segunda-feira, 7 de abril de 2008

Perdoai essa Ervilha...

Dears,

a sua amiga deve estar realmente sentindo falta de LOST...

Imaginem que a "Lesada" aqui deveria ter postado novo cap ontem mas conseguiu destruir mais da metade do capitulo... nem perguntem como!!! e garanto que dessa vez não foi culpa do Bill Gates....arfffffff

Anyway, reescrevi o capitulo e espero ter ficado nos moldes do anterior.

Prometo postar ainda hj pra vcs... e pra compensar vou atualizar as duas fics se possível...

Emocoes JATES a caminho ... preparem-se!!! =)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

As Palavras que Nunca Te Direi - Cap 4

Capitulo 4


No dia em que descobriu a terceira carta, ela não esperava, claro, nada de anormal. Era um típico dia de Verão em Chicago. Kate estava na redação, pesquisando um tópico relacionado com lugares exoticos.


Quando estava prestes a desligar o computador, um pensamento cruzou subitamente a sua mente e ela deteve-se. Porque não? perguntou a si mesma. É pouco provável, mas que tenho a perder? Sentou-se à mesa, no site do google escreveu as palavras MENSAGEM NUMA GARRAFA. Esperou.

A resposta surpreendeu-a - uma dúzia de diferentes artigos tinham sido escritos sobre o assunto nos últimos anos. A maioria foi publicada em revistas científicas, e os seus títulos pareciam sugerir que as garrafas eram utilizadas em várias tentativas de pesquisa sobre as correntes dos oceanos.
Três dos artigos pareciam interessantes, e ela resolveu lê-los. Falavam de mensagens enviadas a enamorados.Mais para o fim do artigo, ela encontrou dois parágrafos que falavam ainda de outra mensagem que dera à costa em Long Island:


"A maior parte das mensagens enviadas dentro de garrafas pede geralmente à pessoa que as encontra para responder uma vez. Uma carta deste tipo, um tributo comovente a um amor perdido, foi descoberta numa praia de Long Island o ano passado. Parte dela dizia:
Sem ti nos meus braços, sinto um vazio na alma..." Kate continuou a ler a mensagem com um misto de surpresa e ansiedade.


Não pode ser! Deu por si a olhar fixamente para as palavras. "Simplesmente não é possível... Mas... quem mais poderia ser? Outra carta?"


Voltou para o princípio do artigo e olhou o nome do autor. Tinha sido escrito por Arthur Shendakin, Ph. D., um professor de história no Colégio de Chicago, quer isso dizer que... ele deve viver na area.
Saltou do sofá e foi buscar a lista telefônica. Folheou-a, à procura do nome. Havia perto de uma dúzia de Shendakins na lista, embora apenas dois lhe parecessem uma possibilidade. Ambos tinham "A" como a primeira inicial, e ela olhou para o relógio antes de telefonar. Nove e meia. Tarde, mas não muito tarde. Foi até à cozinha e encheu um copo com água. Depois de beber bastante, respirou fundo e voltou para o telefone.


Certificou-se de que discava o número correto e esperou enquanto o telefone começava a tocar.
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes.

Ao quarto toque começou a perder a esperança, mas ao quinto toque ouviu a outra linha responder.
- Alo? - disse um homem. Pelo tom da voz, pensou que ele deveria estar na casa dos sessenta anos.
Ela clareou a garganta.

- Alo. Aqui e Kate Austen do Chicago Tribune. É Arthur Shendakin?

- É sim - respondeu ele, parecendo surpreso. Calma, disse para consigo mesma.

- Oh, olá. O senhor é o mesmo Arthur Shenclakin que escreveu um artigo publicado no ano passado na revista Yankee, sobre mensagens em garrafas.

- Sim, fui eu que o escrevi. Em que posso ajudá-la? Sentia as mãos molhadas.

- Despertou-me a atenção uma das mensagens que o senhor diz ter dado à costa em Long Island. Lembra-se de que carta estou falando?

- Posso perguntar porque está interessada?

- Bem - começou ela -, o Tribune quer fazer um artigo sobre o mesmo assunto, e estávamos interessados em conseguir uma cópia da carta.

Ela fez uma careta perante a sua própria mentira, mas dizer a verdade parecia pior. "Como aquilo iria soar? Oh, olá, estou apaixonada por um homem misterioso que envia mensagens em garrafas, e queria saber se a carta que encontrou foi também escrita por ele..."

Ele respondeu devagar.

- Bem, não sei. Essa foi a carta que me inspirou a escrever os artigos... Teria de pensar no assunto.

Kate sentiu um aperto na garganta.

- Então, o senhor tem a carta?

- Sim. Encontrei-a há dois anos.

- Prof. Shendakin, sei que é um pedido pouco habitual, mas posso dizer-lhe que se nos deixar usar a carta, teríamos muito gosto em pagar-lhe uma pequena quantia. E não precisamos da carta em si. Bastava uma cópia da mesma, e assim não ficaria de fato a perder nada.

Ela podia perceber que o pedido o surpreendera.

- De quanto é que estamos falando?

- Estamos dispostos a oferecer trezentos dólares, e claro, será devidamente creditado como a pessoa que a encontrou.

Ele fez uma breve pausa, ponderando. Kate voltou a falar antes de ele poder formular qualquer recusa.

- Prof. Shendakin, tenho a certeza de que deve estar um pouco preocupado com uma eventual semelhança entre o seu artigo e aquilo que o jornal tenciona publicar. Posso assegurar-lhe de que serão bastante diferentes. O artigo que faremos é essencialmente sobre o trajeto das garrafas - sabe, correntes oceânicas e tudo isso. Queremos apenas algumas cartas autênticas que possam proporcionar aos nossos leitores algum interesse humano.
"Donde veio isto tudo?"

- Bem...

- Por favor, Prof. Shendakin. Seria mesmo muito importante para mim.

Ficou em silêncio durante um momento.

- Apenas uma cópia?

"Yes!"


- Sim, claro. Posso dar-lhe um número de fax, ou pode enviá-la por email. Passo o cheque em seu nome?

Fez uma nova pausa antes de responder.

- Eu... suponho que sim. - Ele soava como se de algum modo tivesse sido encostado a uma parede não sabendo como sair da situação.

- Obrigada, Prof. Shendakin. - Antes que ele pudesse mudar de ideia, Kate deu-lhe o número do fax, anotou o endereço dele, e tomou nota para ir buscar um vale no dia seguinte. Pensou que poderia parecer suspeito se enviasse um dos seus cheques pessoais.

A possível existência de uma terceira carta tornava difícil pensar noutra coisa. Na verdade, ainda não havia nenhuma garantia de que a carta era da mesma pessoa, mas se fosse, ela não sabia o que iria fazer.


Tinha pensado em Jack quase toda a noite, tentando imaginar a sua aparência, e as coisas que ele gostava de fazer. Não compreendia exatamente o que estava sentindo, mas por fim resolveu deixar que a carta o decidisse.


Se não fosse de Jack, ela terminaria tudo aquilo num instante. Não usaria o seu computador para procurá-lo, não iria à procura de sinais de quaisquer outras cartas. E se descobrisse que ainda continuava obcecada, jogaria fora as duas cartas. A curiosidade era saudável desde que não tomasse conta da sua vida - e ela não deixaria que isso acontecesse.

Mas, por outro lado, se a carta fosse de Jack...

Não sabia ainda o que faria então. Parte dela esperava que não fosse, para que não tivesse de tomar uma decisão.

Quando chegou à sua mesa, esperou propositadamente antes de ir até ao fax. Ligou o computador, e deu alguns telefonemas Existem provavelmente milhares de cartas à deriva pelo oceano, disse para si mesma. O mais provável é que seja de outra pessoa.

Finalmente foi até ao fax quando já não conseguia pensar em mais nada e começou a examinar a pilha de papel. Encontrou uma carta de introdução endereçada a si. Vinha acompanhada de mais duas páginas, e quando olhou mais de perto para elas, a primeira coisa em que reparou - tal como acontecera com as outras duas cartas - foi no barco à vela gravado em relevo no canto superior direito. Mas esta era mais curta do que as outras, e leu-a antes de chegar à sua mesa. O parágrafo final era o mesmo que tinha lido no artigo de Arthur Shendakin.

