algum tempo com outra pessoa.

Enquanto ele estava lá fora, Kate punha a mesa. Colocou um copo de vinho ao lado de cada prato e vasculhou na gaveta à procura de talheres. Encontrou duas velas com dois pequenos suportes para cada uma. Depois de se interrogar se seria excessivo decidiu colocá-las também na mesa. Deixaria a critério dele acendê-las ou não. Jack entrou quando ela estava terminando.

- Temos alguns minutos. Quer sentar-se lá fora enquanto esperamos?

Kate pegou sua cerveja e seguiu-o. Tal como na noite anterior, soprava uma brisa que não era nem de perto tão forte. Ela sentou-se numa das cadeiras e Jack a seu lado com as pernas cruzadas sobre os tornozelos. A camisa clara fazia sobressair a sua pele profundamente bronzeada, e Kate observou-o enquanto ele olhava para a água. Ela fechou os olhos durante um instante, sentindo-se mais viva do que se sentia há muito tempo.

- Aposto que não tem uma vista como esta onde vive em Chicago - disse ele quebrando o súbito silêncio.

- Tem razão - disse ela -, não tenho. Vivo num apartamento. Os meus pais acham que sou louca por viver no centro. Acham que devia viver nos subúrbios.

- Porque não vive?

- Vivi, antes do divórcio. Mas agora é tudo mais fácil. Posso chegar ao trabalho em apenas alguns minutos. A escola de Kevin fica ao fim do quarteirão, e nunca tenho de apanhar a auto-estrada a não ser que saia da cidade. Além disso queria algo diferente depois do casamento ter acabado. Não conseguia suportar os olhares que os meus vizinhos me lançavam depois de descobrirem que o James tinha ido embora.

- Que quer dizer?

Ela encolheu os ombros, e a sua voz suavizou-se.

- Nunca disse a nenhum deles porque é que eu e o James nos separamos. Achei que não tinham nada a ver com o assunto.

- E não tinham.

Ela fez uma breve pausa, lembrando-se.

- Eu sei isso, mas na mente deles, James era um marido maravilhoso. Era bonito e bem sucedido na vida, e eles não queriam acreditar que tivesse feito algo de errado. Mesmo quando estávamos juntos, ele agia como se tudo estivesse perfeito. Não tinha ideia nenhuma de que ele estava tendo um caso mesmo perto do fim.

Ela virou-se para ele, com uma expressão triste no rosto. - Como se costuma dizer, a mulher é sempre a última a saber.

- Como é que descobriu?

Ela abanou a cabeça.

- Sei que parece um cliché, mas dentre todas as pessoas, descobri através da empregada da lavanderia. Quando fui buscar as roupas dele, a empregada entregou-me algumas faturas que tinha encontrado no bolso. Uma era de um hotel no centro da cidade. E eu sabia pela data que ele tinha estado em casa naquela noite, por isso deve ter sido apenas por uma tarde. Ele negou tudo quando o confrontei, mas pela maneira como olhava para mim, eu sabia que ele mentia. Por fim, a história acabou por vir a tona, foi então que pedi o divórcio.

Jack escutava em silêncio, deixando-a terminar, perguntando a si mesmo como é que ela poderia ter se apaixonado por alguém que lhe fez uma coisa daquelas. Como se lesse o seu pensamento, ela continuou:

- Sabe, James era um daqueles homens que podia dizer qualquer coisa e fazer com que acreditássemos nele. Penso até que ele acreditava na maior parte das coisas que me dizia. Conhecemo-nos na faculdade, e fiquei encantada com todas as suas qualidades. Ele era inteligente e cativante, sentia-me lisonjeada por ele se interessar por uma pessoa como eu. Ali estava eu, uma jovem vinda diretamente do Nebraska, com um rapaz que era diferente de todas as pessoas que eu conhecera antes. E quando nos casamos, pensei que iria ter uma vida de conto de fadas. Mas imagino que isso era o que estava mais longe da mente dele. Descobri mais tarde que ele teve o primeiro caso apenas cinco meses depois de nos casarmos.

Ela parou por um momento, e Jack olhou para a sua cerveja.

- Não sei o que dizer.

- Não há nada que possa dizer - disse ela - Já acabou, e como disse ontem, a única coisa que quero dele agora é que seja um bom pai para Kevin.

- Faz tudo parecer tão fácil.

- Não é essa a minha intenção. James magoou-me bastante, e foram precisos alguns anos e mais do que algumas sessões com uma boa terapeuta para chegar onde estou hoje. Aprendi muito com a minha terapeuta, e fui aprendendo muito sobre mim também. Uma vez, quando estava a disparar como ele tinha sido um cafajeste, ela me chamou a atenção para o fato de que se eu continuasse a agarrar-me à minha raiva, ele continuaria a me controlar, e eu não estava disposta a aceitar isso. Por isso resolvi esquecer o assunto.

Ela bebeu mais um gole da sua cerveja. Jack perguntou:

- A sua terapeuta disse-lhe mais alguma coisa de que se recorde?

Ela pensou durante um momento, depois sorriu levemente.

- Por acaso até disse. Disse que se alguma vez encontrasse alguém que me fizesse lembrar James, eu deveria dar meia volta e correr para as montanhas.

- Eu faço lembrar-lhe James?

- De maneira nenhuma. É completamente diferente de James.

- Isso é bom - disse ele com seriedade fingida. - Não há muitas montanhas nesta zona do país, sabe. Teria de correr um bocado.

Ela riu-se, e Jack olhou para a grelha. Vendo que o carvão estava pronto, perguntou:

- Está pronta para começar com os bifes?

- Mostra o resto da sua receita secreta?

- Com prazer - disse ele enquanto se levantavam. Procurou na cozinha o produto para tornar os bifes mais tenros salpicando-os depois um pouco. Tirando ambas as fatias do brandy, acrescentou um pouco do produto nos outros lados também. Abriu a geladeira e tirou um pequeno saco de plástico.

- O que é isso? - perguntou Kate.

- É gordura - a parte gordurosa do bife que normalmente é cortada. Pedi para guardar alguma quando comprei os bifes.

- Para que serve?

- Vai ver - disse ele.

Depois de voltar para a grelha com os bifes e umas pinças, Jack começou a soprar as cinzas que se amontoavam por cima das brasas, explicando-lhe o que fazia.

- Para bem grelhar um bife é necessário certificarmo-nos de que as brasas estão quentes. Use o fole para tirar as cinzas de cima e assim não haverá nada a bloquear o calor.

Repôs a grelha deixou-a aquecer durante cerca de um minuto, e depois usou as pinças para colocar os bifes.

- Como é que gosta do seu bife?

- Ao ponto.

- Com bifes deste tamanho, isso significa cerca de onze minutos de cada lado.

Ela ergueu as sobrancelhas. - É muito rigoroso com isto tudo, não é?

- Prometi-lhe um bom bife, e tenciono cumprir. Durante o pouco tempo que demorou a grelhar os bifes, Jack observou Kate pelo canto do olho. Havia qualquer coisa de sensual na sua figura, recortada pelo Sol poente. O céu estava laranja, e a luz quente escurecia os seus olhos verdes fazendo-a parecer especialmente bonita. O cabelo elevava-se sedutor na brisa do fim de tarde.

