sábado, 12 de abril de 2008

INCANCELLABILE - Cap 15 Parte 2

Em algum lugar de LA



Ana entrava na lanhouse com pressa. Apos uma busca frustrada na biblioteca, ela sabia que ali estavam as respostas para algumas de suas perguntas. Ao chegar ao balcao da loja, jogou sobre a mesa um mandato.


- FBI. Precisamos revistar seus computadores.


- O que? O gordinho ficara nervoso. - Ta, tudo bem disse com a voz tremula.


- E so pra constar, eu...eu nao fiz nada!


- Ta, entendi qual a senha do adminstrador da rede?


Ele abaixou-se e pegou um dispositivo estendendo a Ana Lucia juntamente com um papel.Ela entregou para o Agente Wilson. Olhou ao redor da lanhouse, percebendo cameras.

- As cameras funcionam?


- Sim, quer ver?


- Quero os registros entre os dias 15 a 18 de outubro.


- Sim senhora.


Ana o acompanhou enquanto seu colega fucava os computadores a procura de pistas.



Paris


Era tarde da noite quando Cassidy sentiu-se novamente enjoada. Aproveitando que Sawyer dormia pesadamente, levantou-se e foi para o banheiro levando a pequena bolsa. Sentou-se no vaso e tirou um teste de gravidez de farmacia.

Era a hora da verdade. Seguiu as instrucoes.O frasco estava a sua frente com o liquido esperando completar o tempo, os segundos pareciam horas. Consultou o relogio novamente. Suspirou e retirou o objeto do frasco.


Uma linha rosa. Positivo. E agora?



San Sebastian
13hs


Desmond estava fazendo a ronda e avisou para a enfermeira preparar uma coleta de sangue para um exame completo da paciente do quarto 408. Pediu que o acompanhasse com um kit de curativos tambem. Ela e o interno seguirao o cirurgiao.

- Boa tarde! Bom ve-la acordada finalmente Srta Austen.


Kate estava sentada na cama com Jack ao seu lado, as maos continuavam juntas.


- Que tal fazermos as devidas apresentacoes? Mas primeiro vamos tirar um pouco de sangue para examinar ok?

- Humhum...

A enfermeira realizou a tarefa rapidamente. O interno comecou a retirar o curativo da coxa dela quando Desmond voltou a falar:

- Sou o Dr. Desmond Hume, neuro-cirurgiao que operou voce. Vejo que fiz um bom trabalho.

- Acho que sim. Prazer, Kate Austen mas voce ja sabe disso. Ela sorriu.

- Aqui entre nos, esse cara ai do seu lado tava morrendo de medo, nao saiu do seu lado quando voce estava em coma. Ah, depois que voce sair desse hospital pode me charmar de Des...certo brotha?

- Certo.


- E um prazer finalmente conhecer voce, Kate.

Ele foi observar o que o interno fazia. A coxa dela estava melhorando mas ainda precisava dos antibioticos.

- Se tudo correr bem e a dose de antibioticos for eficaz daqui a 2 dias tiramos esses pontos.

- E o ombro? perguntou Kate.

- Ah, depois do resultado do exame de sangue vou marcar uma nova tomografia para voce para certificarmos que tudo voltou ao normal. So que nada de tiramos os pontos antes da semana que vem, mocinha.

Ela sorriu.


- Isso significa que deixarei o hospital em breve?


- Se voce cooperar com a recuperacao talvez em 3 dias ja possa te dar alta. Mas nao pense que ja acabou assim tao facil. A sua recuperacao continuara em casa. Tenho que ir dentro de duas horas volto para levar voce a tomografia.

Deixou o quarto.

- Gostei dele!

- Ele e otimo mesmo, voce tambem vai adorar a Penny, a esposa dele.

Naquela tarde Kate foi levada a tomografia por Desmond. Jack aproveitou para ir ate seu apartamento. O exame revelou que nao havia nenhum risco nem nesmo sequelas no cerebro de Kate. Alguma fisioterapia e o ombro ficaria novinho em folha.

Ao voltar para o quarto, Kate percebeu que Juliet a aguardava.


Passado o momento estranho entre elas, Juliet acabou quebrando o gelo e deixando Kate a vontade. Durante pelo menos uma hora elas conversaram e Kate finalmente conseguiu ficar aliviada ao saber que Juliet morava em Miami e estava noiva.


17h


- Ana? Vem aqui.

Ana deixou as fitas de vigilancia de lado e foi ate o computador que Wilson estava.

- Aqui. Foi esse o computador que acessou o terminal do banco, veja nessa linha a tranferencia de Los Angeles para NY na senha de James Ford.

- So que ate agora nem sinal dele nas fitas...

- Ah, mas ai esta o pulo do gato! O movimento entre contas ocorreu por volta de 7 e meia da noite e nao foi Sawyer que acessou o terminal.

- Nao? E a mesma hora do suposto assalto. Voce sabe quem foi o responsavel?

- A responsavel...se chama Cassidy Smith...foi burra o suficiente para acessar a conta do msn.

Ana voltou correndo para a sala com as fitas, enquanto revia a fita da data correta, acessava a rede do FBI procurando pela tal de Cassidy.



CONTINUA...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

As Palavras que Nunca Te Direi - Cap 7

Capitulo 7


- E depois o que aconteceu?
- Não aconteceu nada. Ela meteu-se no carro e foi embora.

Enrolando o primeiro da dúzia de cigarros que fumava por dia, Chris Shepard olhava para o filho.

- Bem, isso é um desperdício, não achas?

Jack ficou surpreendido com a franqueza dele.

- Não, pai, não foi um desperdício. Eu me diverti ontem à noite. Ela era boa na conversa , e gostei da companhia.
- Mas não vais voltar a vê-la.

Jack bebeu um gole de café e abanou a cabeça.


- Duvido. Como disse, ela está aqui de férias.
- Por quanto tempo?
- Não sei. Não perguntei.
- Porque não?
- Porque é que está tão interessado? Eu saí para dar um passeio de barco com uma pessoa e passei uma noite agradável Não há muito mais que possa contar sobre o assunto.
- Claro que há.
- Como o quê?
- Como se gostaste do encontro o suficiente para começares a ver outras pessoas de novo.

Jack mexeu o seu café pensando. Então era isso. Embora tivesse habituado aos interrogatórios do pai ao longo dos anos, não estava com disposição para falar dessas coisas naquele momento.

- Pai, já falámos nisso antes.
- Eu sei, mas estou preocupado contigo. Passas muito tempo sozinho ultimamente.
- Não, não passo.
- Passas - disse o pai com uma ternura surpreendente - passas sim.
- Não quero discutir o assunto, pai.
- Eu também não. já tentei, e não funciona. - Ele sorriu e depois de um momento de silêncio,


Chris Shepard tentou outra abordagem.

- Então, como era ela?

Jack pensou durante um momento. Involuntariamente, tinha pensado muito nela antes de finalmente se deitar na noite anterior.

- Kate? Ela é atraente e inteligente. Cheia de charme, também, à sua maneira.
- É solteira?
- Sim. Está divorciada, e revelou que não tinha alguém especial.

Chris estudava a expressão do filho com atenção enquanto Jack respondia. Quando ele terminou, debruçou-se novamente sobre o café.

- Gostaste dela, não?
Olhando o pai nos olhos, Jack sabia que não podia esconder a verdade.

- Sim, gostei. Mas como disse, provavelmente não voltarei a vê-la. Não sei onde está instalada, e tanto quanto posso imaginar, até pode ter ido embora hoje.

O pai observou-o em silêncio por um momento antes de fazer a pergunta seguinte com cuidado.

- Mas se ela ainda estivesse e tu soubesses onde ela estava, achas que a verias de novo?

Jack desviou o olhar sem responder, e Chris debruçou-se sobre a mesa pegando no braço do filho. Mesmo aos sessenta anos as suas mãos eram fortes, e Jack sentiu-o a aplicar apenas a pressão suficiente para conseguir a sua atenção.

- Filho, já vão três anos. Eu sei que a amavas, mas tens de esquecer agora. Tu sabes isso, não sabes? Tens de ser capaz de esquecer.

Ele demorou algum tempo a responder.

- Eu sei, pai. Mas não é assim tão fácil.
- Nada que valha a pena é fácil. Lembre-se disso.


Acabaram de tomar café alguns minutos depois. Jack atirou alguns dólares para cima da mesa e seguiu o pai para fora do restaurante, em direção ao carro no estacionamento. Quando Jack finalmente chegou à loja, a mente borbulhava uma dúzia de coisas diferentes. Incapaz de se concentrar no trabalho de escritório , decidiu voltar às docas para acabar de arrumar o motor que começara consertar no dia anterior.

Jack tirou a caixa de ferramentas da parte de trás do carro e levou-a para o barco que usava quando ensinava mergulho. Enquanto trabalhava, pensou na conversa que tivera com o pai. Ele estava certo, claro. Não havia qualquer razão para ele continuar a sentir-se da maneira como se sentia, mas - e Deus era sua testemunha - não sabia como evitá-lo.

No dia anterior por volta daquela hora, lembrou-se, ele vira Kate descer as docas em direção ao Happenstance. Tinha reparado logo nela, nem que fosse por ela estar sozinha. Mulheres como ela quase nunca vinham sozinhas às docas.


Na hora não reparou, mas mais tarde à noite, enquanto arrumava o barco, percebeu que havia algo de estranho na maneira como ela o olhara da primeira vez. Era quase como se ela tivesse reconhecido alguma coisa nele que normalmente ele guardava enterrada bem no seu interior. Mais do que isso, era como se ela soubesse mais dele do que estava disposta a admitir.