25 de Setembro de 2002
Dear Sarah,

Passou-se um mês desde que te escrevi, mas pareceu decorrer muito mais devagar. A vida passa por mim agora como a paisagem do lado de fora da janela de um carro. Respiro e como e durmo como sempre, mas parece não haver qualquer grande objetivo na minha vida que necessite uma participação ativa da minha parte. Continuo simplesmente ao sabor da corrente como as mensagens que te escrevo. Não sei para onde vou ou quando lá chegarei.
Nem mesmo o trabalho alivia a dor. Posso estar a mergulhar sozinho ou a ensinar aos outros como fazê-lo, mas quando volto para a loja, parece vazia sem ti. Faço fornecimentos e encomendas como sempre fiz, mas mesmo agora, por vezes olho por cima do ombro sem pensar e chamo por ti. Enquanto te escrevo este bilhete, pergunto a mim mesmo quando, ou se alguma vez, coisas como essas irão terminar.
Sem ti nos meus braços, sinto um vazio na alma. Dou por mim à procura do teu rosto no meio das multidões - sei que é impossível, mas não consigo conter-me. A minha procura por ti é uma busca interminável destinada ao fracasso. Tu e eu tínhamos falado sobre o que aconteceria se fossemos separados por força das circunstâncias, mas não consigo manter a promessa que te fiz naquela noite. Desculpa, meu amor, mas não existirá nunca ninguém para te substituir. As palavras que te murmurei eram absurdas, e eu devia ter percebido isso então. Tu - e só tu - tens sido sempre a única coisa que eu desejei, e agora que já não estás aqui, não tenho qualquer desejo de encontrar outra. Até que a morte nos separe, sussurramos na igreja, e eu acredito que as palavras permanecerão verdadeiras até finalmente chegar o dia em que eu, também, serei levado deste mundo.

Jack


- Penny, tem um minuto? Preciso falar contigo. Penny levantou os olhos do computador e tirou os óculos.
- Claro que tenho. Que houve?

Kate colocou as três cartas na mesa de Penny sem falar. Penny pegou nelas uma por uma, os seus olhos dilatando de surpresa.

- Onde arranjaste estas duas outras cartas? Kate explicou como as tinha encontrado. Quando terminou a sua história, Penny leu as cartas em silêncio. Kate sentou-se na cadeira defronte dela.

- Bem - disse ela, pousando a última carta -, não há dúvida de que tens andado a guardar segredo, não é?

Kate encolheu os ombros, e Penny continuou.

- Mas há mais nisto tudo do que o simples fato de teres encontrado as cartas, não há?
- Que queres dizer?
- Quero dizer - disse Penny com um sorriso matreiro - não vieste aqui só porque encontraste as cartas. Vieste porque estás interessada nesse tal Jack.

A boca de Kate abriu-se, e Penny riu.

- Não pareça tão surpreendida, Kate. Não sou completamente idiota. Sabia que algo acontecia nestes últimos dias. Tens andado tão distraída por aí - como se estivesses a cem quilômetros de distância. Queria falar sobre o assunto, mas calculei que viesses falar quando te sentisses pronta.

- Pensei que tivesse tudo sob controle.

- Talvez para outras pessoas. Mas eu já te conheço há tempo suficiente para saber quando tem algo diferente. - Ela sorriu de novo. - Então me diz, que houve?

Kate pensou durante um momento.

- Tem sido realmente estranho. Quer dizer, não consigo parar de pensar nele, e não sei porquê. É como se estivesse de novo na escola secundária e estivesse apaixonada por alguém que nem sequer conhecia pessoalmente. Só que isto é pior - não só nunca nos falámos, como nunca sequer o vi. Pelo que sei, pode até ser um homem de setenta anos.

Penny recostou-se na sua cadeira e acenou com a cabeça, pensativa.

- Isso é verdade... mas não acha que seja o caso, não?

Kate abanou lentamente a cabeça.

- Não, na verdade não.

- Nem eu - disse Penny enquanto pegava de novo nas cartas. - Ele fala de como se apaixonaram quando eram jovens, não faz menção de quaisquer filhos, ensina mergulho, e escreve sobre Sarah como se tivesse casado apenas alguns anos. Duvido que seja assim tão velho.
- Foi o que pensei, também.
- Queres saber o que eu penso?
- Claro.

Penny proferiu as palavras com cuidado.

- Eu penso que devias ir a Wilmington encontrar Jack.
- Mas parece tão... tão ridículo, até para mim.
- Porquê?
- Porque não sei nada sobre ele.
- Kate, tu sabes muito mais sobre Jack do que eu sabia sobre Desmond antes de o conhecer. E além disso, eu não disse para casar com ele, apenas disse para ires procurá-lo. Podes descobrir que nem sequer gostas dele, mas pelo menos saberás, não é? Quer dizer, que mal haver nisso?
- E se... - Ela fez uma pausa, e Penny completou a sua frase.
- E se ele não for o que tu imaginas? Kate, posso garantir que ele não é. Nunca ninguém é. Mas na minha opinião, isso não deveria ter qualquer importância para a tua decisão. Se achas que queres descobrir mais, vai. O pior que pode acontecer é descobrires que ele não é o tipo de homem que procura. E que faria então? Voltarias para Chicago com a tua resposta. Que mal haveria nisso? Provavelmente não seria pior do que a duvida que tens agora.
- Não achas que tudo isto é uma loucura?

Penny abanou a cabeça, pensativa.

- Kate, há muito tempo que quero que volte a namorar,saia com outro homem. Como te disse quando estávamos de férias, tu mereces encontrar outra pessoa com quem partilhar a tua vida. Agora, não sei como é que isto com Jack vai correr. Se tivesse de apostar, diria provavelmente que não iria dar em nada. Mas isso não significa que não devas tentar. Se todos pensassem que poderiam fracassar nem sequer tentasse, onde estaríamos hoje?

Kate ficou em silêncio durante um momento.

- Sou mais velha do que voce, e já passei por muito. Uma das coisas que aprendi na minha vida é que às vezes temos de arriscar. E pra mim, neste caso nem sequer estás arriscando muito. Quer dizer, não estás abandonando o teu marido e família para ires à procura dessa pessoa, não estás abandonando o teu emprego e nem mudando para o outro extremo do país. Na verdade encontras-te numa situação maravilhosa. Não tens nada a perder, por isso não dês uma importância exagerada a isto. Se sentes que deves ir, vai. Se não queres ir, não vás. Na realidade, é tão simples quanto isso. Além disso, o Kevin não está aqui e ainda tens muito tempo de férias este ano.

Kate começou a enrolar uma madeixa de cabelo à volta do dedo.

- E a minha crônica?
- Não te preocupes com isso. Ainda temos aquela crônica que escreveste que não usamos porque publicamos a carta em vez dela. Depois disso, podemos publicar alguns artigos dos anos anteriores..
- Fazes tudo isto parecer tão fácil.
- E é fácil. A parte difícil vai ser encontrá-lo. Mas as cartas têm alguma informação que podemos usar para te ajudar. Que tal dar alguns telefonemas e umas buscas no computador?
- Está bem - disse Kate finalmente. - Mas espero não me arrepender.
- Então - perguntou Kate a Penny -, por onde começamos?

Deu a volta com a cadeira para o outro lado da mesa de Penny.

- Já - começou Penny -, vamos começar com aquilo de que temos a certeza. Primeiro, pode-se dizer que o seu nome é mesmo Jack. Foi assim que assinou todas as cartas, e não acho que ele se tivesse dado ao trabalho de usar outro nome que não o seu. Talvez o fizesse se fosse apenas uma carta, mas com três cartas, estou quase certa de que se trata ou do primeiro nome, ou até do seu nome do meio. Seja qual for o caso, é o nome porque é conhecido.