- Em que está pensando?

Ele pôs-se direito ao ouvir o som da sua voz, percebendo que não dissera nada desde que começara a cozinhar.

- Estava pensando em como o seu ex-marido foi um idiota - disse ele, voltando-se para ela, e vendo-a a sorrir. Ela deu umas palmadinhas no ombro dele, suavemente.

- Mas se ainda estivesse casada, não estaria aqui contigo.

- E isso - disse ele, sentindo ainda o toque dela -, seria uma pena.

- Sim, seria - concordou ela, e os olhos deles demoraram-se por um momento um no outro. Por fim Jack desviou o olhar e pegou a gordura. Clareando a garganta:

- já estamos prontos para isto agora.

Jack continuou a trabalhar nos bifes. Olhando em volta, Kate comentou:

- Isto aqui é muito sossegado. Entendo porque é que comprou o lugar.

Ele acabou o que estava a fazer e bebeu mais um bocado de cerveja, umedecendo a garganta.

- Há qualquer coisa no mar que faz isso às pessoas. Talvez seja essa a razão por que tanta gente vem para ca repousar.

Ela voltou-se para ele.

- Diga-me, Jack, em que é que pensa quando está aqui sozinho?

- Em muitas coisas.

- Alguma coisa em particular?

Penso em Sarah, queria ele dizer, mas não disse.

Ele suspirou:

- Não, na verdade não. às vezes penso no trabalho, outras vezes penso nos novos lugares que quero explorar nos neus mergulhos. Outras vezes, penso em partir de barco e deixar tudo para trás.

Ela observou-o atentamente quando ele proferiu as últimas palavras.

- Seria capaz de fazer isso? Partir de barco e nunca mais voltar?

- Não tenho certeza, mas gosto de pensar que seria capaz. Ao contrário da Kate, não tenho nenhuma família tirando o meu pai, e de certa maneira, penso que ele compreenderia. Eu e ele somos muito parecidos, e tenho a impressão de que se não fosse por mim, ele já teria partido há muito tempo.

- Mas isso seria como fugir.

- Eu sei.

- Porque queria fazer isso? - insistiu ela, sabendo de certa forma a resposta. Jack não respondeu e ela aproximou-se dele falando suavemente. - Jack, sei que não tenho nada a ver com isso, mas não pode fugir daquilo que estás passando. - Ela fez-lhe um sorriso animador. - E além disso, tem tanto para oferecer a alguém. "A mim por exemplo" ela pensou mas nao teve coragem de dizer.


Ficou a admira-lo e ainda se questionando sobre o poderia fazer para traze-lo a sua realidade, mostrar o quanto queria que ele a visse como mulher. Ate aquele momento, ela ainda nao conseguira uma brecha digna para se expor.

Jack permaneceu em silêncio, pensando no que ela tinha dito, em como ela parecia saber exatamente o que dizer para fazê-lo sentir-se melhor.

Durante os minutos seguintes, os únicos ruídos em redor vieram de outro lugar. Jack voltou os bifes, e eles chiaram sobre a grelha. As ondas rebentavam na praia num rumor tranquilizante e contínuo.

A mente de Jack passou em revista os últimos dois dias. Pensou no momento em que a vira pela primeira vez, nas horas que tinham passado no Happenstance, e na conversa na praia à tarde quando ele lhe falou em Sarah pela primeira vez. A tensão que sentira mais cedo durante o dia tinha agora quase desaparecido, e com ela ali a seu lado, à luz do crepúsculo que se adensava, ele pressentia que havia algo mais naquela noite do que ambos queriam admitir.

Pouco antes dos bifes estarem prontos, Kate voltou para dentro para preparar o resto da mesa. Tirou as batatas do forno, desembrulhou-as da folha de alumínio, e pôs uma em cada prato. Acrescentou a salada e pôs o sal, a pimenta, manteiga, e um par de guardanapos. Como estava escuro dentro de casa, ela acendeu a luz da cozinha, mas pareceu muito brilhante. Voltou a apagá-la.


Num impulso, decidiu acender as velas, afastando-se da mesa em seguida para verificar se seria demais. Achando que estava bem, pegou na garrafa do vinho e estava colocando-a na mesa quando Jack entrou.

Depois de fechar a porta de vidro corrediça, Jack viu o que ela tinha feito. Estava escuro na cozinha exceto pelas duas pequenas chamas apontando para cima, e o brilho fazia Kate parecer mais bonita. O seu cabelo escuro parecia misterioso à luz da vela, e os seus olhos refletiam as chamas inconstantes. Incapaz de falar durante um longo momento, tudo o que Jack pôde fazer foi olhar fixamente para ela, e foi nesse momento que soube exatamente o que estivera negando a si mesmo todo tempo.


- Pensei que ficassem bem - disse ela baixinho.

- Acho que sim.

Continuaram a olhar um para o outro cada um do seu lado da cozinha, ambos paralisados durante um momento. Depois Kate desviou o olhar.

- Não consegui encontrar o saca-rolhas - disse ela, agarrando-se a qualquer coisa para dizer.

- Vou buscá-lo - disse ele depressa. - Não o uso muitas vezes, por isso deve estar escondido numa das gavetas.

Ele levou o prato dos bifes para a mesa e de seguida foi até à gaveta. Depois de vasculhar entre os utensílios no fundo, encontrou o saca-rolhas e trouxe-o para a mesa. Com alguns movimentos ágeis, abriu a garrafa e serviu apenas a quantidade certa em cada copo. Depois, sentando-se, usou as pinças para pôr os bifes nos pratos.

- É o momento da verdade - disse ela mesmo antes de dar a primeira dentada. Jack sorriu enquanto a observava provar o bife. Kate ficou agradavelmente surpresa ao descobrir que ele tivera razão o tempo todo.

- Jack, está delicioso - disse ela com sinceridade.


- Obrigado.

As velas consumiam-se à medida que a noite ia passando devagar, e Jack disse por duas vezes o quanto ele estava feliz por ela ter vindo. De ambas as vezes Kate sentiu algo a formigar na nuca e teve de beber outro gole de vinho apenas para fazer desaparecer a sensação.
Lá fora a maré subia lentamente, observada por uma lua surgida aparentemente de lugar nenhum.
Depois do jantar, Jack sugeriu outro passeio ao longo da praia.


- É muito bonito à noite - disse ele. Assim que Kate aceitou, ele pegou nos pratos e nos talheres e pôs na pia.

Saíram da cozinha e dirigiram-se lá para fora e Jack fechou a porta atrás de si. A noite estava amena. Desceram pela varanda, encaminhando-se através de uma pequena duna de areia até à praia.


Quando chegaram à beira da água, repetiram os movimentos daquela tarde, tirando os sapatos e deixando-os na praia, ja que não havia mais ninguém ao redor. Caminharam lentamente, próximos um do outro. Surpreendendo-a, Jack pegou na sua mão. Sentindo o seu calor, Kate interrogou-se apenas por um instante sobre como seria o toque dele sobre o seu corpo, demorando-se sobre a sua pele. O pensamento fê-la sentir um aperto por dentro, e quando o olhou de relance, perguntou-se se ele sabia o que ela estava pensando.

- Há muito tempo que não tinha uma noite como esta - disse Jack por fim, e a sua voz soou quase como uma recordação.