Passearam de barco, desfrutaram da companhia um do outro e despediram-se finalmente. E aí terminava o assunto. Como dissera ao pai, não poderia entrar em contato com ela mesmo que quisesse. Naquele momento ela estava provavelmente a caminho de Chicago, ou então voltaria dentro de alguns dias, e ele tinha uma centena de coisas para fazer naquela semana.


O verão era uma época popular para aulas de mergulho, por isso estaria ocupado todos os fins-de-semana até o final de Agosto. Não tinha nem o tempo nem a energia para telefonar para todos os hotéis de Wilmington à procura dela, e mesmo que a encontrasse, que diria ele? Que poderia dizer que não soasse ridículo?

Com estas perguntas na sua mente, continuou a trabalhar no motor. Contente por ter levado menos tempo do que pensara necessário, recolheu as ferramentas, levou-as de volta para o carro voltando até Island Diving.


Um pouco antes das onze, acabou de fazer quase tudo o que precisava dirigindo-se para a parte da frente da loja. Ian, um dos seus empregados de verão, estava ao telefone quando Jack apareceu e entregou-lhe três post-its. Dois eram de distribuidores, e segundo as curtas mensagens rabiscadas, parecia que tinha havido uma trapalhada qualquer com algumas das encomendas que tinham feito recentemente. Outra coisa que era preciso resolver, pensou, dirigindo-se de volta para o escritório.


Jack leu a terceira mensagem enquanto caminhava e parou quando percebeu de quem era. Certificando-se de que não era um engano, entrou no escritório e fechou a porta atrás de si. Ligou o número e pediu a extensão correspondente.
Kate Austen lia o jornal quando o telefone tocou.

- Olá, Kate, e o Jack. Você telefonou?

Ela parecia contente com o seu telefonema.

- Oh, olá, Jack. Obrigada por retornar a ligacao. Tudo bem?


Ouvir a sua voz trazia de volta recordações da noite anterior. Sorrindo para consigo mesmo, tentava imaginar como ela estaria no seu quarto de hotel.

- Estou bem, obrigado. Estava trabalhando no escritório e recebi a sua mensagem. Que posso fazer por ti?
- Bem, deixei o meu casaco no barco ontem à noite e queria saber se o tinha encontrado.
- Não, não encontrei, mas na verdade não verifiquei assim tão bem as coisas. Deixou-o na cabine?
- Não tenho certeza.

Jack fez uma breve pausa.

- Bem, deixe-me ir até lá para ver. Volto a telefonar se o encontrar ou não.
- Isso não será pedir muito?
- De maneira nenhuma. Devo demorar apenas alguns minutos. Vai estar aí durante um tempo ainda?
- Sim.
- Volto a telefonar.

Jack deixou a loja, encaminhando-se rapidamente para a marina. Depois de subir a bordo do Happenstance, abriu a cabine e entrou. Não encontrando o casaco, voltou-se e olhou para cima para o convés superior, localizando-o por fim junto à popa, meio escondido debaixo de uma das almofadas. Pegou nele, certificou-se de que não estava sujo e depois voltou à loja.
De novo no escritório, rediscou o número. Desta vez Kate atendeu ao primeiro toque.

- É Jack de novo. Encontrei o seu casaco.

Ela parecia aliviada.

- Muito obrigada por ter ido procurá-lo.
- Não tem de quê.

Ela nada disse durante um momento, como se decidisse sobre o que fazer. Finalmente:

- Pode guardá-lo por um instante? Chegarei à sua loja dentro de vinte minutos para busca-lo.
- Com certeza.


Depois de desligar o telefone, ele recostou-se na cadeira, pensando no que acabara de acontecer. Ela ainda não foi embora, pensou ele, e vou poder vê-la de novo. Embora não compreendendo como é que ela poderia ter esquecido do casaco, se apenas trouxera duas ou três coisas, tornou-se perfeitamente claro naquele momento que ele estava mesmo contente por aquilo ter acontecido.

Kate chegou vinte minutos depois, usando shorts e uma blusa sem mangas decotada que lhe realçava maravilhosamente o corpo. Quando entrou na loja, tanto Ian como Jack ficaram olhando para ela. Reparando neles por fim, ela sorriu e chamou de onde se encontrava:

- Olá -, e Ian levantou a sobrancelha para Jack, como se a perguntar "O que é que andas escondendo?" Jack ignorou a expressão e dirigiu-se para Kate com o casaco dela na mão. Ele sabia que Ian iria examinar minuciosamente tudo o que ele fizesse e iria aborrecê-lo mais tarde com o assunto, mas não pretendia contar-lhe pormenores.

- Está como novo - disse, entregando-o quando ela se aproximou o suficiente para o receber. Enquanto esperara, Jack lavara o óleo das mãos e vestira uma das novas T-shirts que a sua loja tinha para venda. Não estava espetacular, mas estava melhor do que antes. Pelo menos agora estava limpo.

- Obrigada por ter ido buscá-lo - disse ela, e havia algo nos seus olhos que fazia com que a atração inicial que ele sentira no dia anterior começasse a surgir de novo. Jack coçou distraidamente um dos lados da cara.

- Foi um prazer. O vento deve tê-lo arrastado e escondido.
- Suponho que sim - disse ela com um ligeiro encolher de ombros, e Jack observou-a ajustar a alça da blusa com a mão. Não sabia se ela estava com pressa, e não tinha a certeza se queria que ela fosse imediatamente embora. Disse as primeiras palavras que lhe vieram à mente:

- Diverti-me muito ontem à noite.
- Eu também.

Os olhos dela encontraram os dele quando falou, e Jack sorriu delicadamente. Não sabia que outra coisa dizer - há muito tempo que não se encontrava numa situação daquelas. Embora fosse sempre bom com os clientes e pessoas estranhas em geral, isto era completamente diferente. Sentiu-se como se tivesse dezesseis anos de novo. Por fim foi ela que falou.

- Sinto-me como se lhe devesse alguma coisa por ter perdido o seu tempo com isto.
- Isso é ridículo. Não me deve nada.
- Talvez não por ter ido buscar o meu casaco, mas por ontem à noite também.

Ele abanou a cabeça.

- Que nada. Gostei muito que tivesse vindo.

"Gostei muito que tivesse vindo." As palavras rolaram pela sua cabeça imediatamente após tê-las dito. Há dois dias ele não conseguiria imaginar dizer isso a ninguém.
Ao fundo o telefone tocou, e o som arrancou-o dos seus pensamentos. Fazendo render o tempo, perguntou:

- Veio todo este caminho até aqui abaixo só por causa do casaco, ou ia fazer também um pouco de turismo?
- Na verdade não tinha planejado nada. E quase hora do almoço e ia comer qualquer coisa.


Ela olhou para ele, em espectativa - Alguma recomendação?

Ele pensou durante um momento antes de responder.

- Eu gosto do Hank's, lá em baixo perto do pontão. A comida é fresca, e a vista é inacreditável.
- Onde fica, exatamente?

Ele fez sinal por cima do ombro.

- Em Wrightsville Beach. Apanha a ponte até à ilha e vira à esquerda. Vê logo - é só seguir os sinais até o pontão. O restaurante fica mesmo lá.

- Que tipo de comida servem?
- Principalmente mariscos. Têm ótimos camarões e ostras, mas se quiser outra coisa para além de mariscos têm hamburgers e coisas do género.

Ela esperou para ver se ele acrescentava mais alguma coisa, e como ele não o fez, olhou para o lado, na direção das janelas. Ela continuava ali, ainda, e pela segunda vez em poucos minutos, Jack sentiu-se perturbado com a sua presença. O que ela tinha que o fazia sentir-se daquela maneira? Por fim, recompondo-se, falou.

- Se quiser, posso mostrar-lhe o lugar. Também estou com fome, e gostaria muito de levá-la até lá se quiser um pouco de companhia.

Ela sorriu.

- Gostaria muito, Jack.

Ele parecia aliviado.

- Meu carro está lá atrás. Quer que eu guie?
- Conhece melhor o caminho do que eu - respondeu ela, e Jack apontou o caminho, conduzindo-a através da loja até à porta dos fundos.


Caminhando ligeiramente atrás dele, de modo que ele não pudesse ver a sua expressão, Kate não conseguia conter um sorriso de satisfação.

O Hank's existia desde que o pontão fora construído e era frequentado tanto por moradores como por turistas. De ambiente fraco mas forte em caráter, era semelhante aos restaurantes sobre os pontões que havia em Cape Cod - chãos de madeira raspados e desgastados por anos de sapatos cheios de areia, janelas largas com vista para o oceano Atlântico e fotografias de peixes de troféu nas paredes.


A um canto havia uma porta que dava para a cozinha, e Kate viu pratos de marisco fresco serem colocados em tabuleiros, carregados por empregados e empregadas vestidos de shorts e t-shirts azuis estampadas com o nome do restaurante. As mesas e as cadeiras eram de madeira, com um aspecto sólido, e decoradas com os entalhes de centenas de visitantes. Não era um local que exigisse mais do que roupa de praia informal, e Kate reparou que a maioria das pessoas que ali estava parecia ter estado deitada ao sol a maior parte da manhã.

- Confie em mim - disse ele enquanto se dirigiam a uma mesa. - A comida é ótima, pouco importa o aspecto do lugar.

Sentaram-se a uma mesa perto do canto, e Jack empurrou para o lado duas garrafas de cerveja que ainda não tinham sido recolhidas pelos empregados. Com uma capa barata, os cardápios tinham o aspecto de não ser substituídos há anos. Olhando em volta, Kate viu que quase todas as mesas estavam ocupadas.