- E - acrescentou Kate -, vive provavelmente em Wilmington ou em Wrightsville Beach, ou noutra comunidade ali por perto, - Penny concordou. - Todas as suas cartas falam do oceano ou de termos ligados ao oceano, e claro, é para aí que ele atira as garrafas. Pelo tom das cartas, parece que ele as escreve quando se sente sozinho ou quando pensa em Sarah.

- Foi isso que pensei. Parece-me que ele não faz qualquer menção de ocasiões especiais nas cartas. Elas falam do seu dia-a-dia.

- Muito bem - disse Penny, acenando com a cabeça. - Ele fala de um barco...

- Happenstance - disse Kate. - A carta diz que eles restauraram o barco e que costumavam velejar juntos. Por isso é provável que seja um barco à vela.

- Escreve isso - disse Penny. - Talvez consigamos descobrir mais sobre isso com alguns telefonemas daqui. É provável que exista um lugar onde se faz o registro de barcos por nome. Posso telefonar para o jornal de lá, para saber. Havia mais alguma coisa na segunda carta?

- Não que eu tenha reparado. Mas a terceira carta tem um pouco mais de informação. Entre aquilo que ele escreve, duas coisas sobressaem.

Penny intrometeu-se.

- Primeiro, Sarah morreu de fato. E parece também que ele é proprietário de uma loja de artigos de mergulho onde ele e Sarah costumavam trabalhar.

- Isso é outra coisa para anotar. Acho que podemos descobrir mais a partir daqui também. Mais alguma coisa?

- Penso que não.

- Bem, é um bom começo. Isto pode ser mais fácil do que pensávamos. Vamos começar.

Apos alguns telefonemas, elas não tinham conseguido muita coisa. Kate estava ficando decepcionada.


- Esse é um beco sem saída - Kate disse baixinho. Penny sussurrou:
- Talvez, talvez não. Não desistas com tanta facilidade.

Penny conseguiu alguns nomes de lojas de artigos para mergulho. Kate olhou para ela curiosa.

- O que lhes vais perguntar quando telefonares?
- Vou perguntar por Jack.

O coração de Kate deu um pulo.

- Assim, sem mais nem menos?

- Assim, sem mais nem menos - disse Penny, sorrindo enquanto ligava. Fez sinal a Kate para levantar a outra extensão - no caso de ser ele - e ambas esperaram em silêncio que alguém respondesse na Atlantic Adventures, o primeiro nome que lhes fora dado.

Quando finalmente atenderam, Penny respirou fundo e perguntou num tom simpático se Jack estava disponível para dar aulas de mergulho.

- Desculpe, acho que tem o número errado - disse a voz rapidamente. Penny pediu desculpa e desligou.

Receberam a mesma resposta nos cinco telefonemas seguintes. imperturbável, Penny passou para o número seguinte na lista e marcou de novo. Esperando a mesma resposta, ficou surpreendida quando a pessoa em linha hesitou por um instante.

- Fala de Jack Shepard?

Jack.

Kate quase caiu da cadeira quando ouviu o nome dele. Penny respondeu que sim, e o homem que a atendera continuou.

- Ele está com a Island Diving. Tem a certeza de que não a podemos ajudar? Temos algumas aulas a começar brevemente.

Penny desculpou-se rapidamente.

- Não, desculpe. Preciso mesmo trabalhar com Jack. Prometi-lhe que o faria. - Quando desligou tinha um sorriso largo nos lábios.

- Bem, estamos próximas agora.

- Não consigo acreditar que tenha sido tão fácil...

- Não foi assim tão fácil, se pensares bem, Kate. A menos que uma pessoa encontrasse mais do que uma carta, não teria sido possível.

- Achas que é o mesmo Jack?

Ela inclinou a cabeça e levantou uma sobrancelha.

- Tu não achas?

- Ainda não sei. Talvez.

Penny não ligou para a resposta.

- Bem, logo saberemos. Isto está divertido.

Penny telefonou então de novo para as informações e pediu o número do registro de barcos de Wilmington. Passado um momento, a mulher disse as palavras que tanto Penny como Kate esperavam que ela dissesse. - Sim, está aqui. Jack Shepard. Hum... tem o nome certo, pelo menos de acordo com a informação que temos. Diz aqui que o nome do barco é Happenstance.

Penny agradeceu-lhe - Jack Shepard - disse ela com um sorriso de vitória. - O nosso escritor misterioso chama-se Jack Shepard.

- Não consigo acreditar que o encontramos.

Penny acenou com a cabeça como se tivesse conseguido algo de que até ela própria duvidava.
- Mais alguma coisa que queiras saber?

Kate pensou durante um momento.

- Consegues descobrir alguma coisa sobre Sarah?

Penny encolheu os ombros e preparou-se para a tarefa.

- Não sei, mas podemos tentar. Vamos ligar para o jornal para ver se têm alguma coisa nos arquivos. Se a morte foi acidental, pode ter sido publicada.

Penny ligou novamente para o jornal mas infelizmente não descobriram nada sobre Sarah.

- Acho que é tudo o que podemos fazer a partir daqui. O resto depende de ti, Kate. Mas pelo menos sabes onde encontrá-lo.

Penny entregou a folha de papel com o nome. Kate hesitou. Penny olhou para ela durante um momento, depois colocou o papel em cima da mesa. Pegou no telefone mais uma vez.

- Agora o que esta fazendo?
- Reservando um voo e um lugar para ficar na Carolina.
- Ainda nem sequer disse se ia ou não.
- Oh, mas você vai.
- Como podes ter tanta certeza?
- Porque não te quero por aí sentada na redação durante todo o ano pensando no que poderia ter sido. Não trabalhas bem quando andas distraída.
- Penny...
- Não me venhas com Pennys. Sabes muito bem que a curiosidade iria te deixar doida.
- Mas...
- Mas nada. - Ela fez uma breve pausa, e as palavras surgiram mais suaves. - Kate, lembra, não tens nada a perder. O pior que pode acontecer é voltares para casa dentro de dois dias. Só isso. Não vais em busca de nenhuma tribo de canibais. Vais apenas saber se a tua curiosidade se justificava ou não.

Permaneceram em silêncio enquanto olhavam uma para a outra. Penny tinha um ligeiro sorriso atrevido no rosto, e Kate sentiu a pulsação acelerar quando tudo a atingiu. "Meu Deus, vou mesmo fazer isto. Não posso acreditar que vou fazer isto".

Mesmo assim fez mais uma frouxa tentativa de recusa.

- Nem sequer sei o que diria se acabasse por encontrá-lo...
- Tenho certeza de que na hora saberás. Agora deixa eu tratar disso. Vai buscar tua carteira. Vou precisar de um número de cartão de crédito.

A mente de Kate rodopiava enquanto se dirigia para a sua mesa.


"Jack Shepard. Wilmington. Island Diving. Happenstance."


As palavras não paravam de girar em torno da sua cabeça, como se estivesse gravadas na mente em loop constante. à tardinha do dia seguinte ela partiu para Wilmington, Carolina do Norte.

Penny disse-lhe para tirar o resto do dia e o seguinte de folga, e quando saia do escritório, Kate sentiu como se tivesse sido quase forçada a fazer algo que não tinha a certeza se devia, Mas bem no fundo ela sentia-se satisfeita, e depois de registrar-se no hotel, Kate Austen perguntava a si mesma onde tudo aquilo iria parar.



CONTINUA...

As Palavras que Nunca Te Direi - Cap 5

Capitulo 5



Kate acordou cedo, como era seu costume, e levantou-se da cama para olhar através da janela. O sol da Carolina do Norte projetava prismas dourados através de uma neblina matinal, e ela abriu a porta da varanda para refrescar o quarto.

Ao entrar na banheira, pensava em como fora fácil chegar até ali. Há pouco menos de quarenta e oito horas tinha estado sentada com Penny estudando as cartas, telefonando a procura de Jack.

O plano que por fim preparara era simples.


Visitaria Island Diving e daria uma olhadela pela loja, na esperança de conseguir ver Jack Shepard. Caso descobrisse que era um homem de setenta anos ou um estudante de vinte, ela daria simplesmente meia volta e voltaria para casa.