- Eu também não - disse ela.

A areia estava fresca debaixo dos pés.

- Jack, lembra-se quando me convidou para ir andar de barco? - perguntou Kate.

- Sim.

- Porque é que me pediu para ir contigo?

Ele olhou para ela com curiosidade.

- Que quer dizer?

- Quero dizer que pareceu quase como se tivesse arrependido no momento em que o fez.

Ele encolheu os ombros.

- Não sei se arrependido é a palavra certa. Acho que fiquei surpreso por ter perguntado, mas não me arrependi.

Ela sorriu.

- Tem certeza?

- Sim, tenho. Lembre-se de que eu não convidava ninguém para sair há mais de três anos. Quando disse que nunca tinha andado de barco à vela, de repente percebi de que estava farto de estar sempre sozinho.

- Quer dizer que eu estava no lugar certo no momento certo?

Ele abanou a cabeça.

- Não quis dizer isso. Eu quis levá-la a passear de barco comigo. Não o teria feito se fosse outra pessoa. Além disso tudo acabou por se revelar muito melhor do que eu esperava. Estes últimos dois dias têm sido os melhores que já tive há muito tempo.

Ela sentiu-se confortável por dentro com o que ele disse. Enquanto caminhavam, ela sentia-o mexendo lentamente o polegar, desenhando pequenos círculos na pele dela. Ele continuou.

- Pensava que as suas férias iriam ser parecidas de alguma forma às que estás tendo?

Ela hesitou, decidindo que não era o momento certo para lhe contar a verdade.

- Não.

Caminharam juntos em silêncio.


- Acha que alguma vez virá aqui de novo? Quer dizer, para outras férias?

- Não sei. Porquê?

- Porque queria que viesse.

Ao longe, ela conseguia ver as luzes de um embarcadouro. Sentiu de novo a mão dele mexer-se na dela.


- Me convidaria outra vez para jantar se voltasse?

- Cozinharia para ti o que quisesse. Desde que fosse bife.

Ela riu-se baixinho.

- Então vou pensar no assunto. Prometo.

- E que tal se incluísse umas aulas de mergulho também?

- Acho que Kevin iria gostar mais disso do que eu.

- Então traga-o contigo.

Ela olhou para ele.

- Não se importaria?

- De modo nenhum. Gostaria muito de o conhecer.

- Aposto que gostaria dele.

- Eu sei que iria gostar.

Continuaram a andar em silêncio, até Kate balbuciar:

- Jack, posso te fazer uma pergunta?

- Claro.

- Sei que isto vai parecer estranho, mas...

Ela fez uma breve pausa, e ele olhou para ela com curiosidade.

- O quê?

- Qual foi a pior coisa que alguma vez fez?

Ele riu-se alto.

- Donde é que veio isso?

- Só quero saber. Faço sempre essa pergunta às pessoas. Permite-me saber como é que as pessoas funcionam na verdade.

- A pior coisa?

- A pior de todas.

Ele pensou durante um momento.

- Posso dizer que a pior coisa que já fiz foi quando eu e um grupo dos meus amigos saímos uma noite em Dezembro - tínhamos bebido muito e estávamos fazendo um barulho dos diabos quando fomos parar numa rua inteiramente decorada com luzinhas de Natal. Bem, estacionamos e começamos a desenroscar e a roubar todas as lâmpadas de que éramos capazes.

- Não!?

- É verdade. Éramos cinco, e enchemos a mala do carro com lâmpadas de Natal roubadas. E deixamos os fios - isso foi a pior parte. Parecia que o Grinch tinha passado por aquela rua. Ficamos lá durante quase duas horas, perdidos de riso com o que estávamos fazendo. A rua tinha aparecido no jornal como uma das mais decoradas da cidade, e quando acabamos... Não consigo imaginar o que aquela gente pensou. Devem ter ficado furiosos.

- Isso é terrível!

Ele riu-se de novo.

- Eu sei. Agora, sei que foi terrível. Mas na hora foi hilariante.

- E julgava eu que era um cara tão bem comportado...

- Eu sou um tipo bem comportado.

- Comportou-se como o Grinch. - Ela insistiu, curiosa. - Então e que mais é que você e os seus amigos fizeram?

- Quer mesmo saber?

- Sim, quero.

Ele começou então a regalá-la com histórias de adolescente. Vinte minutos mais tarde ele ainda contava histórias, para grande divertimento dela. Quando finalmente terminou, ele fez a mesma pergunta que havia começado a conversa.


- Oh, nunca fiz nada dessas coisas - disse ela quase envergonhada. - Sempre fui bem comportada.

Então ele riu novamente, sentindo-se como se tivesse sido enganado - não que se importasse - e sabendo muito bem que ela não dizia a verdade.

Caminharam até ao fim da praia, trocando entre si mais histórias de infância. Enquanto ele falava Kate tentava imaginar como ele seria quando era mais novo, perguntando-se sobre o que teria achado dele se o tivesse conhecido quando frequentava a faculdade. Teria achado tão atraente como o achava agora, ou teria voltado a apaixonar-se por James? Queria acreditar que teria apreciado as diferenças entre ambos. James parecera tão perfeito na época.

Pararam durante um momento e ficaram olhando a água. Ele estava próximo dela, e os ombros de ambos quase se tocavam.

- Em que estas pensando? - perguntou Jack.

- Em como o silêncio é tão agradável contigo ao meu lado.

Ele sorriu.

- E eu estava agora mesmo pensando em como lhe contei um montão de coisas que não conto a mais ninguém.

- É porque sabe que vou voltar para Chicago e não vou contar a ninguém?

Ele riu-se.

- Não, não é nada disso.

- Então o que é?

Ele olhou para ela com curiosidade.

- Não sabe?

- Não.

Ela sorriu quando o disse, quase desafiando-o a continuar. Ele pensava como explicar algo que ele próprio tinha dificuldade em compreender. Após um longo momento em que aproveitou para se concentrar, disse baixinho:


- Creio que é porque queria que a Kate soubesse quem eu sou na realidade. Porque se me conhecer de verdade, e ainda quiser ficar comigo...

Kate nada disse, mas sabia exatamente o que ele tentava dizer. Jack desviou o olhar.

- Desculpe. Não era minha intenção fazê-la sentir-se embaraçada.

- Não me fez sentir embaraçada - começou Kate a dizer. - Ainda bem que disse... - Ela fez uma pausa. Depois de um momento começaram a caminhar de novo lentamente.

- Mas não sente o mesmo que eu sinto.

Ela olhou para ele.


- Jack... eu... - A sua voz sumiu-se.

- Não, não precisa dizer nada...

Ela não o deixou acabar.

- Preciso sim. Voce quer uma resposta, e eu quero da-la. - Ela fez uma pausa, pensando na melhor maneira de dizer. Depois, respirando fundo:


- Após eu e o James nos separarmos, passei por um período horrível. E quando pensei que tinha vencido , comecei a sair com outros homens. Mas os homens que conheci... não sei, parecia simplesmente que o mundo tinha mudado durante o tempo em que estive casada. Todos eles queriam qualquer coisa, mas nenhum deles queria dar. Suponho que me cansei dos homens em geral.

- Não sei o que dizer...