- Está apinhado - disse ela, instalando-se confortavelmente.
- Está sempre. Mesmo antes de Wrightsville Beach se tornar popular entre os turistas, este lugar era uma espécie de lenda. Ás sextas e sábados à noite nem sequer se consegue entrar, a não ser que se esteja disposto a esperar algumas horas.
- Qual é a atração?
- A comida e os preços. Todas as manhãs Hank recebe uma carga de peixe e camarões frescos, e normalmente consegue-se sair daqui sem se gastar mais de dez dólares, incluindo a gorjeta. E isso já contando com duas cervejas.
- Como é que ele consegue?
- Quantidade, suponho. Como disse, o lugar está sempre cheio.
- Então tivemos sorte em arranjar uma mesa.
- Sim, tivemos. Mas o pessoal da praia nunca se demora muito. Dão um pulo até aqui para comer qualquer coisa rapidamente e voltam para o sol.

Ela olhou em redor do restaurante uma última vez antes de consultar o cardápio.

- Então o que é que recomenda?
- Gosta de peixe?
- Adoro.
- Então sugiro-lhe o atum ou o golfinho. São ambos deliciosos.
- Golfinho?

Ele riu-se baixinho.

- Não o golfinho Flipper do filme. É dourada. É assim que a chamamos por aqui.
- Acho que prefiro o atum - disse ela com um piscar de olhos -, só para jogar pelo seguro.
- Acha que eu inventaria uma coisa dessas?

Ela falou numa voz de brincadeira.

- Não sei o que pensar. Lembre-se que só nos conhecemos ontem. Não o conheço suficientemente bem para ter a certeza absoluta do que você é capaz.
- Sinto-me ofendido - disse ele no mesmo tom, e ela riu. Ele riu também, e passado um tempo ela surpreendeu-o ao estender a mão através da mesa tocando-lhe no braço brevemente. Jack percebeu-se de repente que Sarah costumava fazer a mesma coisa para chamar a atenção.

- Olhe ali - disse ela, acenando com a cabeça em direção às janelas, e Jack voltou a cabeça. No pontão um velhote transportava o seu equipamento de pesca, tendo um aspecto completamente normal não fosse o grande papagaio empoleirado no ombro.

Jack abanou a cabeça e sorriu, sentindo ainda os vestígios do toque dela persistindo no seu braço.

- Temos de tudo por aqui. Não é bem a Califórnia, mas dê-nos mais alguns anos.
- Devia arranjar um pássaro daqueles para lhe fazer companhia quando fosse para o mar.
- E estragar a minha paz e sossego? Sortudo como sou, o bicho era capaz até de nem falar. Provavelmente passaria o tempo todo a guinchar e arrancaria parte da orelha da primeira vez que o vento mudasse.
- Mas iria parecer um pirata.
- Iria parecer um idiota.
- Oh, você é desmancha-prazeres - Kate disse com um franzir da sombrancelha fingido. Depois de uma breve pausa, ela olhou em volta.


- Então, eles aqui têm alguém que nos sirva, ou temos de ser nós a pescar e a cozinhar o peixe?
- Malditos yankees - resmungou ele enquanto abanava a cabeça, e ela riu-se de novo, perguntando a si mesma se ele se divertia tanto quanto ela. De algum modo ela sabia que sim.

Alguns instantes mais tarde a garçonete chegou e tomou nota dos seus pedidos. Tanto Jack como Kate pediram cerveja, e depois de transmitir o pedido à cozinha, trouxe duas garrafas para a mesa.

- Não há copos? - perguntou ela com uma sobrancelha levantada depois da garçonete ter ido embora.
- Não. Este é um lugar de classe.
- Percebo porque gosta tanto dele.
- Isso é um comentário sobre a minha falta de bom gosto?
- Só se se sentir inseguro sobre o assunto.
- Agora parece uma psiquiatra.
- Não sou, mas sou mãe, e isso faz de mim uma espécie de especialista em natureza humana.
- Não me diga?
- É o que digo ao Kevin.
Jack bebeu um gole da sua cerveja.
- Falou com ele hoje?
Ela acenou que sim com a cabeça e bebeu um gole também.
- Apenas durante alguns minutos. Estava de partida para a Disneylândia quando telefonei.

- Ele está gostando de estar com o pai?
- Sim, demais. James sempre foi bom para ele, mas penso que ele tenta compensar o fato de não ver Kevin muitas vezes. Sempre que o Kevin encontra o pai, espera algo de divertido e excitante.
Jack olhou para ela com curiosidade.
- Parece que não está assim tão segura em relação a isso.
Ela hesitou antes de continuar.
- Bem, só espero que isso não conduza à desilusão mais tarde. James e a sua nova mulher começaram uma família, e logo que o bebé tenha um pouco mais de idade, penso que vai ser muito mais difícil para James e Kevin estarem os dois sozinhos.

Jack inclinou-se para a frente quando falou.

- É impossível proteger os filhos das desilusões da vida.
- Eu sei isso, verdade que sei. É só que... - Ela parou, e Jack gentilmente terminou o seu pensamento.
- Ele é seu filho e não quer que ele se magoe.
- Exatamente. - Gotas de condensação tinham-se formado no exterior da sua garrafa de cerveja, e Kate começou a descolar o rótulo. Mais uma vez, era a mesma coisa que Sarah costumava fazer, e Jack bebeu outro trago de cerveja obrigando a sua mente a voltar à conversa em curso.

- Não sei o que dizer, exceto que se Kevin for de alguma forma parecido contigo, tenho certeza de que tudo correrá bem com ele.
- Que quer dizer?
Ele encolheu os ombros.


- A vida não é fácil para ninguém inclusive pra você. Também teve tempos difíceis. Ao vê-la vencer as dificuldades, ele aprenderá a fazê-lo também.
- Agora é você que parece um psiquiatra.
- Estou apenas dizendo o que aprendi crescendo. Eu tinha mais ou menos a idade de Kevin quando a minha mãe morreu de câncer. Observar o meu pai ensinou-me que tinha de seguir em frente com a minha vida, acontecesse o que acontecesse.
- O seu pai alguma vez voltou a casar-se?
- Não - disse ele, abanando a cabeça. - Penso que houve algumas vezes em que ele o desejou, mas acabou por nunca o fazer.

Então é daí que tudo vem, pensou ela. Tal pai, tal filho.

- Ele ainda vive aqui? - perguntou ela.
- Sim, vive. Tentamos encontrar-nos pelo menos uma vez por semana. Ele gosta de ficar de olho em mim.

Ela sorriu.

- A maioria dos pais gosta.

A comida chegou poucos minutos mais tarde, e continuaram a sua conversa enquanto comiam. Desta vez Jack falou mais do que ela, contando-lhe como era crescer no Sul, e a razão porque nunca iria embora dali enquanto tivesse a oportunidade de escolher. Também lhe contou sobre algumas das aventuras que tivera enquanto velejava ou mergulhava. Ela escutava, fascinada. Comparadas às histórias que os homens lhe contavam em Chicago - que normalmente se centravam em feitos de negócios - as histórias dele eram uma verdadeira novidade para ela. Falou sobre as milhares de diferentes criaturas do mar que vira nos seus mergulhos e sobre como era velejar através de uma tempestade que surgira inesperadamente e quase virara o barco.


Kate observava-o com atenção enquanto ele falava, contente por ele estar mais descontraído do que na noite anterior. Reparava ainda nas coisas que reparara na noite anterior - a cara magra, os olhos na luz lembrando mel, intensos, e a maneira fácil como se movimentava.


No entanto, havia uma certa energia na maneira como ele falava com ela agora, o que para Kate representava uma mudança atraente. Ele já não parecia medir cada palavra que dizia.

Acabaram de almoçar - ele tinha razão, a comida era deliciosa e beberam ambos mais uma cerveja enquanto as ventoinhas do teto zumbiam por cima deles. O calor aumentava no restaurante à medida que o Sol subia no céu, mas mesmo assim continuava cheio. Quando chegou a conta, Jack pôs algum dinheiro sobre a mesa e fez sinal para partirem.

- Está pronta?
- Quando você estiver. E obrigada pelo almoço. Estava ótimo.

Kate estava convencida, quando chegaram à porta da frente, que Jack queria voltar imediatamente à loja, mas ele surpreendeu-a sugerindo algo diferente.

- Que tal um passeio pela praia? Normalmente está um pouco mais fresco junto à água.


Assim que ela disse que sim, ele conduziu-a para um dos lados do pontão e começou a dirigir-se para as escadas, caminhando a seu lado. Ao chegarem à praia, viraram na direção da água, caminhando e livrando-se dos sapatos.
Em silêncio seguiam lado a lado enquanto Kate olhava em volta a paisagem.

- Já passou muito tempo nas praias desde que chegou? - perguntou Jack.

Kate abanou a cabeça.

- Não, só cheguei anteontem. É a primeira vez que venho à praia aqui.
- E que tal?
- É bela.
- É como as praias no Norte?
- Algumas, mas aqui a água é muito mais quente. Nunca esteve na costa do norte?
- Nunca saí da Carolina do Norte. - Ela sorriu para ele. - Um verdadeiro viajante do mundo, hem?

Ele riu-se baixinho.

- Não, não sinto que esteja a perder muito. Gosto disto aqui e não poderia imaginar um lugar mais bonito. Não há nenhum lugar onde gostaria de estar mais do que este. As palavras sairam automaticamente, receosa tratou de calar-se.