Mas, se os instintos delas estivessem certos e ele parecesse ser mais ou menos da idade dela, ela tentaria falar com ele. Por essa razão resolvera aprender alguma coisa sobre mergulho - queria dar a entender que conhecia o assunto. E provavelmente conseguiria saber mais dele se pudesse falar de algo em que ele estivesse interessado, sem ter que revelar muito de si mesma. Teria então um melhor domínio sobre as coisas.

Mas e depois? Essa era a parte sobre a qual ela não estava muito certa. Não queria contar a Jack toda a verdade sobre a razão que a trouxera ali - iria parecer uma loucura.


"Olá, eu li as cartas que escreveu a Sarah, e sabendo o quanto a amou, pensei que você poderia ser o homem de quem tenho andado à procura. Não, isso estava fora de questão, e a outra opção não parecia muito melhor - Olá, sou do Chicago Tribune e descobri as suas cartas. Será que podíamos fazer uma reportagem sobre você? Também não parecia certo. Tão pouco qualquer das outras ideias que lhe passavam pela cabeça. "

Mas ela não tinha chegado tão longe para desistir agora, apesar de não saber o que dizer. Além disso, como dissera Penny, se não desse certo voltaria a Chicago.

Saiu.

A sua primeira parada foi numa loja de conveniência, onde comprou um mapa de Wilmington. O empregado também lhe deu direções, e ela encontrou facilmente o caminho, apesar de Wilmington ser maior do que ela imaginara. As ruas estavam cheias de automóveis, especialmente junto às pontes que davam para as ilhas mesmo ao largo da costa. Carolina Beach e Wrightsville Beach, eram alcançadas por pontes que partiam da cidade, e era para aí que a maioria do tráfego parecia dirigir-se. Island Diving situava-se perto da marina. Depois de ter atravessado a cidade, o trânsito ficou um pouco menos congestionado, e ao chegar à estrada que procurava, abrandou a marcha e procurou pela loja.

Não ficava longe do ponto onde tinha virado. Era um edifício antigo de madeira, desbotado por causa do ar salgado e das brisas marinhas. O letreiro pintado à mão estava preso por duas correntes de metal enferrujadas, e as janelas tinham o aspecto velho provocado por inumeras tempestades.


Saiu do carro, afastou o cabelo do rosto, e dirigiu-se para a entrada. Parou antes de abrir a porta para respirar fundo e concentrar-se, depois entrou, fazendo o seu melhor para fingir que estava ali por razões banais.

Deu uma olhada na loja, caminhando ao longo dos corredores, observando os vários clientes a tirar e a repor artigos das prateleiras. Estava atenta para ver se reparava em alguém com ar de trabalhar ali. Olhou furtivamente para todos os homens na loja, perguntando, É o Jack? A maior parte, porém, parecia ser cliente.

Dirigiu-se para a parede de trás e pos-se a olhar para uma série de artigos de jornais e revistas, emoldurados e laminados, pendurados por cima das prateleiras. Depois de uma rápida olhada, inclinou-se para a frente e de repente percebeu que descobrira a resposta para a primeira pergunta que tinha sobre o misterioso Jack Shepard.

Finalmente sabia qual era a sua aparência.

O primeiro artigo, fotocopiado de um jornal, era sobre mergulho, e a legenda por baixo da fotografia dizia simplesmente: "Jack Shepard da Island Diving, preparando a sua classe para o primeiro mergulho no oceano".

Ela e Penny tinham razão sobre ele. Aparentava trinta e tal anos, com uma cara magra e cabelo castanho curto Ele era cerca de cinco centímetros mais alto que o estudante, e a camisa sem mangas que usava revelava músculos bem demarcados nos seus braços.

Porque a fotografia era um pouco granulosa, não conseguia ver a cor dos olhos, embora pudesse perceber que o rosto mostrava rugas nos cantos dos olhos, embora isso pudesse ter sido provocado pelo sol.

Leu o artigo com atenção, tomando nota de onde ele normalmente dava as suas aulas.


O outro artigo era sobre o Happenstance. Tinham sido tiradas oito fotografias do barco de vários ângulos, por dentro e por fora, todas com indicios da restauracao. O barco era quase único, pois era feito inteiramente de madeira e tinha sido construído originalmente em Lisboa, Portugal, em 1927. Quando Jack Shepard o comprara há quatro anos, estava já em estado de ruína, e o artigo dizia que ele e a sua mulher, Sarah, o haviam restaurado.


Sarah...

Kate olhou para a data do artigo. Abril de 2000. O artigo não dizia que Sarah tivesse morrido, e visto que uma das cartas que ela possuía fora encontrada há três anos em Norfolk, isso significava que Sarah devia ter falecido em 2001.

- Posso ajudá-la?

Kate virou-se instintivamente para a voz atrás dela. Esta pessoa não era ele, obviamente.

- Assustei-a? - perguntou ele, e Kate abanou depressa a cabeça.

- Não... estava vendo as fotografias.

Ele acenou com a cabeça na direção delas.

- É qualquer coisa, não é.
- O quê?
- Happenstance. Jack - o dono da loja - reconstruiu-o. É um barco impressionante. Um dos mais bonitos que já vi, agora que já está acabado.
- Ele está aqui? Jack, quero dizer.
- Não, está lá em baixo nas docas. Ele só aparece por aqui lá para o fim da manhã.
- Oh...
- Posso ajudá-la a encontrar qualquer coisa? Sei que a loja está um pouco desarrumada, mas tudo o que precisa para fazer mergulho pode encontrar aqui.

Ela abanou a cabeça.

- Não, obrigada, na verdade estava só dando uma volta.
- Está bem, mas se puder ajudá-la a encontrar alguma coisa, chame-me.
- Com certeza - disse ela, e o jovem acenou bem-disposto com a cabeça, depois voltou-se e dirigiu-se para o balcão na parte da frente da loja. Antes que ela pudesse conter as palavras, ouviu-se perguntar:

- Disse que Jack estava nas docas?

Ele voltou-se de novo e continuou a andar para trás enquanto falava.

- Sim, a dois quarteirões daqui pela estrada. Na marina. Sabe onde fica?
- Acho que passei por lá quando vinha para ca.
- Ele deve estar por lá mais uma hora ou coisa assim. Quer que deixe uma mensagem?
- Não, não é preciso. Não é assim tão importante.

Passou os três minutos seguintes fingindo examinar diferentes artigos nas prateleiras, depois saiu porta fora despedindo-se com um aceno ao jovem. Mas em vez de ir para o carro, tomou a direção da marina.


Quando chegou à marina, olhou em volta, esperando ver o Happenstance. Encontrou-o facilmente uma vez que a grande maioria dos barcos era branca e o Happenstance de madeira natural. Encaminhou-se então para a devida rampa.

Embora se sentisse nervosa quando começou a descer a rampa, os artigos na loja tinham-lhe dado algumas ideias sobre o que conversar. Quando o encontrasse, ela explicaria simplesmente que depois de ler o artigo sobre o Happenstance, quisera vir ver o barco de perto. Iria parecer confiavel, e com sorte poderia conseguir uma conversa mais longa. Então, claro, ficaria já com uma ideia de como ele era em pessoa. E depois disso... bem, depois veria.

à medida que se aproximava do barco, porém, a primeira coisa em que reparou foi que ninguém parecia estar por perto. Não havia ninguém a bordo, não havia ninguém nas docas, e parecia que ninguém ali estivera durante a manhã inteira. O barco encontrava-se com a vela coberta, e nada parecia fora do lugar. Depois de olhar em volta à procura de um sinal dele, verificou o nome na popa. Era de fato Happenstance. Afastou para o lado algum cabelo que o vento lhe atirara à cara, enquanto ponderava sobre o assunto. Estranho, pensou, o homem na loja dissera-lhe que ele estaria ali.


Em vez de voltar imediatamente para a loja, ela demorou-se um momento para apreciar o barco. Era muito bonito e bem constituído, ao contrário dos que o rodeavam. Tinha muito mais caráter do que os outros barcos à vela atracados a seu lado, e ela percebeu porque é que o jornal fizera uma reportagem sobre ele. De certa maneira, lembrava-lhe uma versão muito pequena dos navios de piratas que ela tinha visto no cinema. Decidiu por ir a Island Diving um pouco mais tarde. Era evidente que o homem da loja estava enganado. Depois de um último relance ao barco, voltou-se para se ir embora.