- Jack, não estou contando isto porque penso que seja igual a esses homens. Você é muito diferente deles. E isso me assusta um pouco. Porque se eu disser o quanto gosto de ti... de certa maneira, estou sujeita a ser magoada de novo.

- Eu nunca a magoaria - disse ele gentilmente.

Ela parou de andar e o fez olhar para ela. Falou tranquilamente.

- Eu sei que acredita nisso, Jack. Mas luta com os seus próprios demônios durante os últimos três anos. Não sei se já está pronto para seguir em frente, e se não estiver, então vou ser eu quem vai se magoar porque eu estou me apaixonando por você.

As palavras atingiram-no com força, e ele levou algum tempo para responder. Jack obrigou-a a olhá-lo nos olhos.

- Kate... desde que nos conhecemos... não sei...

Ele parou, percebendo que não era capaz de pôr em palavras aquilo que sentia. Em vez disso levantou a mão e tocou o rosto dela com o dedo, acariciando-a tão levemente que parecia como uma pena contra a pele dela. No momento em que ele a tocou, ela fechou os olhos e apesar das suas dúvidas deixou que a sensação de formigueiro viajasse através do seu corpo, aquecendo-lhe o pescoço e os seios.

A partir daquele momento ela sentiu que tudo começava a desmoronar ficando apenas a certeza de que devia estar ali. O jantar que tinham partilhado, o passeio pela praia, a maneira como ele a olhava - não conseguia imaginar nada melhor que aquilo que estava acontecendo naquele momento.

As ondas vinham rebentar na praia, molhando os seus pés. A brisa quente de verão soprava por entre os cabelos dela, aumentando a sensação do toque dele. O luar emprestava um brilho singular à água, enquanto as nuvens projetavam sombras ao longo da praia, tornando a paisagem quase surreal.

Eles cederam então a tudo o que acumulara-se desde o momento em que se conheceram.


Ela afundou-se nele, sentindo o calor do seu corpo, e ele soltou-lhe a mão. Então, envolvendo-a lentamente nos seus braços, puxou-a para si e beijou-a suavemente nos lábios. Depois de se afastar ligeiramente para a olhar, beijou-a de novo suavemente. Ela devolveu o beijo, sentindo a mão dele percorrer as suas costas e parar no seu cabelo, onde ele enterrou os dedos. Sentir seus lábios junto aos dela, foi um momento tão sublime como há muito tempo ela não sentia. E a cada movimento feito em busca do novo, Kate percebia o quanto ela ansiava por isso, talvez desde sempre. Era como se ali naquele momento ela experimenta-se pela primeira vez um beijo. Seu corpo respondia ao desejo que a envolvia.

Permaneceram abraçados, beijando-se ao luar durante muito tempo, nenhum deles preocupado em saber se alguém os poderia ver. Tinham esperado muito tempo por aquele momento, e quando finalmente se afastaram, ficaram a olhar um para o outro. Depois, pegando de novo na mão dele, Kate conduziu-o lentamente de volta para a casa.

Parecia um sonho.Jack beijou-a de novo imediatamente após ter fechado a porta, com mais fervor desta vez, e Kate sentiu o corpo tremer de antecipação. Ela foi até à cozinha, pegou nas duas velas em cima da mesa, e levou-o para o quarto. Colocou as velas sobre a mesa, e ele tirou os fósforos do bolso, acendendo-as, enquanto ela foi até às janelas e começou a fechar as cortinas.

Jack estava ao pé da mesa quando ela voltou para ele. Novamente muito próximos um do outro, ela passou as mãos pelo peito dele, sentindo os músculos firmes por baixo da camisa, entregando-se à sua própria sensualidade. Olhando-o nos olhos, tirou a camisa lentamente expondo o peito dele. Deslizou-a pela cabeça e encostou-se a ele, ouvindo a camisa a cair no chão.


Beijou-lhe o peito, depois o pescoço, estremecendo quando as mãos dele passaram para a frente da sua blusa. Dando-lhe espaço, ela inclinou-se para trás enquanto ele desabotoava lenta e cuidadosamente os botões, um por um, de cima para baixo.

Quando a blusa caiu aberta, ele abraçou-a e puxou-a para si, sentindo o calor da pele dela contra a sua. Beijou-a no pescoço e mordiscou-lhe o lóbulo da orelha enquanto as suas mãos traçavam o contorno da espinha dela. Ela abriu os lábios, sentindo a ternura do contato dele. Os dedos dele detiveram-se no soutien, e com uma volta hábil foi ao chão, fazendo-a conter a respiração libertando os seios.


Ele inclinou-se e beijou-os ternamente, um de cada vez, e ela inclinou a cabeça para trás, sentindo a respiração aquecida e a umidade da boca dele onde quer que ela a tocasse.

Ela estava quase sem fôlego quando estendeu a mão para procurar o fecho das jeans dele.


Olhando-o de novo nos olhos, ela desabotoou-lhe as calças, puxando lentamente o fecho para baixo. Continuando a olhar para ele, enquanto puxava as calças. Elas soltaram-se ligeiramente e ele deu um passo para trás por um instante, para as despir. Depois, aproximando-se para beija-la de novo, ele ergueu-a nos seus braços e transportou-a com cuidado ao longo do quarto, colocando-a sobre a cama.

Deitada ao lado dele, ela passou as mãos pelo peito dele de novo, apertando um dos mamilos.


Jack soltou um gemido.Sentiu as mãos dele deslocarem-se suavemente para o jeans. Ele desabotoou e levantando ligeiramente as nádegas, ela despiu-as, uma perna de cada vez, enquanto as mãos dele continuavam a explorar o corpo dela. Ela acariciou-lhe as costas e mordeu-lhe suavemente no pescoço, escutando a sua respiração acelerar. Ele começou a tirar os boxers enquanto ela despia a calcinha, e quando ficaram finalmente nus, os seus corpos aproximaram-se.

Ela estava bela à luz das velas. Ele passou a língua por entre os seios, pela barriga dela abaixo, passando pelo umbigo e de novo para cima. Sua pele era macia e convidativa quando se abraçaram um ao outro. Ele sentiu a mão dela nas costas, puxando-o para mais perto dela.

Em vez disso ele continuou a beijar-lhe o corpo, sem apressar o movimento. Encostou o rosto à barriga dela e roçou suavemente. A barba do seu queixo despertava uma sensação erótica na pele dela, e ela enterrou as suas mãos no cabelo dele para que nao parasse. Ele continuou até ela não suportar mais, então ele subiu e fez a mesma coisa aos seios.

Ela puxou-o de volta para si, arqueando as costas enquanto ele se movia lentamente para cima dela. Ele beijou-lhe as pontas dos dedos, uma de cada vez, e quando eles finalmente se uniram como num só, ela fechou os olhos com um suspiro. Beijando-se ternamente, fizeram amor com um fervor que estivera sufocado durante os últimos três anos.

Os seus corpos moviam-se juntos, cada um consciente das necessidades do outro, cada um tentando agradar ao outro. Jack beijava-a quase continuamente, ela sentiu o seu corpo começar a vibrar com a urgência crescente de algo maravilhoso. Quando finalmente aconteceu, enterrou os dedos nas costas mas mal o momento terminava começava logo outro e ela começou a atingir orgasmos em longas sequências, um apos o outro.