Depois de alguns passos, ele olhou para ela e mudou de assunto. - Então, quanto tempo vai ficar em Wilmington?
- Até domingo. Tenho de voltar para o trabalho na segunda-feira. Mais cinco dias, pensou ele.
- Conhece mais alguém aqui na cidade?
- Não. Vim sozinha.
- Porquê?
- Queria apenas vir conhecer. Tinha ouvido falar bem do lugar, e queria ver com os meus próprios olhos.

Ele admirou-se com a resposta dela.

- Passa normalmente as férias sozinha?
- Na verdade, esta é a primeira vez.

Passaram-se alguns momentos antes de Jack falar de novo.

- Posso fazer uma pergunta pessoal?
- Depende da pergunta.

Ele parou de andar e apanhou algumas pequenas conchas que lhe haviam chamado a atenção. Depois de as revirar algumas vezes nas mãos, entregou-as a Kate.

- Voce dissse nao ter alguém lá em cima, em Chicago certo?

Ela recebeu as conchas enquanto respondia.

- Não.

As ondas molhavam os pés enquanto permaneciam parados na água. Embora tivesse esperado aquela resposta, Jack não conseguia compreender como é que alguém como ela podia passar a maior parte das suas noites sozinha.

- Porque não? Uma mulher como você deve poder escolher à vontade os homens que quiser.

Ela sorriu, e começaram a caminhar lentamente de novo.

- Obrigada, é simpático da sua parte dizer isso. Mas não é assim tão fácil, especialmente quando se tem um filho. Há muitas coisas que tenho de levar em consideração quando conheço alguém. - Fez uma pausa. - Mas e você? Anda com alguém neste momento?

Ele abanou a cabeça.

- Não.
- Então é a minha vez de perguntar: porque não?

Jack encolheu os ombros.

- Creio que por não ter encontrado alguém com quem gostaria de sair regularmente.
- Só isso?

Era um momento de verdade, e Jack sabia. Tudo o que tinha de fazer era reafirmar o que dissera antes e isso poria fim ao assunto. Mas durante alguns passos nada disse.

A multidão da praia diminuía e dispersava-se à medida que se afastavam cada vez mais do pontão, e o único som agora era das ondas quebrando. Jack não olhou para ela quando falou, e Kate chegou-se mais perto para o poder ouvir por cima do rugir do oceano.

- Não, não é só isso. É mais uma desculpa. Para ser franco, nem sequer tenho tentado.


Kate observava-o com atenção enquanto ele falava. Ele olhava diretamente em frente como se estivesse a ordenar os seus pensamentos, mas ela podia pressentir a sua relutância à medida que ele continuava.

- Há uma coisa que não lhe contei ontem à noite.

Ela sentiu algo apertar-se dentro de si, sabendo exatamente o que vinha a seguir. Mantendo o rosto neutro, esperou.

- Também já fui casado - disse ele finalmente. - Durante seis anos. - Ele voltou-se para ela com uma expressão que a fez vacilar. - Mas ela faleceu.

- Lamento - disse ela baixinho. Jack parou de novo e apanhou umas conchas, só que desta vez não as entregou a Kate. Depois de as inspecionar distraidamente, atirou uma delas para as ondas que se aproximavam. Kate viu-a, desaparecer no oceano.

- Aconteceu há três anos. Desde então, não tenho tido interesse em conhecer ninguém, nem sequer de olhar para alguém. - Ela parou por um momento, embaraçada.
- às vezes deve sentir-se muito sozinho.
- Sinto, mas tento não pensar muito no assunto. Mantenho-me ocupado na loja - há sempre alguma coisa para fazer lá - e ajuda os dias a passar. Quando dou por mim, são horas de me deitar e começo tudo de novo na manhã seguinte.

Quando terminou, olhou para ela com um sorriso fraco. Pronto, dissera-o. Há anos que quisera contar a alguém além do seu pai, e acabara por fazê-lo a uma mulher que mal conhecia. Uma mulher que de alguma maneira conseguira abrir o que ele próprio fechara a sete chaves.
Ela nada disse. Assim que ele terminou, Kate perguntou:

- Como era ela?
- Sarah? - Jack ficou com a garganta seca. - Quer mesmo saber?
- Sim, quero - disse ela numa voz suave.

Ele atirou outra concha para as ondas, concentrando-se. Como poderia ele descrevê-la em palavras? Havia no entanto uma parte dele que queria tentar, queria que Kate, dentre todas as pessoas, compreendesse.


Ele suspirou e por fim voltou a cabeça. Kate estava a olhar para ele, à espera. Ele falou baixinho.

- Ela era tudo o que eu alguma vez quis. Era bonita e encantadora, com um sentido de humor sutil, e apoiava-me em tudo o que eu fazia. Tinha-a conhecido praticamente toda a minha vida - fomos para a escola juntos. Casámo-nos um ano depois de me ter formado na Universidade da Carolina do Norte. Estivemos casados durante seis anos antes do acidente, e foram os seis anos mais felizes da minha vida. Quando a levaram... - Fez uma pausa como se estivesse com dificuldade em arranjar palavras. - Não sei se alguma vez me habituarei a viver sem ela.

A maneira como ele falava de Sarah fez Kate sentir mais por ele do que poderia ter imaginado. Não era apenas a sua voz, mas a expressão no seu rosto antes dele a descrever - como se dividido entre a beleza das suas recordações e a dor de recordar. Embora as cartas tivessem sido comoventes, não a tinham preparado para aquilo. Não devia ter falado no assunto, pensou ela. "Eu já sabia o que ele sentia em relação a ela. Não havia qualquer razão para forçá-lo a falar no assunto."


Ela sentiu uma lagrima rolar e tratou de elimina-la antes que ele a visse.
Tinha de ver a reação dele com os teus próprios olhos. Tinhas de saber se ele estava preparado para deixar o passado para trás.
Depois de alguns instantes, Jack atirou distraidamente o resto das conchas para a água.

- Peço desculpa - disse ele.
- Porquê?
- Não devia ter falado dela. Ou tanto sobre mim mesmo.
- Não faz mal, Jack. Eu queria saber. Fui eu que lhe pedi para falar dela, lembra?
- Não era minha intenção falar naquele tom. - Ele falava como se tivesse feito algo de errado. A reação de Kate foi quase instintiva.


Aproximando-se dele, pegou-lhe a mão. Segurando-a lentamente na dela, apertou-a com suavidade. Quando olhou para ele, viu surpresa nos seus olhos, mas ele não tentou retirar a mão.

- Perder uma esposa, e algo que a maioria das pessoas da nossa idade nada sabe. - Ele baixou o olhar enquanto ela se esforçava por encontrar as palavras certas.

- Os seus sentimentos dizem muito sobre você. É o tipo de pessoa que ama alguém para sempre... Isso não é nada de que deva se envergonhar.
- Eu sei. É só que já passaram três anos...
- Um dia vai voltar a encontrar alguém especial. As pessoas que já estiveram apaixonadas uma vez normalmente apaixonam-se de novo. Está na natureza delas.

Ela apertou novamente a mão dele, e Jack sentiu o toque aquecê-lo. Por alguma razão ele não a queria largar.

- Espero que tenha razão - disse ele finalmente.
- Tenho. Eu sei destas coisas. Sou mãe, lembra-se?

Ele riu baixinho, tentando libertar-se da tensão que sentia.

- Lembro. E provavelmente é uma boa mãe.

Deram meia volta e encaminharam-se de volta conversando tranquilamente sobre os últimos três anos, ainda de mãos dadas. Quando voltaram para a loja, Jack estava mais confuso do que nunca. Os acontecimentos dos dois últimos dias eram tão inesperados. Kate já não era simplesmente uma pessoa estranha, nem apenas uma amiga. Não havia qualquer dúvida de que se sentia atraído por ela. Mas depois, pensou de novo, dentro de alguns dias ela iria embora, e ele sabia que provavelmente era melhor que assim fosse.

- Estás pensativo. - disse ela. Jack passou por uma mudança maior quando atravessavam a ponte em direção a Wilmington e Island Diving. Vai em frente, pensou ele. Diz verdadeiramente o que te passa pela cabeça.

- Estava pensando - disse ele finalmente, surpreendendo a si próprio -, que se não tivesse planos para hoje à noite, gostaria de te convidar para jantar.

Ela sorria.

- Estava com esperanças que dissesse isso.

Ele ainda estava surpreso consigo mesmo por ter feito o pedido quando virou à esquerda para a estrada que conduzia à loja.

- Pode vir a minha casa por volta das oito? Tenho algumas coisas a fazer na loja, e provavelmente terei de ficar até tarde.
- Está ótimo. Onde é que mora?
- Em Carolina Beach. Eu dou-lhe as indicações quando chegarmos à loja.

Entraram no estacionamento e Kate seguiu Jack até ao escritório. Ele escreveu as indicações num pedaço de papel. Tentando não parecer tão confuso como se sentia, disse:

- Não teras problema para encontrar o lugar, é só procurar meu carro estacionado à frente da casa. Mas se tiver algum problema, o meu número está aqui em baixo.

Depois de ela sair, Jack pegou-se pensando na noite que estava por vir. Sentado no seu escritório, importunavam-no duas perguntas sem resposta.


Primeiro, porque se sentia tão atraído por Kate?


E segundo, porque é que subitamente se sentia como se estivesse traindo Sarah?


CONTINUA...