Um homem encontrava-se na rampa a alguns metros de distância, observando-a com atenção.

Jack...

Transpirava devido ao calor da manhã, e tinha a camisa encharcada nalguns lugares. As mangas tinham sido rasgadas, revelando músculos firmes nos braços e antebraços. As mãos estavam pretas com o que parecia ser óleo, e o relógio de mergulhador que trazia no pulso parecia riscado, como se o usasse há anos. Vestia calções castanhos-claros, calçava mocassins sem meias e tinha o aspecto de alguém que passava a maior parte do seu tempo, se não todo o tempo, perto do oceano.

Ele observou-a quando ela deu, involuntariamente, um passo para trás.

- Posso ajudá-la em alguma coisa? - perguntou. Ele sorriu mas não se aproximou dela, como se receasse que ela se sentisse encurralada. Foi exatamente como ela se sentiu quando os seus olhos se encontraram.

Durante um momento tudo o que ela foi capaz de fazer foi olhar para ele. Apesar de o ter visto numa fotografia, ele era mais bonito do que esperava, embora não soubesse ao certo porquê. Era alto e tinha ombros largos. Os olhos eram de tonalidade castanho-esverdeados e pareciam hipnotiza-la havia nele certamente algo de cativante. Algo de masculino no seu porte perante ela. Sentiu as pernas bambas.


Lembrando-se do seu plano, respirou fundo. Acenou em direção ao Happenstance.

- Estava apenas admirando o seu barco. É mesmo belo. Esfregando as mãos uma na outra para remover algum do óleo em excesso, ele disse cortesmente:

- Obrigado, é muito gentil da sua parte.

O olhar fixo dele a deixava tonta e subitamente tudo lhe veio à cabeça de uma só vez - encontrar a garrafa, a sua crescente curiosidade, a investigação que tinha feito, a sua viagem a Wilmington, e finalmente aquele encontro, cara a cara. Aturdida, ela fechou os olhos e tentado se controlar. De certo modo não esperara que aquilo acontecesse tão depressa. Sentiu de repente um momento de terror puro.

Ele deu um pequeno passo em frente.

- Sente-se bem? - perguntou numa voz preocupada.

Respirando fundo novamente e esforçando-se por se descontrair, ela disse:

- Sim, acho que sim. Foi só uma pequena tontura.

- Tem certeza?

Ela passou a mão pelo cabelo, envergonhada.

- Sim. Estou bem agora, Sério.

- Ainda bem - disse ele, como se esperando para ver se ela dizia a verdade. Em seguida, perguntou com curiosidade. - Já nos conhecemos?

Kate abanou lentamente a cabeça.

- Acho que não.

- Então como é que sabia que o barco era meu?

Aliviada, ela respondeu:

- Oh... vi a sua fotografia na loja, nos artigos na parede, com as fotografias do barco. O rapaz lá na loja disse que estaria aqui, e eu pensei que deveria ver com os meus próprios olhos.

- Ele disse que eu estava aqui?

Ela fez uma pausa enquanto se lembrava das palavras exatas.

- Na verdade, ele disse-me que você estava nas docas. Eu apenas supus que isso quereria dizer que você estava aqui.

Ele acenou com a cabeça.

- Estava no outro barco, o que usamos para o mergulho.

Um pequeno barco de pesca fez soar a sua sirene, e Jack voltou-se e acenou para o homem que estava no convés. Depois do barco ter passado, ele olhou de novo para ela e ficou admirado com a sua beleza. Parecia ainda mais bonita vista de perto do que quando a tinha visto do outro lado da marina. Num impulso, ele baixou o olhar e estendeu a mão para tirar o lenço vermelho que trazia no bolso de trás das calças. Limpou o suor da testa.

- Fez um belo trabalho de restauração - disse Kate.

Ele sorriu vagamente enquanto guardava o lenço.

- Obrigado, é gentil da sua parte.

Kate olhava para o Happenstance enquanto falava, depois olhou de novo para ele.

- Eu sei que não tenho nada a ver com isso - disse casualmente -, mas já que está aqui, importa-se que lhe faça algumas perguntas sobre ele?

Ela pôde perceber pela expressão dele que não era a primeira vez que lhe pediam para falar sobre o barco.

- O que é que gostaria de saber?

Ela fez o seu melhor para manter um tom de conversa.

- Bem, estava assim em tão mau estado quando o comprou como sugere o artigo?

- Na verdade estava pior. - Ele deu um passo em frente e apontou para os vários pontos do barco à medida que se ia referindo a eles. - A maior parte da madeira junto à proa tinha apodrecido, havia uma série de rombos nos lados - era um milagre ele ainda flutuar. Acabamos por ter de substituir grande parte do casco e do convés, e o que restou dele teve de ser lixado completamente e depois vedado e envernizado de novo. E isso foi só a parte de fora. Também tivemos de fazer a parte de dentro, e isso levou muito mais tempo.

Embora ela tivesse reparado que ele usara o plural na sua resposta, decidiu não fazer qualquer comentário sobre o fato.

- Deve ter sido muito trabalhoso.

Ela sorriu quando falou, e Jack sentiu algo como um soco no estomago. "Damn it!, ela é bela."

- Foi, mas valeu a pena. É mais divertido velejar nele do que nos outros barcos.

- Porquê?

- Porque foi construído por pessoas que o usavam como modo de ganhar a vida. Puseram muito cuidado e dedicação na sua construção, e isso torna a navegação muito mais fácil.

- Suponho que já saiba velejar há muito tempo.

- Desde criança.

Ela acenou com a cabeça. Depois de uma breve pausa, deu um pequeno passo em direção ao barco.

- Importa-se?

Ele abanou a cabeça.

- Não, esteja à vontade.

Kate aproximou-se do barco e passou as mãos ao longo do flanco do casco. Jack reparou que ela não usava aliança, embora isso não devesse ter qualquer importância. Sem se voltar, Kate perguntou:

- Que tipo de madeira é esta?

- Mogno.

- O barco todo?

- A maior parte. Tirando os mastros e parte do interior. Ela acenou de novo com a cabeça, e Jack observou-a a caminhar ao lado do Happenstance. à medida que ela se afastava, ele não podia deixar de notar a sua figura e como o seu cabelo liso e escuro roçava os ombros em pequenos cachos. Mas não era apenas a aparência dela que lhe chamava a atenção - havia confiança na maneira como ela se movimentava. Era como se ela soubesse exatamente o que os homens pensavam quando ela estava perto deles, percebeu ele subitamente. Abanou a cabeça.

- É mesmo verdade que usaram este barco para espiar os alemães na Segunda Guerra Mundial? - perguntou ela, voltando-se para ele.

Ele soltou um riso abafado, fazendo o seu melhor para pôr a cabeça no lugar.

- Isso foi o que o anterior proprietário me disse, mas não sei se era verdade ou se o disse para conseguir um preço mais alto.

- Bem, mesmo que não tenha sido, ainda assim é um belo barco. Quanto tempo levou para restaurá-lo?

- Quase um ano.

- Em que barco andava enquanto restaurava o Happenstance?

- Não andávamos. Não havia tempo suficiente, não com o trabalho na loja, dar aulas, e tentar arranjar o barco.

- você sentiu-se mal por não poder velejar? - disse ela com um sorriso.

Pela primeira vez, Jack percebeu que estava divertindo-se com a conversa.

- Claro. Mas tudo ficou bem logo que acabamos e o lançamos ao mar.

De novo, ela ouviu-o usar o plural.

- Acredito.

Depois de admirar o barco durante mais alguns segundos, voltou para junto dele. Por um instante, nenhum dos dois falou. Jack perguntava a si mesmo se ela sabia que ele a observava de soslaio.

- Bem - disse ela por fim, cruzando os braços. - Já tomei muito do seu tempo.