Kate estava exausta quando acabaram de fazer amor e por fim abraçou-o, apertando-o. As suas mãos acariciavam delicadamente a pele suave enquanto descansava. Kate adormeceu nos braços dele, sentindo-se maravilhosamente bem.


Na madrugada,Kate abriu os olhos, percebendo instintivamente que ele já não estava na cama.


Virou-se para o lado, procurando-o. Não o vendo, levantou-se e foi até o banheiro onde encontrou um roupão. Envolvendo-se nele, deixou o quarto e lançou uma olhada em direção à escuridão da cozinha. Não estava lá. Procurou na sala, mas também lá não estava, e subitamente soube exatamente onde ele estaria.

Lá fora, encontrou-o sentado na cadeira, vestido apenas com os seus boxers e uma camisa cinzenta. Ele a viu e sorriu.

- Olá.

Ela aproximou-se, e ele fez sinal para ela se sentar ao seu colo. Beijou-a enquanto a puxava para si, e ela pôs os braços à volta do pescoço dele. Percebendo que havia algo errado, Kate afastou-se e tocou-lhe a face.

- Estás bem?

Ele demorou um momento a responder.

- Sim - disse ele, baixinho, sem olhar para ela.

- Tem certeza?

Ele acenou que sim com a cabeça, mais uma vez sem a olhar nos olhos, e ela usou o seu dedo para o fazer olhar para ela. Disse delicadamente:

- Pareces um pouco... triste.

Ele fez um sorriso fraco sem responder.

- Estás triste por causa do que aconteceu?

- Não - disse ele. - De maneira nenhuma. Não me arrependo de nada.

- Então o que foi?

Ele não respondeu, desviando novamente os olhos.

Ela falou suavemente.

- Estás aqui fora por causa de Sarah?

Ele esperou um momento antes de responder, depois colocou a mão dela na sua. Por fim olhou-a nos olhos.

- Não, não estou aqui fora por causa de Sarah - disse ele, quase sussurrando as palavras. - Estou aqui fora por sua causa.

Depois, com ternura ele puxou-a suavemente para si e abraçou-a sem dizer mais uma palavra, não a largando até o céu começar a clarear. Tudo que queria era congelar o momento para sempre.



CONTINUA...


domingo, 13 de abril de 2008

INCANCELLABILE - Cap 16 Parte 1


San Sebastian
19h


Jack caminhava pelo corredor com um buque de lirios nas maos. Pretendia deixar Kate sozinha por uns instantes ainda para dar uma consulta na emergencia.


Ao chegar no corredor,ouviu risadas vindas do quarto dela.Encostou-se na porta escondido para ouvir melhor.


- Voce esta brincando?

- Serio...ele e teimoso demais.Cabeca dura mesmo.


- Mas ele parece tao maravilhoso...

- Ele e Kate, so que ele tem uma mania de querer consertar tudo,sabe? Se preocupa com todos, se culpa se perde um paciente mesmo que nao seja sua culpa.


- Nossa entao ele e melhor que eu imaginava...

- Sim, voce e uma mulher de sorte.


Jack sorriu e por fim resolveu bater de leve a porta.

- Ola! Duas mulheres juntas...espero que nao estejam falando mal de mim.


- Imagina! disse Juliet levando as duas a gargalharem. Jack se aproximou da cama de Kate e deu um selinho nela.

- Pra voce.


- Sao lindas, obrigada.

- Bem, ja que as duas se entenderam e parecem amigas se divertindo tanto, posso aproveitar para trabalhar um pouco? Precisam de mim la no PS.


- Pode ir tranquilo,Jack. Eu e Kate ficaremos bem.

Juliet levantou-se e pegou o buque das maos de Kate colocando-o sobre a mesa de apoio.


Jack voltou-se para Kate e trocaram um beijo. Dessa vez, Kate prolongou o contato um pouco mais, sentia muita falta daqueles labios.


Sorrindo e mencionando um "ate logo" Jack deixou o quarto ouvindo Juliet falar algo sobre jantar.


A consulta de Jack demorou mais do que ele previra e acabou terminando em uma OR. Tres horas depois, ele dirigia-se ao quarto dela cansado mas satisfeito por ter ajudado a salvar mais uma vida.

Encontrou Kate dormindo serena e junto as flores um bilhete de Juliet dizendo que estava tudo sob controle e que ela tinha ido ao hotel. Ao contrario do que fazia todas as noites, Jack decidiu dormir no conforto medico. Estava quebrado apos a cirurgia e como Kate estava bem acreditava que nao teria problema.


Antes de ir dormir porem, chamou a enfermeira de plantao e deu todas as orientacoes necessarias reafirmando varias vezes que nao hesitasse em bipa-lo se precisasse.Ao fechar a porta do conforto, ele jogou-se na cama e adormeceu automaticamente.

Dia seguinte
8h

Kate achou muito estranho acordar e nao ter Jack por perto. "Estaria trabalhando?"


De repente, uma saudade gostosa de ouvir a voz dele a dominou. Percebendo que havia um telefone a sua cabeceira ela discou o numero que decorara naquela noite. Chamou. No segundo toque uma voz sonolenta atendeu.

- Jack.

- Hey, voce nao me deu boa noite ontem...nem dormiu comigo.

- Hey, amore. Bom dia.

- mornin' onde voce esta? nao vem me ver?

- Sim, ja estou indo.

Jack levantou-se e lavou o rosto.Apos escovar os dentes saiu ao seu encontro.Quando ele entrou no quarto, viu que Kate formou um biquinho de proposito pra mexer com ele.

Ela reparou que ele estava com roupas de hospital e a manga da camisa deixava parte da tatuagem a amostra.Sentiu um vontade louca de ver e tocar aquela tattoo.

- Vem ca.

Ele aproximou-se dela.

- Porque esse bico? Ela respondeu manhosa:

- Tava com saudade, voce me deixou sozinha. Ela o puxou pelo braco. Trocaram um beijo. As maos dela estavam concentradas na manga dele.

- O que voce ta fazendo?

- Examinando o que e meu. E dizendo isso levantou toda a manga expondo a tatuagem. Seus dedos corriam levemente sobre o desenho delineando o 5 sentindo os musculos rijos.Ela beijou o desenho.

- Sabe, estou comecando a achar que voce esteja totalmente curada.Preciso ver meu paciente.

- Voce volta logo?

- O que aconteceu com voce pra esta tao carente?

- Nada.Eu so quero ficar com voce o maximo de tempo possivel.

- Ta, ok eu volto logo alias imagino que o Desmond apareca daqui a pouco pra examinar seus pontos.

E jogando um beijo no ar ele saiu do quarto.


FBI Los Angeles - HQ
10h

Ana Lucia pesquisava no banco de dados do FBI alguma pista que Sawyer pudesse lhe dar.


Queria ela mesma montar um perfil dele para tentar encontra-lo. Ja havia passado os CD's onde copiaram os dados da lanhouse para o departamento de comunicacao e informatica. A maquina em si com o HD original fora confiscada e colocada como evidencia do caso bem como as fitas de seguranca.

Digitou o nome da suposta parceira de Sawyer no pc - Smith, Cassidy...esperou.