Season 4 - LOST

Boas Noticias para nos ansiosos fans de LOST :



Quarta temporada de Lost pode ter inesperado reforço
Ano quatro deve ganhar mais um episódio, o décimo quarto


O colunista Michael Ausiello do TV Guide, sempre por dentro de todas as fofocas e novidades de Lost, acaba de informar que a quarta temporada do programa pode ganhar um inesperado reforço.
Originalmente programada para 16 episódios, depois alterada para 13 por conta da greve dos roteiristas, a temporada pode ter um décimo quarto capítulo para ajudar no desfecho e seguir com alguns dos planos prévios dos roteiristas.
A série recomeça em 24 de abril lá fora para os cinco (ou seis) episódios finais do ano quatro.


Fonte: Omelete


Huahuahuahua...tomara que se confirme melhor ainda se for do nosso casal : Jack ou Kate em season finale e pra abalar!!!


=)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

INCANCELLABILE - Cap 14 Parte 1

San Sebastian

19h


Após um banho que realmente o fez recarregar as energias, Jack estava saindo do conforto quando uma noticia na televisao chamou sua atencao. Justin estava apresentando o jornal sozinho.

Justin: - Infelizmente não podemos revelar maiores detalhes sobre o ocorrida a nossa querida Kate apenas pedimos a todos que a acompanham e admiram que rezem por ela. Boa noite!

Jack suspirou. Logo comecaria a procura por noticias de Kate e conhecendo a imprensa de LA não dava um dia para as portas do hospital estarem infestadas de reporteres. Antes de entrar no quarto, percebeu que Juliet falava. "Sera que ela acordara?"


- Sabe, voce e uma mulher de sorte. Espero que saiba disso. Alem de sobreviver a uma tentativa de assasinato ainda tem um homem maravilhoso capaz de fazer tudo por voce. Torco pra quando voce acordar, retribuir tudo o que ele esta fazendo.

Jack sorriu. Ele estava feliz por ter amigos tao bons.

- Hey... I’m back


- Já jantou?


- Não.


- Entao não fez o correto. Voce vai passar a noite aqui tem que comer.


- O papel de mae não combina com voce, Jules.


- Muito engracado.


- Jules, voce acha que ela vai acordar logo?


- Não sei ao certo. Mas um pouco de fe não faz mal a ninguem. Talvez aconteca antes do que imagina. Volto já.

Juliet voltou 15 minutos depois com um lanche para os dois. Após terminarem ela se despediu e deixou-o sozinho com Kate.


Meia-noite


Jack havia cochilado por um tempo e acordou sobressaltado. Depois de ambientar-se,checou o celular em busca das horas.Percebeu o sinal de mensagens da caixa postal piscando.Acessou.

"Voce tem 3 novas mensagens.Mensagem 1 sabado as 19:23h: Quieta! barulhos..nao se aproxime...tiro...Mensagem 2."

Jack estava atonito. "Ela ligara pra ele!" Salvou a mensagem para mostrar a Ana depois. Isso era prova para ajudar na investigacao.


Ele tornou a olhar para a mulher deitada a sua frente. Sentiu uma necessidade tao grande de abraca-la, de falar com ela. Levantou-se da cadeira e colocou-se ao lado dela de modo a poder toca-la mais uma vez.

- Kate, quando voce ira acordar? Preciso tanto ouvir sua voz, ver seu sorriso, dizer o quanto voce e importante para mim.

Kate permanecia dormindo, nenhuma manifestacao diferente. Jack depositou um beijo sobre os labios dela e voltou a sua cadeira.


3h da manha


Kate murmurava algo...

- Jack... o telefone...555-04...nao...nao...

Jack correu ate ela, ao toca-la viu que estava ardendo em febre. "Droga! O corte da perna."


Ele mesmo chamou a enfermeira pelo interfone e pediu material para troca de curativo e remedios injetaveis para febre. A enfermeira apareceu no quarto em 5 minutos. Aplicou a dose.

Kate continuava delirando:

- Nao posso, eu preciso de voce...promisse...

Jack lembrou-se do sonho.Enquanto mexia no curativo, ele tentava acalma-la.

- Shhh, it's ok, it's gonna be all right...easy Kate...

O corte estava muito inflamado. Limpou habilmente o local e voltou a passar remedios.Tinha que aumentar a dose do antibiotico. Voltou a cobrir o local.

Injetou antibiotico no soro e com uma pequena toalha enxugava a testa e o pescoco de Kate com o maximo de cuidado para nao causar nenhum dano a cirurgia.

Meia hora depois, a febre comecava a ceder,finalmente. Ela ja nao delirava e ele recostou-se na cadeira, exausto apos mais uma etapa vencida.


6h da manha


Kate abriu os olhos.


Tentou mexer os bracos para espreguicar-se. Sentiu uma dor terrivel. Ao olhar para o braco, ela viu o curativo.


"O que aconteceu?" Suspirou.


Pelo ambiente percebeu que estava num hospital. Aos poucos as ultimas lembrancas voltavam a sua mente.


O estranho, a arma, a dor ela tentou se levantar mais uma vez porem não consegui apoiar-se.


Virou para o lado e seu coracao quase parou. "Como era possivel? O que ele fazia ali?"


Jack dormia encolhido na cadeira um sono tranquilo apesar do semblante revelar preocupacao. Imagens daqueles momentos do passado povoaram a mente de Kate.


"O que ele faz aqui?" Chamou por ele.


- Jack...


Nada.


- Jack, pode me ouvir? Agora mais alto.

Ele ouvia um sussurro longe, alguem o chamava. De novo. Devagar ele abriu os olhos, pensara estar sonhando novamente. Passou a mao no rosto.

- Jack...

Ele gelou. Ao olhar para o lado viu Kate de olhos abertos sorrindo pra ele. Arrastou a cadeira ate ficar bem proximo dela.

- Hey...

- Hey, Bella do baile...voce demorou a acordar. Como se sente?

- Com dor...meu corpo doi muito, meu peito, mas meu coracao esta feliz em ver voce. Como me encontrou?

- Voce foi trazida aqui muito ferida, eu trabalho aqui. Sou medico e cuidei de voce.

- Entao isso faz de voce meu heroi. Ela sorriu novamente.


- Aiii...nao consigo mexer...minha perna... no rosto Jack viu medo.

- Calma, esta tudo bem. eu imobilizei sua perna,o corte inflamou e voce teve febre alta,delirou...

Ela derramou algumas lagrimas,a tensao, o medo e a presenca dele ali eram os motivos das lagrimas.

Ele segurou a mao dela e beijou.

- Procure não falar muito, ok? Esta se recuperando ainda.

- Jack...eu queria tanto te encontrar...eu estava ligando pra voce...eu precisava te ver e me explicar.

- Shhh....nao precisa. Eu sei. Teremos tempo pra isso.

Ele limpou as lagrimas com a ponta do dedo.

- Não, eu nunca te esqueci, eu não vou fugir mais ...

- Nem que quisesse...

- Promete que não me abandona dessa vez sem deixar vestigios?

- Eu não vou a lugar algum. Procure descansar.

Ele inclinou-se sobre ela e beijou-lhe os labios. Já ia sentar-se novamente quando ela puxou levemente a mao dele.

- Jack... I love you ok?

Um sorriso de felicidade foi tudo que Jack conseguiu expressar naquele momento ao ve-la fechar os olhos novamente sob o efeito das drogas.



CONTINUA...

INCANCELLABILE - Cap 14 Parte 2

Paris


Sawyer saiu cedo deixando Cassidy adormecida no quarto do hotel. Apos encontrar um lugar relativamente seguro, ele discou um numero no celular.

- Hey,Jean!

- Sawyer? Finalmente! Pensei que tinha desistido do nosso trato ou que a policia tivesse pego voce.


- Ha! Ta brincando? Policia nao e pareo para mim...imagina se eu iria perder a oportunidade de ganhar em Euro! Ja tem a conta?

- Sim, anota ai.

Ele demorou mais uns quinze minutos no telefone. Um tigre nunca muda suas listras.


Jean abrira uma conta no nome de um frances cujo documento seria entregue a Sawyer, sua nova identidade. Alem disso, todo o dinheiro do golpe da Kate seria transferido para essa conta. 10% seria dado a Jean que ja arquitetara o novo golpe europeu e brevemente Sawyer estaria seduzindo Anabelle, uma francesa herdeira de uma grande empresa medica na Franca. Quanto a Cassidy, bem ela seria passado mais cedo do que imaginava.


Los Angeles - FBI HQ

9hs

Ana Lucia mal chegara ao bureau e dirigiu-se a sala de comunicacoes.

- Bom dia, Agente Wilson.Novidades?
- Eu sabia que me procuraria cedo.Sim, tenho. Sente-se.

Ela obedeceu ficando ao seu lado.

- Depois de rodar o programa do GPS, localizamos o bairro de onde poderia ter sido feito o acesso. Analisando, encontramos 2 lugares possiveis. Uma biblioteca publica e uma lanhouse. Aqui estao os enderecos.


Entregou um papel para Ana.

- E a conta do banco de NY?
- Um minuto.

Ele abriu outra tela no computador. Checou informacoes e por fim estendeu mais um post-it a ela.

- Incrivel! A conta foi aberta no nome dela.

- Vamos, voce tem que me acompanhar na busca pelo terminal da transacao. Nao podemos perder tempo nessa investigacao. Estou louca pra colocar aquele canalha atras das grades.

Juntos deixaram o HQs.


Paris

Eram 11hs da manha quando Sawyer finalmente apareceu. Cassidy havia acordado fazia tempo com uma sensacao de enjoo horrivel. Acabou por vomitar todo o cafe da manha.

- Onde voce estava?
- Passeando por Paris - mentiu. - Nao quis acordar voce.

Depositou um selinho nos labios dela.

- Voce esta palida.
- Nao e nada.