- Não faz mal - disse ele, e sentiu mais uma vez o suor na testa. - Adoro falar sobre velejar.

- Também gostaria. Sempre me pareceu divertido.

- Acho que nunca andou de barco à vela.

Ela encolheu os ombros.

- Nunca. Sempre quis fazê-lo, mas na verdade nunca tive a oportunidade.

Ela olhou para ele enquanto falava, e quando os seus olhos se cruzaram, Jack deu por si à procura do seu lenço pela segunda vez em poucos minutos. "Caramba, está calor aqui." Limpou a testa e ouviu as palavras saírem da sua boca antes que as pudesse deter.


- Bem, se quiser vir, eu normalmente saio para o mar depois do trabalho. Se quiser, terei muito gosto em que me acompanhe esta tarde.

Porque teria dito ele aquilo, não sabia ao certo. Talvez, pensou ele, o desejo de uma companhia feminina depois de todos aqueles anos, mesmo só por um curto período de tempo. Ou talvez tivesse alguma coisa a ver com a maneira como os olhos dela se iluminavam sempre que ela falava. Mas qualquer que fosse a razão, ele acabara de convidar-la e nada poderia alterar esse fato.

Kate também ficou um pouco surpreendida, mas decidiu logo aceitar. Era aquela, afinal, a razão porque viera a Wilmington.

- Adoraria - disse ela. - A que horas?

Ele guardou o lenço, sentindo-se um pouco desconcertado com o que acabara de fazer.

- Que tal sete horas? O Sol começa a pôr-se então, e é a hora ideal para sair.

- Sete horas está ótimo para mim. Trago alguma coisa para comermos. - Para surpresa de Jack, ela parecia ao mesmo tempo satisfeita e entusiasmada com a perspectiva.

- Não tem de fazer isso.

- Eu sei, mas é o mínimo que posso fazer. Afinal, não tinha que me convidar. Podem ser sanduíches?

Jack deu um pequeno passo atrás, subitamente precisando de um pequeno espaço para respirar.

- Sim, ótimo. Não sou assim tão exigente.

- Muito bem - disse ela, depois fez uma breve pausa. Transferiu o seu peso de um pé para o outro, esperando para ver se ele dizia mais alguma coisa. Como ele nada disse, ela ajustou distraidamente a alça da bolsa no ombro. - Bem, encontramo-nos então logo à tarde. Aqui no barco, certo?

- Aqui mesmo - disse ele, e apercebeu-se de como soava tão tenso. Pigarreou e sorriu um pouco.


- Vai ser divertido. Vai gostar.

- Tenho certeza que sim. Até logo.

Ela voltou-se e começou a andar e o seu cabelo voou com a brisa. Estava afastando-se quando Jack percebeu do que se esquecera.

- Ei! - gritou.

Ela parou e voltou-se para ele, usando a mão para proteger os olhos do sol.

- Sim?

Mesmo à distância ela era bonita. Ele deu alguns passos na direção dela.

- Esqueci de perguntar: como é que se chama?

- Sou Kate. Kate Austen.

- Jack Shepard.

- Muito bem, Jack. Até às sete.

Com isto, deu meia volta e encaminhou-se ligeira para fora das docas. Jack observou a figura dela desaparecer, tentando compreender as suas próprias emoções contraditórias. Embora uma parte dele se sentisse entusiasmada com o que acabara de acontecer, a outra parte achava que havia algo de errado naquilo tudo. Sabia que não havia qualquer razão para se sentir culpado, mas a sensação estava decididamente presente, e desejava que houvesse alguma coisa que pudesse fazer em relação a isso.

Mas não havia, claro. Nunca havia.



CONTINUA...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

LOST - Season 4

Quarta temporada de Lost será lançada quinzenalmente nas locadoras
Discos terão dois episódios cada



E isso mesmo... os fas que nao acompanham LOST pelo AXN ou mesmo baixando na internet estao ficando muito sortudos!!!



A partir do fim do mês uma ótima opção: poderá alugar os episódios nas locadoras de DVD.
A quarta temporada do programa terá lançados discos com dois episódios cada (aproximadamente 90 minutos, o que equivale a um filme).


Dia 23 de abril chega o primeiro e a cada 15 dias chegará mais um, num total de seis DVDs.

Os demais discos têm lançamento nos dias 7 de maio, 21 de maio, 4 de junho, 18 de junho e 2 de julho, somando os 13 episódios da temporada.

Para nos, ratos de internet...somente resta esperar o dia 24 de abril quando teremos o 409 disponivel.


Fonte: Omelete .


Desejo de Ervilha...


Com essa novidade seria possivel prever quando teremos o box da S4 nas lojas? Tudo indica que ha boas chances disso acontecer entre julho e agosto...


e entao, o que voces acham?


Bjs =)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

I Wanna a Lifetime - One-shot Fic Parte 1

Assistir um episodio como Eggtown, mexe com nossos brios Jates.


Como a ABC vem nos congelando em relacao a momentos perfeitos do nosso casal - OTP 4ever! - decidi escrever uma pequena fic pra estravasar meu desejo jate...e claro espero que voces tambem gostem!


Recomendacoes : A musica da parte 2 deve ser ouvida durante a leitura...ela compoe a cena. Essa fic e NC-17 um pouco mais pesada...tenham consciencia ao ler!



Fic Post - Eggtown

Disclaimer: Depois da absolvição no julgamento, um reencontro entre Jack e Kate trás à tona sentimentos escondidos.


Fic no futuro - considerando apenas o tempo do episodio em questão.NC-17 be careful!!! Se voce nao tem idade,pls nao leia!

Have Fun! =)



I Wanna a Lifetime



Jack observava o táxi tomar distancia enquanto perdia-se em pensamentos.


A 3 dias atrás quando recebeu o telefonema do advogado de Kate pedindo para testemunhar a seu favor, Jack não titubeara - E claro! foi a sua resposta.


Porem, desde então ele não conseguia se concentrar em mais nada. Os dias passados na ilha afloraram em sua mente como um flashback...cada momento vivido entre eles desde a primeira vez que a viu.

"I don't know your name."
"Are you all right?"
"Are you checking me out?"
"I can see you there,you know"
"What is a garden without guava"
"You know where to find me"
"The hug"
"A imagem dela enrolada na toalha"
"A aposta de golf"
"O beijo"
"A rede - seus corpos se tocando"
"A sala de vidros - o reencontro"
"I can't leave without you!"
"A jaula - a decepcao"
"You fix her"
"O resgate - I didn't think you meant it!"
"But I will come back here for you"
"Because I love you"

Ele continuava parado no estacionamento e com a ultima frase dita por ela na mente:

"Until you wanted to,there's no you and me going for coffee..."

Lentamente ele dirigiu sem rumo. Quando ele iria deixar de bancar o mártir,eximir-se da culpa e ser feliz? Porque não aceitava esquecer, virar a pagina?
As lembranças do seu ultimo dia na ilha estavam marcadas.

FB

Numa disputa de poder,Jack tentava conter Miles e Locke que estavam dispostos a impedir qualquer saída da ilha. Socos,pontapés e rasteiras eram distribuídos entre eles.


Kate tentava ajudar Jack a acabar com o desentendimento entre eles.


De repente, Miles puxa uma arma e mira em Jack.Ao perceber, Kate joga o corpo sobre Miles desviando a direção do tiro.


Um grito.


Claire estava no chão.A bala atingira o estomago.


Sangue.


Jack correu ate ela,tentava o que podia para salvá-la mas era quase impossível.Tudo acontecia muito rápido. Com as forcas que lhe restavam,Claire pediu a Kate que cuidasse de Aaron como se fosse a mãe dele, que o tirasse daquela ilha.


Kate não sabia o que dizer "eu? com uma criança?"


Antes de Claire morrer, Ben faz uma revelação bombástica:


"E irônico que você tenha me salvado e não foi capaz de salvar a sua própria irmã."


Jack voou pra cima dele e enfiou um soco nas ventas dele.


"Jack..." essa foi a ultima vez que Claire falou.