Em apenas 10 segundos, sua tela indicava a existencia de uma ficha leve.


Pequenos delitos, trambiques enganado os outros.Nao era a toa que ela estava envolvida com um cara como Sawyer.Ela parecia uma moca normal, tivera educacao,uma boa situacao financeira, podia ter qualquer outra profissao.

Ana desconfiava que os dois estavam fora dos Estados Unidos, ja havia distribuido fotos dele por todos os escritorios do FBI do pais e nada recebera de resposta.


Por isso resolveu vasculhar as listas de passageiros de voos internacionais que partiram de NY entre 16 e 20 de outubro.Tinha quase certeza que poderia saber onde eles estariam, o duro seria convencer as companhias aereas a cooperarem.

- Isso vai levar um tempinho...


San Sebastian
10h

Justin quase fora esmagado ao tentar entrar no hospital. A gama de reporteres a procura de uma noticia sobre a ancora da ABC era grande.Foi questionado varias vezes e disse muito pouco. "Imagina quando ela realmente tiver que deixar o hospital?"

Kate estava sentada na cama zapeando o controle remoto da tv. Estava entendiada.Percebeu um movimento na porta. Justin entrou bem devagar. Ao deparar-se com ela,gritou:


- Jesus! Kate! Que bom ve-la acordada.

Rapidamente, enrolou as revistas que trazia em maos e escondeu-as atras de si.Kate percebeu.


- Justin, e bom ver voce.Como estao todos na ABC?

- Ora, mortos de saudades de voce!Mas essa pergunta era minha: Como vai a minha amiga?


- Tirando as dores e o enjoo dos remedios, maravilhosa.

- Hum, por acaso um doutor de olhos cor de mel tem a ver com essa alegria? Piscou pra ela.


Kate ria.

- Porque voce nao me contou sobre ele? Ai se ele fosse gay...


- Justin! Vou contar pro Kevin. E nao falei nada antes por causa de toda a situacao com...com James.


Ela suspirou e baixou a cabeca.Ele aproximou-se dela e apertou a mao dela.

- Nada de tristeza,ta?

- O que voce escondeu ai atras? Justin ficou sem jeito.

- Err, nada.

- Justin...

Ele tinha medo de mostrar a ela os tabloides, nao sabia o que tinham dito a ela.

- E so umas revistas idiotas, esses projetos de jornalistas que escrevem pra tabloides.

- Quero ver.

Ele continuava sem ceder. Kate entendeu o porque.

- Justin, eu ja sei de tudo. Jack me contou, agora pode me dar as revistas?

Ele entregou na mao dela. Kate estava na capa de 2 e ganhara uma reportagem de duas paginas em outra. Basicamente falavam do acidente ocorrido e de sua carreira. Apenas em uma delas levantaram a possibilidade de vinganca.Ah, sua separacao nao era mais surpresa para ninguem. Ela jogou-as de lado.


- Nada realmente interessante.Sorriu.

- Voce recebeu um monte de cartas na redacao. As pessoas torcem pela sua recuperacao, sentem sua falta Kate Austen!Ficarei feliz em dar noticias hoje de voce.

- Diga a todos que agradeco.

- Pode deixar. Quando tera alta?

- Ainda nao sei, segundo o Dr. Hume talvez daqui a 2 dias.

- Voce vai voltar pra casa?

Kate olhou pra ele pensativa.Ainda nao sabia.

- Nao sei.

Ele beijou-a no rosto e despediu-se. Precisava trabalhar.

- Diga "oi" pro Jack por mim,ok? E avise quando tiver alta.

Paris
16h


Cassidy e Sawyer passeavam pelas lojas de Paris. Aproveitando que ela estava esperimentando umas roupas. Ligou novamente para Jean a fim de acertar detalhes do encontro com sua proxima vitima.Deveria encontrar com ela hoje a noite num restaurante chique. Iria dar a Cassidy um remedio para dormir, somente apos esse primeiro contato ele decidiria o que exatamente faria com ela.


San Sebastian
Meio-dia

- Oi! Vim almocar com voce e depois vou leva-la para um passeio no hospital.

- Hey, brotha!

Desmond estava checando a cirurgia do ombro dela.tudo parecia muito bem.

- Hey...

- Olha, esta tudo em ordem.Amanha podemos deixar apenas um curativo leve nos dois ferimentos. Kate, amanha devo ja te dar alta.

- Mesmo?

- Sim, mas tenho algumas condicoes para isso. Que alias, se aplicam aos dois.

Olhou serio para Jack.

- Mas Jack e medico...

- Nah, nesse momento ele e igual ou ate pior que voce. Nao quero saber de voce fazendo esforcos. Semana que vem voltara aqui para tirar os pontos. todos os dias devera caminhar por 20 minutos de manha e a tarde para gradativamente melhorar o movimento da sua perna.Sei que vive de escrever comece a praticar devagar e vou passar uma serie de exercicios leves para seu braco. Escutem bem os dois: nao inventem nada.Nao facam estrepulias certo, Jack?


- Ta, ja entendi.

- Eu direi quando poderao fazer e ao julgar pelo tratamento VIP sera mais rapido do que voces imaginam.

Eles riram.

- Bem, vou passar as instrucoes para o meu interno de como proceder amanha.

Desmond deixou o quarto.

- Ele e exigente, hein?

- Kate, voce ja sabe que vai para o meu apartamento certo? Nao quero voce sozinha na sua casa ainda mais depois de tudo o que aconteceu. Ainda estou esperando noticias da Ana e ela tambem vai querer falar com voce sobre tudo que aconteceu.

- Mas Jack, na sua casa? eu ficarei sozinha de qualquer jeito. Olhou pro lado.Os olhos encheram-se de lagrimas rapidamente.- Mas,eu...eu nao quero voltar pra la, Jack..a voz embargada.

- Voce nao ira voltar,Kate.Voce ficara comigo. Vou refazer minha escala pra ficar ajudando voce na recuperacao.

- Vai me por na cama pra dormir, me alimentar e cantar ate eu pegar no sono? falou manhosa.

- Tudo que quiser, tratamento VIP lembra? E agora, vamos almocar.

Ele pegou a refeicao que trouxera e sentou ao lado dela na cama.



CONTINUA...

INCANCELLABILE - Cap 16 Parte 2

Paris
19h

Sawyer estava de volta ao hotel com Cassidy.Pretendia comer algo com ela e consequentemente dopa-la. Nem precisou se esforcar muito.

- Ai,Sawyer eu estou desejando um crepe e um creme burle acompanhado de um bom caffe al latte.

- Nossa! Faltou somente o croissant nessa refeicao tipicamente francesa. Vamos ao bar do hotel. Tambem estou com fome.


Eles se sentaram numa mesa e fizeram seus pedidos. Sawyer apenas queria uma cerveja e petiscos. Cassidy estava apertada e pediu licenca para ir ao toalette.

Ao chegar as bebidas, ele depositou a dosagem do remedio suficiente para deixa-la dormindo ate a manha seguinte. Quando ela voltou, bebeu o cafe com gosto.


Apos comerem,subiram para o quarto. Cassidy ja bocejava. Sawyer disse que ia tomar banho quando voltou, encontrou Cassidy apagada na cama. "Otimo,maos a obra!" Vestiu-se e saiu em busca da sua nova presa.