Ele tambem nao se importou com isso. - Vai trocar de roupa, vamos passear no Champs Elysses.

Ela caminhou lentamente para o banheiro. Estava preocupada mas nao podia deixar transparecer ao Sawyer.Tinha quase certeza do motivo do enjoo matinal.E se tudo se confirmasse, ela tinha medo de como ele reagiria.


San Sebastian

10h

Jack acabara de tomar um copo de suco como cafe da manha. Desmond entra sorrindo no quarto e percebe algo diferente no semblante de Jack.

- Hey, brotha. Como passou a noite?

- Tivemos alguns problemas mas Des...ela acordou!

- Serio? Sera que o amigo nao sonhara? Ela continuava dormindo.

- Sim, ela voltou a dormir pela quantidade de antbioticos que apliquei nela.

Desmond checou os sinais vitais e a atividade cerebral estava realmente ok.

- Isso e otimo! Bem, ela esta em boas maos. Tenho que trabalhar. Agora e com voce,dependendo de como ela reaja a tudo isso pode ter uma recuperacao rapida ou nao.

- Ok,Des.

Ele deixou o quarto.

Jack percebeu um movimento na cama. Kate abrira os olhos e estava a procura dele.
- Mornin'
- Mornin'...tudo bem?
- humhum...sorriu.

Ele se aproximou e beijou-a na testa.

- Jack me ajuda a sentar?

Ele gentilmente a suspendeu apoiando o corpo para que ela sentisse o minimo de dor.

- Pronto. Como esta a dor?
- Suportavel. Minha perna ta muito feia?
- Um pouquinho.


Ele sentou-se na cama junto dela e entrelacaram as maos. Ela pode sentir o cheiro tao familiar que povoava sua imaginacao todos esses anos. O cheiro masculino amadeirado. Colocou o seu nariz proximo ao pescoco dele inalando profundamente.Sorriu.


- E como voltar pra casa...seu cheiro...os olhos se encontraram.

- O que exatamente aconteceu comigo,Jack?

Jack encostou a cabeca dela no seu ombro e comecou a contar tudo o que ocorrera nesses dias intensos na luta pra salva-la. Ela ouvia tudo com atencao. Jack estava prestes a contar a suspeita de que tudo era uma tentativa de assassinato quando o celular tocou. Ana.

- Oi,Ana.

- Jack so estou ligando pra dizer que o canalha e pior que nos imaginamos.Voce acredita que ele abriu a conta em NY no nome dela?

- Tudo e possivel. Ana eu tenho uma mensagem que talvez interesse a voce.

Nao queria falar de investigacao antes de contar a Kate.

- E como ela esta?

- Melhor, fora de risco.

- Otimo, talvez eu precise conversar com ela.

- Depois, ok?

- Ok, doutor voce manda. Mantenho contato. E desligou o celular.

Kate olhava para ele intrigada.

- Quem e Ana,Jack? a pergunta soara como uma faisca.

Antes que Jack pudesse responder, Juliet entrou no quarto.

- Oi,Jack trouxe cafe pra gente.

So entao ela percebeu que Kate estava desperta. "Ops! atrapalhei algo..."

- Hey, Jules! Abriu um sorriso.

Kate olhou para Juliet e depois para Jack. A expressao no rosto ja evidenciava o que estava sentindo. Raiva.

- Entao? Vai me dizer quem sao elas ou vou ter que descobrir sozinha?



CONTINUA...

As Palavras que Nunca Te Direi - Cap 6

Capitulo 6


Durante a tarde que passava Jack procurou ocupar-se com os afazeres da loja. Fato era que estava mesmo intrigado com a bela moca que conhecera pela manha.

Fazia tempo que ele nao pensava nisso. Sua historia com Sarah comecara no colegial e nao tivera fim ate a sua fatidica morte - atropelamento - uma consequencia pois na verdade ela esta com cancer.

Vivera sim, os momentos mais lindos da sua vida. apos perde-la, o pai era seu amigo nas horas vagas e fazia de tudo para ajudar o filho, queria ve-lo feliz novamente.

Sempre dizia que ele era muto jovem para se entregar daquela maneira, ele merecia uma segunda chance. Mas Jack tinha a resposta para ele na ponta da lingua : Duvido que ache outra capaz de substitui-la.

Sentado no seu escritorio porem, Jack nao estava pensando em Sarah naquela tarde. A imagem que o acompanhava era a de Kate, com seus cabelos cacheados e jeito seguro. Tinha de admitir, gostara dela e estava feliz por convida-la para velejar.

Jack Shepard foi para a marina com alguns minutos de antecedência para poder aprontar o Happenstance. Retirou a cobertura das velas, abriu a cabine, e fez um exame geral ao barco.
O seu pai tinha aparecido um pouco antes dele sair.

- Queres aparecer lá em casa para jantar? Jack respondera que não podia.
- Vou sair com o barco hoje à noite, com uma pessoa.

O pai tinha ficado calado durante um momento.

- Com uma mulher?

Jack explicou resumidamente como ele e Kate se tinham conhecido.

- Finalmente um encontro - comentara o pai.
- Não, pai, não é um encontro, vamos apenas andar de barco.
- É bonita?
- Isso interessa?
- Não interessa. Mas ainda assim parece um encontro. Adorava implicar com o filho.
- Não é um encontro.
- Se voce diz, ok ja entendi. Sorriu.

Jack viu-a caminhar ao longo da doca um pouco depois das sete, vestia shorts jeans e uma camiseta vermelha sem mangas carregava um pequeno cesto de piquenique numa mão e um casaco leve na outra. Ela não parecia tão nervosa quanto ele, nem a sua expressão revelava o que ela pensava quando se aproximou.


Quando ela acenou, ele sentiu a familiar sensação de culpa e acenou rapidamente em resposta antes de acabar de desatar as cordas. Estava resmungando consigo mesmo e fazendo o seu melhor para pôr a mente em ordem quando ela chegou ao barco.

- Olá - disse ela, descontraidamente. - Espero que não tenha esperado muito.

Ele tirou as luvas enquanto falava.

- Oh, olá. Acabei de chegar estou preparando o barco.

- Posso ajudá-la a subir?

Ele estendeu o braço. Kate entregou o que tinha en maos. Quando ele pegou nas mãos dela para a puxar para cima, ela sentiu os calos nas palmas das suas mãos e um arrepio percorreu-lhe a espinha. Depois de ela estar segura a bordo, ele fez um gesto em direção à roda do leme, dando um pequeno passo para trás.

- Está pronta para zarpar?
- Quando você estiver.
- Então sente-se e fique à vontade. Eu vou tirar o barco. Quer beber alguma coisa antes de partirmos? Tenho refrigerantes na geladeira.

Ela abanou a cabeça.

- Não, obrigado.

Olhou em volta do barco antes de encontrar um lugar para se sentar ao canto. Lentamente o Happenstance começou a recuar para fora do seu lugar. Uma vez seguro nas águas do Canal, Jack virou o barco na direção do vento e içou depressa a vela.


Num movimento rápido, Jack estava ao lado de Kate, encostando o seu corpo perto do dela.

Antes que ela tivesse tempo de pestanejar, ele estava de volta à roda do leme, fazendo ajustes e olhando por cima do ombro para a vela, certificando-se de que fizera tudo corretamente.

Ele olhou de novo para ela. Sarah costumava sentar-se no mesmo lugar, e com o Sol poente repartindo as sombras, houve um breve momento em que ele pensou que era ela. Mas afastou o pensamento e tossiu.

O barco ganhara velocidade. Ao observa-lo na tarefa, os movimentos dele rápidos e precisos deixavam os músculos tensos e Kate pode perceber pela primeira vez uma tatuagem no ombro esquerdo. Levantou-se e caminhou na direção de Jack, parando quando chegou ao lado dele. Soprava uma brisa, e embora ela pudesse sentir no rosto, não parecia suficientemente forte para encher a vela.

- Pronto, acho que conseguimos - disse ele com um sorriso fácil, olhando para ela.

Dirigiam-se para a enseada. Ela sabia que ele estava concentrado no que estava fazendo, e por isso manteve-se calada enquanto permanecia ao seu lado. Do canto do olho, observava-o - as mãos fortes na roda do leme, as pernas compridas transferindo o seu peso de um lado para o outro à medida que o barco se inclinava ao vento.

No intervalo da conversa, Kate perguntava-se sobre como seria Jack. Com trinta e tal anos, provavelmente. Olhar para ele de perto não ajudava muito - tinha a cara bronzeada o que lhe dava um aspecto que sem dúvida o fazia parecer mais velho do que era.
Ele era o homem mais bonito que já tinha visto, alem disso havia nele algo de cativante, indefinível.

Durante a tarde, quando falara com Penny ao telefone, ela tentara descrevê-lo, mas tivera dificuldades em fazê-lo porque ele não se parecia com a maioria dos homens que ela conhecia em Chicago. Dissera a Penny que ele tinha aproximadamente a idade dela, que era atraente e estava em boa forma, Fora a descrição mais próxima da realidade que conseguira fazer, embora após vê-lo de perto novamente, achasse que não estivera muito longe da verdade.

Penny ficou excitadíssima quando ela lhe contou que ia dar um passeio de barco à tardinha, embora Kate tivesse passado por um momento de dúvida logo a seguir. Por um instante preocupou-se com o fato de estar sozinha com um estranho - especialmente em alto mar - mas convenceu-se de que os seus receios não tinham fundamento. Era como qualquer outro encontro, dissera a si mesma durante a maior parte da tarde. Por fim, decidiu que era algo que tinha de fazer, principalmente por ela mesma.