Ela morreu e Jack apenas acreditou quando Juliet confirmou a verdade. Arrasado, desde então ele vivia com a culpa e ver o sobrinho era como aceitar seu atestado de incompetência,doía muito.

Ao parar no sinal, ele fechou os olhos e a única imagem que viu foi o sorriso da mulher amada.


Casa da Kate

19hs


Kate estava embalando Aaron tentando fazê-lo dormir. Cantava baixinho:

"You are my sunshine,

my only sunshine

you make me happy

when skies are grey

you never know dear

how much I love you

so please don't take my sunshine away"

Enquanto ouvia a própria voz, de olhos fechados,Kate tinha apenas uma imagem na sua mente: Jack...

Percebendo que o bebe dormia a sono solto,colocou-o no berço e decidiu tomar um banho.


Já de molho na banheira,ela relaxou pela primeira vez apos muito tempo.Finalmente poderia virar a pagina daquele momento sombrio da sua vida, podia se dizer livre de certa forma.


Estava feliz com a decisão mas então porque não se sentia plena? Porque a dor no peito ainda persistia?


Ok,ela sabia a resposta e optou por não fazer nada.


Quem tinha assuntos pendentes era ele.Cabia a Jack aceitar o que a vida fez com ele e decidir seguir em frente,só então ela iria interferir afinal já deixara a porta aberta.

30 minutos depois...

A campainha tocava insistentemente. Kate estava vestindo a camisola ainda de cabelo molhado. Agarrou o roupão verde de seda e descia as escadas resmungando por ter dispensado a baba essa noite.


-Já vai!

Ao abrir a porta não poderia ter demonstrado maior surpresa.


Ali a sua frente estava Jack com a mesma jaqueta daquela tarde que a deixou em conflito, louca para senti-lo perto de si. "Deus, como ele e lindo..."

-Hey...

-Hey yourself...entra.

Kate não conseguia segurar o sorriso.

-Seja bem-vindo! Ela indicou o sofá a ele.

Jack reparara que ela estava de roupão e os cachinhos caiam sobre os ombros.A vontade que tinha era de agarrá-la ali mesmo. Conteve-se.

-Então e aqui que você mora.

-Sim, meu lar. Meu e do meu garotinho...


Ela pode ver o olhar de tristeza dele ao mencionar essas palavras e por um momento quase se arrependeu de ter dito.Percebeu ele desviando o olhar e tentou quebrar o gelo.

-Quer beber alguma coisa? Café,suco,vinho...eu gostaria de beber uma taca com alguém especialmente depois de hoje. " Kate o que você esta fazendo? isso e perigoso..."

-Então eu bebo com prazer. Sorriu.

Ela foi rapidamente para a cozinha. Retirou duas tacas do armário e apoiou as mãos no balcão suspirando."ele realmente esta aqui. o que eu vou fazer pra me controlar?"


Sabia que essa era a sua chance de dar um rumo pra esse dilema.Tê-lo ali na sua casa tão cedo...realmente não esperava...estar próximo a ele provocava nela sensações diversas, medo de ser rejeitada, desejo de senti-lo perto de si, ansiedade por um beijo, um misto de prazer que era capaz de tirá-la do serio.


"Concentre-se,Kate. Essa e a hora da verdade.Flerte e descubra tudo que precisa saber."

Com o vinho na mão voltou à sala.


Jack estava de pe observando um porta-retrato.


Nele, Kate sorria segurando Aaron.


O moleque tinha traços da mãe e mesmo não querendo admitir, ele podia ver o gene dos Shepards no seu rosto.

Kate ficou a seu lado estendendo o copo de vinho tinto. ele sugeriu o brinde.

-A sua liberdade!

-A um novo começo...sorveu o liquido.

-Essa foto foi tirada no aniversario de um ano...

Ele desviou o olhar para as escadas.Kate decidiu arriscar.

-O que veio fazer aqui,Jack?

-Você disse que poderia vir...

-Eu disse mas com uma condição...

-Kate...please!

-Ele esta lá em cima, caso não queira subir, ou não se sinta pronto então...

Ele a segurou pelos braços, seus rostos quase se tocando.

-Kate me escuta...não posso esquecer...

-Jack eu não quero que esqueça, eu não pedi isso...eu quero que siga em frente, que aceite o fato, que aceite o seu sobrinho...ele e seu sangue! Faca por ele o que você não pode fazer pela Claire.

Jack a soltou.Estava confuso.Viera ate ali para mudar o rumo da sua vida mas aquelas palavras eram duras...Kate estava certa, ele precisava disso...

Ela sabia que tinha mexido com ele,aberto a ferida.Mas nada a faria desistir...

-Venha vê-lo...dizendo isso ela segurou a mão dele... sentia falta desse toque...ele relutou enquanto ela o puxava ate a escada.Ela o olhou fixamente.

-Se você não pode fazer isso por ela, Faca por mim...

Havia no seu semblante,um olhar terno de mãe. Jack não podia resistir aquele olhar.


Silenciosamente eles chegaram ate o quarto de Aaron.

Kate abriu o cortinado para facilitar a visão dele.


Aaron dormia tranqüilo. Ela passou a mão suavemente pela cabeça do filho, sim, seu filho.

-Ele me lembra você...teimoso feito uma mula.

Jack deixou escapar um sorriso. Ele estava admirado de ver esse lado desconhecido de Kate.Ela parecia alheia a tudo quando mantinha os olhos sobre o bebe. Ela parecia completa e mais linda do que nunca.


-Ele e meu filho, Jack.Eu o amo tanto...

-Porque Kate? Você não o gerou...

-Não importa...eu o amo como se tivesse...quando a Claire pediu para tomar conta dele eu não me sentia preparada, cheguei a achar que era loucura dela, mas no fundo acredito que ela sabia o que estava fazendo. Ele e a melhor lembrança que tenho de amor...ele e um pedacinho de você...

As palavras foram ditas sem propósito,apenas saiam expondo a verdade tão antes escondida.

Ele a olhava intensamente e tocou a sua mão.Kate tinha os olhos cheios de lagrimas. Ela segurou a mão dele e a guiou ate o rosto de Aaron.

-Pense em mim, toque nele como você me tocava quando queria me proteger...transfira o seu amor Jack...


Ele parecia hipnotizado pela voz dela.E pela primeira vez em muito tempo,Jack sentiu o coração amansar ao tocar o sobrinho.Kate viu uma lagrima rolar pelo rosto dele.

Ela gentilmente tirou o menino do berço e colocou no colo dele. Jack finalmente rendeu-se e chorou.


"Deus como amo esse homem...jamais pensei encontrar um ser humano tão cheio de medos e tão perfeito...do it Kate!"

Ela aproximou-se dele e os abraçou, olhares cúmplices foram trocados. Ficaram assim por alguns minutos ate que Aaron se mexeu quase despertando.

-Shhhh...


Ela pegou-o nos braços acalentando ate colocá-lo no berço novamente.Ele cobriu o menino e a abraçou murmurando

-Obrigado...

Segurando ainda a mão dele, ela o conduziu para fora do quarto. Tinha certeza do seu próximo passo.



CONTINUA...

I Wanna a Lifetime - One-shot Fic Parte 2

Parte 2

ATENTION !!! NC-17 - CUIDADO...por sua conta e risco =)



Trilha sonora: If walls could talk (Celine Dion) - indispensavel



http://br.youtube.com/watch?v=Gw8NC7CwIKY





Ela parou no meio do corredor. A porta do seu quarto ficava ao final dele. Ele vinha de cabeça baixa, pensativo como se estivesse escolhendo o próximo movimento a ser feito. Ela pos a mão no queixo dele fazendo-o olhar para ela.

- Tudo bem?


Ele balançou a cabeça em afirmação. Contornou o rosto dela com a ponta dos dedos. Kate fechou os olhos.


- O que eu te disse hoje, significou alguma coisa pra você?


- No tribunal? Fez-se de desentendida. Queria vê-lo repetir.


- Não. No estacionamento.


- Qual parte? O convite pro café? Acho que já te disse – there’s no you and me going for coffee...


- Kate, não. Estou falando da parte que disse não te amar mais.