O encontro com Anabelle e muito promissor e Sawyer percebe que sera mais facil que tirar doce de crianca.Agora so precisava se livrar de Cassidy o mais rapido possivel.E ele ja sabia como.

San Sebastian
23 de outubro de 2004
9h

Kate acordara com um sussurro gostoso no ouvido.

- Hey, Bela...bon giorno.

- Hummm...

Abriu os olhos e percebeu que ele estava de pe em roupas de trabalho e o interno permanecia a distancia.

- Pronta para comecar o processo de alta? Ele vai colher seu sangue para um ultimo exame e depois ira refazer seu curativo.Ao meio-dia venho te buscar ok?

- Ok. Ele deu um selinho nela.Quando dirigiu-se a porta, Juliet entrou no quarto.

- Bom dia! Vim me despedir.

- Ja? Vai voltar pra Miami?

- Caso voce nao se lembre Jack, ainda tenho um trabalho e um namorado me esperando. Se bem que a essa altura, nao deve estar nada feliz comigo.

Kate riu.

- Tenho que correr. Meu voo sai as 11hs.

Ela ficou do lado da cama de Kate.

- Foi um prazer conhecer voce, Kate.Cuida bem do Doc ok?

- Pode deixar. E desculpe a cena besta de ciume.

- Tudo bem. Tchau,Jack.Fala com Des por mim.

Deu um beijo no rosto do amigo e deixou o hospital.

Ao meio dia, Jack e Desmond entraram no quarto de Kate.


Apos o amigo assinar o prontuario dela, ajudou a coloca-la na cadeira de rodas.Para evitar confusao com os reporteres e fotografos que decidiram acampar na porta do San Sebastian, Jack ia retira-la pelo estacionamento subterraneo. Foi mais facil do que previram e em apenas 10 minutos estavam na frente do predio de Justin!?

- Voce mora aqui?

- Sim.Porque? Antes dela falar lembrou - ah,Justin mora aqui.

- Nossa, voce estava mais perto de mim do que podia imaginar.

Ele ajudou-a descer do carro e tomaram o elevador. O apartamento de Jack Shepard era o tipico lar de um bachelor mas muito bem decorado.

- Bem, seguindo a orientacao do Dr. a senhorita vai pro quarto descansar enquanto preparo seu almoco.

- Pra cama?

- Ordens medicas. A 2a porta a esquerda no corredor.

Kate sentiu um arrepio ao entrar no quarto dele.


Estava realmente ali, no quarto de Jack.O cheiro do comodo era igual ao do dono. Ela sentou-se na cama arrumada e cheirou o travesseiro. Ele estava presente em cada centimetro. Na comoda, ela viu revistas com fotos suas na capa.A curiosidade tomou conta dela mas quando pensou em se levantar para explorar o ambiente, sentiu uma fisgada na perna.Lembrou-se das palavras de Desmond e permaneceu na cama.


Passados uns quinze minutos, Jack entra no quarto trazendo uma bandeja com o almoco de ambos.

- Se comportou direitinho?

- Sim, Dr. Shepard.

Ele sentou-se na cama e colocou a bandeja na frente dela. Deu-lhe um beijo.

- Hora de comer. E dizendo isso, mostrou o prato com frango e verduras,levou a colher a boca de Kate. Apos mastigar, ela brincou:

- Assim vou ficar mal acostumada.

Repetiu o ato.

- E mimada tambem.

- Esse e o objetivo.

Ele comia tambem porem seu prato continha uma dose generosa de porco ao molho barbecue e batata frita.Kate esticou o braco pegou uma delas e passou no molho.


Quando ia levar a boca, Jack deu um tapinha na mao dela fazendo a batata cair no colo de Kate.Rapidamente,ele pegou e comeu sem deixar de passar a mao sobre o abdomen dela.

- Na,na,nina, nao. Voce nao pode comer gordura. Esqueceu dos pontos?

- Ah, Jack so uma...fazendo manha e esfregando a mao no peito dele. Jack sentiu o desejo o aticar mas sabia que nao podia ceder.

- De jeito nenhum! E nao adianta fazer chantagem.

Pra implicar com ela, ele colocou mais uma batata cheia de molho na boca e lambeu os dedos.Kate nao pensou duas vezes, tascou um beijo apaixonado nele.

Depois de alguns segundos, ela quebrou o beijo.

- Hum, esta delicioso.

- Mesmo? Ainda nao achei. E beijou-a de novo.


Paris

Faziam quatro dias que Cassidy tinha descoberto que estava gravida e ainda nao chegara a uma conclusao sensata de como daria a noticia a Sawyer. Pra complicar a situacao, ela comecava a desconfiar que havia algo estranho acontecendo por ali.

Ele nao conversava mais como antes e parecia ter passado a fase de "ferias".Estava mais serio."Sera que ele estava tramando algo?" Agora mesmo, ela nao tinha ideia de onde ele estava.


Uma batida na porta a tirou dos seus pensamentos.

- Pois nao?

- Bonsoir, Madame. Uma entrega.

- Obrigada. Cassidy pegou a caixa.

Apos fechar a porta, foi logo abrindo a caixa tamanha era a curiosidade dela. Era uma linda caixa de chocolates finos nas formas de torre eiffel e arc de triunph. Junto a caixa, um pequeno envelope vermelho.

"Baby,
estou negociando nosso futuro.Adoce a boca e me encontre no lobby do hotel para jantarmos as 21h.
Sawyer"

Ela sorriu.Realmente nao se enganara, ele estava mexendo os pauzinhos.Sentind-se melhor, comeu um chocolate e foi se arrumar.

As 21h conforme previsto ela o avistou no bar do lobby bebericando um whisky. Tapou os olhos dele com as maos e mordiscou o lobulo da orelha. Ele virou-se para ela e sorrindo cinicamente beijou-a nos labios.


- Pronta pra jantarmos?

- Sim, onde vamos?

- No Taillevent, restaurante chiquerimo!

Deixaram o hotel de maos dadas.

Durante o jantar,Sawyer nao tocou no tal assunto sobre o futuro e Cassidy tambem nao criara coragem suficiente para contar sobre a gravidez.Ele pediu licenca para ir ao toalette deixando-a sozinha.


Na verdade, ele colocaria em pratica a 2a parte do seu plano. Tirou do bolso um frasco de remedio.

Colocaria apenas um comprimido na bebida de Cassidy apenas para deixa-la mais sonolenta e desatenta, entao contaria uma mentira sobre o suposto novo golpe que pretendia dar junto com ela e depois que ela adormecesse, ele sumiria levando todo o dinheiro e sem deixar vestigios.

Pediu duas tacas de champagne.Depositou um comprimido, misturou.Olhou novamente para a taca - "ah,what the hell!" Jogou mais dois comprimidos e voltou a mesa.

- O maitre nos ofereceu esse champagne.

Estendeu a taca a ela."E agora? Nao devia beber por causa da gravidez, mas ele vai desconfiar...uma taca nao pode fazer mal." E acabou tomando todo o liquido.

- Realmente delicioso!

- E mesmo. Entao quero falar sobre uma proposta tentadora que recebi ontem de um amigo. Grana boa! Euro,baby!

E Sawyer comecou a contar sua mentira.