Quando se aproximaram da enseada, Jack virou a roda do leme em direção às águas profundas do Canal. Jack olhava de um lado para o outro, observando os outros barcos enquanto mantinha o leme estável. Tudo parecia estar em movimento sob o céu escurecido da Carolina do Norte.

Kate cruzou os braços e foi buscar o casaco.Vestiu-o, satisfeita por tê-lo trazido. O ar parecia já muito mais fresco do que quando tinham partido. O Sol descia mais depressa do que ela esperava.

Pela primeira vez no que parecia ser uma eternidade, ela fizera algo de completamente espontâneo, algo que não poderia ter imaginado fazer há menos de uma semana. E agora que estava feito, não tinha a certeza do que esperar. "E se Jack se revelasse o contrário do que ela havia imaginado? Se isso acontecesse, regressaria a Chicago com a sua resposta..." mas por enquanto, esperava não ter de partir imediatamente. Queria mais.


- Pronto, assim deve estar bem - disse ele, dando pancadinhas na roda do leme para ver se ela ficava em posição. - Podemo-nos sentar agora se quiser.

- Não tem de segurar?

- É para isso que serve o laço. às vezes - quando o vento está mesmo incerto - tem que segurar no leme. Mas tivemos sorte com o tempo hoje. Podíamos velejar nesta direção durante horas.

Com o Sol a pôr-se lentamente no céu de fim de tarde por trás deles, Jack conduziu Kate de volta para onde estivera sentada. Depois de se certificar de que não havia nada atrás dela que lhe pudesse estragar a roupa, eles sentaram-se no canto - ela na parte lateral, ele contra a parte de trás - diagonalmente, para poder olhar um para o outro. Sentindo o vento contra o rosto, Kate puxou o cabelo para trás, olhando para a água.

Jack observou-a a fazer esse gesto. Ela era mais baixa do que ele - cerca de um metro e setenta, calculou - com um rosto belo, cheio de sardinhas e um corpo que lhe fazia lembrar os modelos que ele vira em revistas. Mas apesar de ela ser fisicamente atraente, havia qualquer coisa mais nela que o atraía. Era inteligente, pôde pressentir isso imediatamente, e confiante, também, como se fosse capaz de viver a sua vida de acordo com as suas próprias condições. Para ele, essas eram coisas que realmente interessavam. Sem elas, a beleza nao era nada.

- Isto é mesmo bonito - disse ela finalmente, virando-se para ele. - Obrigada por me ter convidado.

Ele ficou contente quando ela quebrou o silêncio.

- O prazer é todo meu. É bom ter companhia de vez em quando.

Ela sorriu com a resposta dele, perguntando a si mesma se seria verdade o que ele dizia.

- Costuma sair sozinho?

Ele recostou-se no banco enquanto falava, esticando as pernas para a frente.

- Normalmente. É uma boa maneira de desanuviar depois do trabalho. Por mais tenso que tenha sido o dia, quando estou aqui, o vento parece varrer tudo para longe.

- O mergulho é assim tão difícil?

- Não, não é o mergulho. Essa é a parte divertida. É mais ou menos tudo o resto: a papelada no escritório, lidar com pessoas que cancelam as suas aulas à última hora, certificar-me de que a loja tem a quantidade certa de tudo. Tudo isto pode tornar um dia cansativo.

- Não duvido. Mas gosta, não gosta?

- Sim, gosto. Não trocaria o que faço por nada. - Ele fez uma pausa e ajustou o relógio no punho. - Então, Kate, o que é que faz? - Era uma das poucas perguntas seguras em que ele pensara durante o curso da tarde.

- Sou colunista do Chicago Tribune.

- Está aqui de férias?

Ela fez uma breve pausa antes de responder.

- Mais ou menos.

Ele acenou com a cabeça, como se estivesse à espera daquela resposta.

- Sobre o que é que escreve?

Ela sorriu.

- Escrevo de tudo um pouco. - Ela reparou na expressão de surpresa nos seus olhos, a mesma expressão em que reparava sempre que saía com alguém pela primeira vez. Mais vale acabar com isto logo, pensou para consigo. - Tenho um filho - continuou ela. - Tem doze anos.

Ele levantou as sobrancelhas.

- Doze?
- Parece chocado.
- E estou. Não parece ter a idade suficiente para ter um filho com doze anos.
- Vou considerar isso um elogio - disse ela com um sorriso afetado. Não se sentia ainda preparada para revelar a sua idade. - Mas, sim, ele tem doze anos. Quer ver uma foto?
- Claro - disse ele.

Ela encontrou a carteira, tirou a fotografia, Jack olhou para ela durante um momento, depois para Kate.

- Ele tem a sua cara - disse ele, devolvendo a fotografia. - É bem parecido.
- Obrigada. - Enquanto guardava a fotografia, perguntou. - E você? Tem filhos?
- Não. - Ele abanou a cabeça. - Nenhum filho. Pelo menos nenhum de que eu saiba. - Ela riu-se com a resposta dele, e ele continuou: - Como se chama o seu filho?
- Kevin.
- Ele está aqui ?
- Não, está com o pai na Califórnia. Divorciámo-nos há uns anos.

Jack acenou com a cabeça, sem fazer qualquer julgamento, depois olhou por cima do ombro para outro barco à vela passando ao longe. Kate também o observou durante um momento, e no silêncio, reparou em como tudo era calmo ali no oceano.

- Gostaria de ver o resto do barco? - perguntou Jack. Ela acenou com a cabeça.
- Adoraria.

Quando ele abriu a porta fez uma pausa, de súbito dominado pelo fragmento de uma recordação há muito esquecida, mas agora desenterrada talvez pela novidade da presença daquela mulher.

Kate passou por ele em silêncio, deixando-o na privacidade dos seus pensamentos. Se ela reparara na hesitação dele, não o demonstrara, e por isso Jack estava-lhe grato.

à esquerda de Kate, um assento cobria um dos lados do barco - largo e suficientemente comprido para que alguém pudesse dormir nele confortavelmente; no lado oposto do assento estava uma pequena mesa com espaço suficiente para duas pessoas se sentarem. Junto à porta havia uma pia e um fogão a gás e uma pequena geladeira por baixo, e mesmo em frente uma porta dava para a cabine de dormir.

Ele manteve-se afastado num dos lados com as mãos na cintura enquanto ela explorava o interior, examinando tudo. Não pairou sobre o ombro dela como alguns homens teriam feito mas em vez disso deu-lhe espaço. Mesmo assim, podia sentir os olhos dele a observá-la, embora ele não fosse indiscreto ao fazê-lo. Depois de um momento ela disse:

- De fora ninguém diria que é tão grande.
- Eu sei. - Jack tossiu desajeitadamente. - Surpreendente, não é?
- Sim, é. Parece ter tudo o que uma pessoa precisa.
- E tem. Se quisesse, podia ir até à Europa. Não que o recomende. Mas é ótimo para mim.
Ele contornou-a e dirigiu-se a geladeira, dobrando-se para tirar uma lata de Coca-Cola do seu interior. - Já quer beber alguma coisa?
- Está bem - disse ela, passando as mãos pelas paredes, sentindo a textura da madeira.
- O que é que quer? Tenho Seven-Up e Coca-Cola.
- Pode ser Seven-Up - respondeu ela. Ele entregou-lhe a lata. Os seus dedos tocaram-se brevemente.
- Não tenho gelo a bordo, mas está fria.
- Vou tentar sobreviver - disse ela, e ele sorriu.

Ela abriu-a e bebeu um gole antes de a colocar sobre a mesa.

Enquanto abria a sua lata, ele olhava para Kate, pensando no que ela dissera antes. Tinha um filho com doze anos... e como colunista, isso queria dizer que provavelmente tinha frequentado a universidade. Se ela esperou até depois de terminar o curso para se casar e ter um filho... isso faria com que ela tivesse cerca de quatro ou cinco anos mais do que ele. Não tinha aspecto de ser muito mais velha do que isso, nao mesmo ja fora uma surpresa saber que ela tinha um filho alem do mais ela não se comportava como a maioria das mulheres de vinte e poucos anos que ele conhecia na vila. O seu comportamento revelava maturidade, algo que apenas aqueles que tinham já experimentado a sua parte de altos e baixos na vida conseguiam alcançar.

Ela voltou a sua atenção para uma fotografia emoldurada pendurada na parede. Nela, Jack Shepard estava de pé num pontão com um espadim que ele tinha pescado, parecendo muito mais novo do que era agora. Na foto ele sorria largamente, e a expressão alegre fazia-a lembrar-se de Kevin sempre que marcava um gol quando jogava futebol.
Interrompendo aquela pausa súbita ela disse:

- Vejo que gosta de pescar. - Ele aproximou-se dela, e quando chegou perto, ela sentiu o calor irradiando dele. Ele cheirava a sal e vento.
- Sim, gosto - disse ele baixinho. - O meu pai era pescador de camarões, e pode dizer-se que eu fui praticamente criado na água.
- Quantos anos tem esta foto?
- Essa tem cerca de treze anos - foi tirada mesmo antes de eu voltar para o último ano de faculdade. Houve um concurso de pesca, e eu e o meu pai decidimos passar duas noites na Corrente do Golfo e apanhamos esse espadim a cerca de sessenta milhas da costa. Levou quase sete horas para trazê-lo para cima porque o meu pai queria que eu aprendesse a fazê-lo à moda antiga.
- O que é que isso quer dizer?

Ele riu-se baixinho.