Era a hora da verdade.


- O que você quer Jack?


O olhar dela era a expressão do que ela esperava ouvir naquele momento. Seu único pensamento era “Jack por favor não me decepcione...”


- Você.


- Só a mim? E isso?


Ele sabia o que ela tinha em mente. Ele já errara demais e dessa vez não ia perder talvez a ultima chance de ser feliz.


- Não, quero você e sua vida, seu amor, seu presente, passado e futuro. Você sabe que eu te amo...sempre soube. Mas eu não sei Kate...Você nunca me disse...Você sabe o que quer,Kate?


Ela sorriu.


- Yes, I wanna a lifetime.


E seus lábios finalmente se encontraram. Todo o sentimento guardado durante tanto tempo estava presente naquele beijo. Bocas que se exploram, línguas que procuram, lábios que deixam escapar pequenos gemidos de tesão.


Ele a puxava mais para si querendo sentir a reação do corpo dela. Kate tinha as mãos no rosto dele como se o simples ato de largá-lo pudesse levá-lo para longe novamente. Escorregou as mãos por fim ate a jaqueta e jogou-a no chão.


Jack agora beijava sua nuca descendo a caminho dos seios. Ela esta tão cheirosa...ela afastou a cabeça para trás dando a ele abertura. O contato dos lábios dele na sua pele a arrepiava. Já podia sentir o quanto ele estava excitado. Ela também estava. Ele voltou a beijá-la com paixão.


Quase sem ar, eles quebraram o beijo. Mantinham o olhar fixo um no outro e Kate pode ver o desejo nos olhos do homem a sua frente, mas do que isso via o amor.

O coração batia descompassado, podia sentir ao deslizar as mãos pelo tórax dele. Mordiscando a orelha dele, por fim sussurrou:


- Make love to me, Jack...


Como ele esperava por aquele momento, o imaginara tantas vezes...ele sabia que devia a ela uma noite inesquecível. Assim, pegou-a em seus braços e a levou em direção ao quarto. Ela tinha os braços ao redor do pescoço dele e continuava entretida nos beijinhos pelo rosto dele.

Jack a colocou de pe e gentilmente tirou o roupão. Seus olhos adoraram o que viam e um sorriso formou-se em seu rosto. A camisola verde de alcinhas era simples e curta deixando boa parte do corpo a amostra.


- Você e a mulher mais linda que já conheci.


Ela corou. Ele a levantou e a deitou sobre a cama. Calmamente, enquanto ela o observava, ele tirava a camisa, a calca e os sapatos ficando apenas de boxer preto.Subiu na cama colocando o peso do seu corpo sobre ela. Seus rostos na mesma altura.


Kate amou a sensação de contato com o corpo dele. Sentiu um perfume masculino exalar no ar.


Ele acariciava seu rosto com um delicado toque das pontas dos dedos, passando pelo cabelo e sentindo os cachinhos nas mãos. Beijou a pontinha do nariz, o queixo e por ultimo a boca. Enquanto a entretia com o beijo, as mãos passeavam pelo corpo dela. Sobre os seios, o estomago, as coxas.


Kate involuntariamente afastara as pernas e levantava uma delas. O que possibilitou a ele acariciar e sentir a pele macia e alva. A boca começou a descer ansiando por explorar outros lugares.


Ainda tinha um obstáculo a ser vencido. E quando ela percebeu, já tinha os braços erguidos e a camisola no chão do quarto.


Jack não tinha pressa. O contato da pele sob pele a fez soltar um gemido.


Ela estava quente.


A boca e a língua dele continuaram o que havia sido interrompido há pouco. A barba apesar de feita, já dava sinais de crescimento e o roçar a sua pele produzia em Kate mais desejo do que já estava sentindo. Não via a hora de Jack tocá-la onde mais queria.


Mas ele a estava provocando.


Ele sugava os mamilos dela com destreza. Um depois outro,tocando e ouvindo o murmúrio que saia da boca de Kate...oh, yes... tinha a intenção de deixá-la delirando de prazer.


Foi descendo bela barriga, umbigo chegando enfim ao seu destino mais procurado. Tirou a calcinha dela devagar. Tocou-lhe o centro colocando seu dedo. O gemido o fez sorrir.


- Jack...


Ele continuou instigando e ouvindo os gemidos. Já não conseguindo agüentar ele desceu sobre ela louco pra sentir seu gosto.
Kate não tinha forcas para contestar. Nem queria. Mal conseguia controlar seus gemidos enquanto Jack a provava. Arqueava o corpo em resposta.


- Please...oh... don’t stop...


Ela não agüentaria mais muito tempo, podia sentir as pequenas ondas se formado e a preenchendo. Ele a estava levando ao delírio. O orgasmo se aproximava. Jack percebera e por isso caprichava em fazer isso acontecer mais depressa.



- Jaaaackkk ...



Ele voltou a usar os dedos para poder admirá-la. A beleza dela estava mais viva agora com o orgasmo.



- Kate...olhe pra mim.



Ela abriu os olhos ainda entorpecida de desejo. Sorriu pra ele.


- Jack, quero você dentro de mim...

Jack voltou a colocar o peso sobre ela, beijou-lhe os lábios apaixonadamente. Ele o abraçava e podia sentir o quanto ela mexia com ele. Precisava tê-lo por inteiro.

- Jack preciso me sentir completa...


Ele então se preparou para penetrá-la e fazia isso bem devagar não queria estragar o momento por nada.


Ao senti-lo dentro de si, ela soltou um grito de prazer. A sensação era incrível e indescritível.


Jack começou a mover-se lentamente com ela. Seu próprio desejo aflorando à medida que intensificava o ritmo. Ele mesmo soltava pequenos gemidos.

A libido estava chegando ao limite. O ritmo aumentava a cada minuto. Ele ditava o ritmo mas seus corpos pareciam ter sido feitos desenhados para se encaixarem perfeitamente.

Ele já sentia que ela iria gozar novamente e aumentou o movimento ainda tentando controlar o seu próprio desejo.

- Diz o que sente Kate...


Ela gemeu novamente. Louca de desejo sim, mas havia algo mais ali.


- Desejo...oh...and



Ele moveu-se mais uma vez.


- And...


- Love...


e não agüentando mais, ela atingiu o clímax. Ele a acompanhou segundos depois. O prazer durou alguns minutos e quando finalmente esgotaram-se permaneceram deitados imóveis sentindo o batimento cardíaco um do outro.



Minutos se passaram ate que Jack deixou seu corpo deslizar para o lado dela. Kate então posou sua cabeça sobre o peito dele. Beijou. Ele mantinha os olhos fechados.


Ela apoiou o queixo no corpo dele e ficou a admirar o homem deitado ao seu lado. A pessoa mais doce e perfeita que já conhecera. Com suas teimosias e seus medos mas simplesmente cativante.


Ela não sabia como conseguiu resistir a esse sentimento por tanto tempo.


Ele abriu os olhos e viu que ela o observava.


- Hey... em que esta pensando?


- Em você. Em tudo que você significa para mim.


- Mesmo? E o que eu significo?


- Everything.


Ele a puxou pra si e beijou-a novamente. Deitada a seu lado, mantinham os rostos próximos colando nariz a nariz.


- Promete uma coisa pra mim Jack?


- O que quiser.


- Promete que vai me amar assim sempre, promete que não vai mais embora e que não vai me fazer sofrer por vê-lo sofrer.


Ele ficou emocionado com a preocupação dela. As lagrimas começavam a se formar nos olhos dele.


- Eu não vou te deixar, Kate. Nunca mais.


- E vai me amar tanto quanto eu te amo?


- Não sei, você não me disse ate hoje o quanto me ama...


- Eu te amo com todas as forcas do meu coração e do meu ser.


Ela deu um selinho nele.


- For the lifetime., Jack ..always.


- Eu também.


E novamente perderam-se num beijo apaixonado.






THE END

Matt e Speed Racer

Ola!

passando rapidinho para divulgar o novo site do filme Speed Racer...

cortesia do Omelete =)

Enjoy!!!

http://www.esurance.com/speed/