Meia hora depois,ela se sentia estranha como se tivesse aerea. Ouvira o tal plano parcialmente mas teria tempo para entender detalhes. Sentiu quando Sawyer a fez levantar da cadeira e acompanha-lo de volta ao hotel.

No hotel, Cassidy comecou a tirar a roupa e Sawyer aproveitou a cena para faze-la relaxar ainda mais. A jogou na cama e comecou a beija-la. Ela foi cedendo ao jeito dominador de Sawyer. Percebendo que ela ja estava bem dopada e quase nao prestava atencao ao que ele dizia,murmurou enquanto se aproveitava dela.

- Quando voce ira aprender, Cass? Eu sou do mundo, um Con man. Um tigre nunca muda suas listras...quando voce acordar vai perceber o quanto foi estupida. Mas obrigada por me tornar rico.


Transaram e logo depois ela apagou.

Sawyer entao arrumou todas as suas coisas e deu uma ultima olhada para ela. Engracado, tinha dinhiero suficiente para ficar sem trabalhar por um bom tempo mas a aventura e o perigo o instigavam, pensou que o golpe de Kate poderia ser seu ultimo - nah, ele queria mais. Fechou a porta e caiu fora. Dali pra frente, Sawyer era passado. Seu nome era Julien Boreau e seu alvo valia € 15 milhoes.

Cassidy sentiu uma dor muito forte.


Um gosto amargo na boca a acordou subitamente no meio da madrugada. Colocou a mao no ventre e tentou ir ao banheiro. Ao levantar-se sentiu as pernas fracas e alcancou o abajur proximo.


Com a claridade atingindo o quarto,ela percebeu que Sawyer nao estava la.No caminho para o banheiro, uma nova pontada dessa vez tao forte que nao conseguiu ficar em pe. O gosto de biles era intenso na boca.

Foi arrastando-se ate o banheiro e acabou por colocar todo o jantar pra fora.Suava intensamente e quando tentou ficar de pe, a dor parecia rasgar-lhe as entranhas e ela sentiu algo escorrer pelas sua pernas.

Sangue...

Sem forcas, caiu no piso.


- Meu bebe... foram suas ultimas palavras antes de desmaiar.




CONTINUA...

sábado, 12 de abril de 2008

INCANCELLABILE - Cap 15 Parte 1

- Entao? Vai me dizer quem sao elas ou vou ter que descobrir sozinha?


Silencio.



Kate estava com raiva, ok a palavra certa era ciumes. "Como de repente so havia mulheres na vida dele?"

Seu olhar para Jack era incisivo.

Juliet nao aguentava mais e comecou a rir.Foi se aproximando dos dois.

- Jack, do que ela esta rindo?


- De voce, oi sou Juliet. Amiga do Jack. Fico muito feliz que voce tenha acordado.

Kate ficou um pouco sem graca. Apertou a mao de Juliet.


- Kate? Eu entendi bem? Voce esta com ciumes da Jules?


- Juliet...ela se chama Juliet! disse Kate enfatizando incapaz de dar o braco a torcer. Ele riu. Deu um beijo na bochecha dela.


- Voce ta ferrado, Jack! Eu volto depois. Gostei de voce, Kate!


Deixou a comida sobre a mesa de apoio e saiu rindo do quarto. Kate corou.


- Kate...ataque de ciumes? wow!


Ela tentava nao perder o rebolado.


- Voce ainda nao me respondeu...quem e Ana?


- Ana e uma amiga minha que esta nos ajudando.

- Amiga? Como Juliet?

- Sim, oh amore! Eu nao tenho namorada, estava solteiro ate voce aparecer nesse hospital esta bem?

Ela balancou a cabeca em entendimento, no fundo morrendo de vergonha por ter sido tao impulsiva. Vermelha como pimenta.

- Me perdoa?

- Pelo que? Adorei a cena de ciumes!

- Jack!!!

Ele voltou a ficar serio. Ela estranhou.

- O que foi?

- Tenho algo serio pra falar com voce mas nao quero que se apavore nem tire conclusoes ainda ok?

Ela pareceu apreensiva depois dessas palavras.

- Ok.

Jack contou o que acontecera com seu dinheiro.

- Mas isso e meio obvio ne? O assaltante levou meus cartoes, meus documentos e deve ter sacado tudo que podia. Disse ela angustiada.

- Bela, voce nao entendeu.Nao foi somente o dinheiro da sua conta, todos os seus investimentos se foram e acredito que o suposto ladrao nem e tao culpado assim.

Kate estava confusa."O que Jack estava querendo dizer com isso?"




Jack entao preparou-se para a pergunta:

- Kate voce conhecia bem o seu marido James?

- Sim, claro. Ex-marido. Porque?

- Kate, e dificil dizer isso entao vou falar de uma vez - ele passou a mao na cabeca. - Tudo indica que voce nao foi assaltada. Voce sofreu uma tentativa de assassinato, Kate.


- What?! ela estava surpresa, comecou a sentir-se fraca. Jack continuou.


- Sim. Todas as suas economias desapareceram da sua conta bancaria, alem de investimentos e todas as suspeitas apontam para seu ex-marido.


- Nao, por mais que ele tenha ficado chateado com o meu pedido de separacao, ele nao faria isso. Ou faria? Kate estava ainda mais confusa, sentiu o pulso acelerar.

- E ai que Ana entra. Eu pedi a ela para investigar como voce ficara pobre da noite para o dia e segundo ela, ele e o principal suspeito.


- Oh, James... as lagrimas comecavam a formar-se nos olhos.Estava visivelmente nervosa e Jack percebeu mas tinha que contar a ela toda a verdade.

- Err...o nome dele nao e James. Ele se chama Sawyer e alem de varias passagens pela policia, tem ficha no FBI. Ele e um golpista, Kate.

Aquilo fora demais para ela. Sentiu um aperto no peito.



"Como podia ter sido enganada assim?"




Respirar era dificil. Ela tremia. Jack rapidamente a envolveu com seus bracos para evitar que ela se excedesse e acabasse por prejudicar a sua recuperacao.

- Shhh...calma...

Ela relembrava os detalhes da noite do suposto assalto. O gosto salgado das lagrimas foram sentidos por Jack enquanto ele dava beijinhos no rosto dela.

- Eu estou aqui, vai ficar tudo bem...it's ok. It's gonna be alright.

Aos poucos ela foi se acalmando. Sentia-se protegida naquele abraco caloroso. Jack vendo que ela ja estava melhor,mediu o pulso para ter certeza,levantou-se da cama e pegou o cereal da bandeja deixada por Juliet. Voltou a sentar-se ao lado dela.

- Esta com fome?

Ela balancou a cabeca negativamente.

- Nao, adianta. Eu sou o medico aqui e digo que voce precisa se alimentar para se recuperar mais rapido. Eu quero ve-la boa o mais rapido possivel.




Dizendo isso, ele fez aviaozinho e deu a primeira colherada a ela. Ela sorria enquanto mastigava. Apesar do que acabara de saber ela estava perdida em pensamentos olhando para ele.

"Vai ficar tudo bem...eu sei que vai. Ele esta aqui. Jack esta comigo. Eu estou segura. Eu te amo muito...muito...muito..."








CONTINUA...