- Basicamente significa que as minhas mãos ficaram cortadas em pedaços quando finalmente acabei, e mal podia mexer os ombros no dia seguinte. A linha que tínhamos escolhido não era na verdade suficientemente forte para um peixe daquele tamanho, por isso tivemos de deixar que o espadim nadasse até parar, depois recolher a linha lentamente, depois deixá-lo nadar de novo o dia inteiro, até o bicho estar muito cansado para continuar a lutar.
- Como no Velho e o mar de Hemingway.
- Parecido, só que eu não me senti como um velho até ao dia seguinte. O meu pai, por outro lado, podia ter representado o papel no filme.

Ela olhou de novo para a fotografia.

- O seu pai é aquele ao seu lado?
- Sim, é ele.
- É parecido contigo - disse ela.

Jack sorriu um pouco, interrogando-se se aquilo seria um elogio ou não. Ele fez sinal em direção à mesa, e Kate sentou-se defronte dele. Depois de se instalar, disse:

- Disse que tinha frequentado a faculdade?

Ele olhou-a nos olhos.

- Sim, estive na Universidade da Carolina do Norte e formei-me em Biologia marinha.
- Então comprou a loja.
Ele abanou a cabeça,
- Não, pelo menos não logo a seguir. Depois de me formar, trabalhei para o instituto Marítimo de Duke como especialista de mergulho, mas isso não dava muito dinheiro. Então, arranjei um certificado para dar aulas e comecei a aceitar estudantes ao fim-de-semana. A loja surgiu alguns anos mais tarde.
- Ele ergueu uma sobrancelha. - E você, Kate?

Kate bebeu mais um gole da Seven-Up antes de responder.

- A minha vida não é assim tão emocionante como a sua. Cresci em Omaha, Nebraska, e fui para

a escola em Brown. Depois de me formar, andei em dois ou três lugares, e tentei algumas coisas diferentes, acabando por me fixar em Chicago. Estou no Tribune há nove anos mas só nos últimos anos como colunista. Antes disso era repórter.
- Gosta de ser colunista?

Ela pensou durante um momento, como se estivesse a pensar no assunto pela primeira vez.

- É um bom emprego - disse ela finalmente. - Muito melhor agora do que quando comecei. Tenho a liberdade de escrever sobre o que gosto, desde que esteja dentro do assunto da minha coluna. Pagam-me muito bem, também, quanto a isso não me posso queixar, mas... - Ela fez uma nova pausa. - Já não é assim tão estimulante. Não me interprete mal, eu gosto do que eu faço, mas por vezes sinto como se estivesse a escrever as mesmas coisas. Mesmo isso não seria tão mau, porém, se não tivesse tantas outras coisas que fazer com Kevin. Creio que neste momento sou a típica mãe solteira com excesso de trabalho, se entende o que quero dizer.

Ele acenou afirmativamente com a cabeça e disse baixinho:

- A vida muitas vezes não acontece como gostariamos, hum?
- Não, suponho que não - disse ela, e olharam-se de novo nos olhos. A expressão dele fê-la interrogar-se sobre se ele havia dito algo que raramente dizia a qualquer outra pessoa. Ela sorriu e inclinou-se para ele.
- Está pronto para comer qualquer coisa? Trouxe umas coisas no cesto.
- Quando a Kate estiver.
- Espero que goste de sanduíches e saladas frias. Foram as únicas coisas em que consegui pensar que não se estragavam.
- Parece melhor do que aquilo que eu teria comido sozinho. Se fosse só eu, provavelmente teria ido comer um hamburger antes de partir para o mar. Quer comer aqui ou lá fora?
- Lá fora, decididamente.

Pegaram nas latas de refrigerante e saíram da cabine. Jack fez sinal para ela seguir em frente sem ele.

- Dê-me um minuto para lançar a âncora. Assim podemos comer sem nos preocupar - disse ele. Kate chegou ao seu assento e abriu o cesto. Tirou dois sanduíches embrulhados em celofane, assim como uns recipientes de plástico com salada coneslaw.

Ela olhava para Jack enquanto ele descia as velas. à medida que ele trabalhava de costas viradas para ela, Kate reparou de novo como Jack parecia forte. De onde estava sentada, os músculos dos ombros pareciam mais largos do que se apercebera a princípio, ampliados pela sua cintura pequena. Ela não conseguia acreditar que estava de fato a velejar com aquele homem, quando apenas dois dias antes estivera em Chicago. Tudo aquilo parecia surreal.

Enquanto Jack trabalhava sem parar, Kate olhava para cima. Agora que a temperatura tinha baixado, a brisa estava mais forte, e o céu escurecia lentamente.
Jack lançou a âncora quando o barco parou completamente. Esperou cerca de um minuto, para se certificar de que estava presa, e quando se deu por satisfeito, foi sentar-se ao lado de Kate.

- Gostaria que houvesse alguma coisa que pudesse fazer para ajudar - disse Kate com um sorriso. Ela lançou o cabelo para cima do ombro tal como Sarah costumava fazer, e por um momento ele nada disse.

- Está tudo bem? - perguntou Kate. Ele acenou que sim com a cabeça, subitamente desconfortável de novo. - Aqui estamos bem. Se o vento continuar a aumentar, teremos de velejar à bolina um pouco mais quando voltarmos.

Ela pôs salada juntamente com um sanduíche no prato dele e entregou-lhe, percebendo que ele estava sentado mais perto dela do que estivera antes.

- Vamos demorar mais tempo para voltar nesse caso?

Jack pegou num dos garfos de plástico branco e comeu um bocado da salada. Levou um momento antes de responder.

- Um pouco, mas não haverá problemas, a não ser que o vento pare por completo. Se isso acontecer, ficaremos imobilizados.
- Suponho que isso já lhe tenha acontecido antes.

Ele acenou com a cabeça.

- Uma vez ou duas. É raro, mas acontece.

Ela parecia confusa.

- Porque é que é raro? O vento não está sempre soprando?
- No oceano normalmente está sempre.
- Porquê?

Ele sorriu achando graça à pergunta e pousou o sanduíche no seu prato.

Enquanto Jack explicava cientificamente o que acontecia, ela nao conseguia para de olhar para o rosto dele. Os olhos intensos pareciam tao lindos mas guardavam um que de tristeza. E os labios... eram realmente convidativos. Ela abriu a boca deixando escapar um som e percebendo sacudiu a cabeca para afastar os pensamentos e mordeu os labios. Ele percebeu.

- O que foi?
- Nada.
- Acho que te intediei com essa conversa. Ela sorriu.
- Desculpe, por um momento me senti muito longe, deve ser o mar. Disfarcou.
- Acontece. Pensando em alguem especial?
- Nao, faz tempo que nao tem alguem assim na minha vida.

O modo como ela pronunciou aquilo a surpreendeu.

- Parece que isso a deixa triste.
- De certa forma, sim. Voce nao se sente so? Ou existe uma sra.Shepard?

Ele desviou os olhos do olhar fixo dela e concentrou-se na porta da cabine. Depois de um momento acrescentou, quase para si mesmo: - Sim, me sinto. Sou viuvo.

Passaram-se alguns segundos.

- Jack?

Sobressaltado, Jack olhou para Kate.

- Desculpe... - começou ele.
- Está bem? - Ela olhava para ele com uma mistura de preocupação e perplexidade.
- Estou bem... parece que foi minha vez de viajar...- improvisou Jack.
- Eu sinto muito.
- Tudo bem, chega de falar de mim. Se não se importar, Kate... conte-me algo sobre você.
- Mas acho que falei quase tudo. Nao sou assim tao interessante...
- Eu nao acredito no que voce disse. Tudo bem, eu pergunto. Disse que esteve casada uma vez?

Ela acenou afirmativamente com a cabeça.

- Durante oito anos. Mas James - é o nome dele - parece que perdeu o interesse pela relação, por uma razão ou por outra... acabou por ter um caso. Eu simplesmente não conseguia viver com isso.
- Eu também não conseguiria - disse Jack baixinho - mas isso não torna as coisas mais fáceis.
- Não. - Ela fez uma pausa e bebeu um gole do seu refrigerante. - Mas nos davamos bem, apesar de tudo. Ele é um bom pai para Kevin, e isso é tudo o que eu quero dele agora. Pronto, é a sua vez.

Jack começou do princípio, falando sobre como era crescer em Wilmington como filho único. Disse que a mãe tinha morrido quando ele tinha doze anos, acabando por crescer e ser educado praticamente no mar pelo fato do pai passar a maior parte do tempo no barco. Falou sobre os seus dias de faculdade - omitindo algumas das histórias mais loucas que poderiam dar uma impressão errada de si mesmo - e descreveu como tinha sido começar com a loja e como era o seu dia-a-dia naquele momento. Estranhamente, nada disse sobre Sarah, e Kate nao insistiu.

Enquanto conversavam, o céu escurecia e o nevoeiro começava a assentar em redor deles. Com o barco balançando levemente sobre as ondas, uma espécie de intimidade desceu sobre eles. O ar fresco, a brisa nos seus rostos, e o movimento suave do barco, tudo conspirava para desanuviar o nervosismo que haviam sentido antes.

Nem uma única vez ela sentiu alguma pressão de Jack para que ela voltasse a vê-lo, nem ele parecia esperar algo mais dela naquela noite. A maioria dos homens que conhecera em Chicago parecia partilhar da atitude de que se eles haviam se esforçado para ter uma noite agradável. Era uma atitude adolescente - Mas típica apesar de tudo - e ela achou a mudança refrescante.

Quando chegaram a um intervalo na conversa, Jack recostou-se e passou as mãos pelo cabelo. Fechou os olhos e parecia estar a saborear um momento silencioso e privado. Enquanto ele fazia isso, Kate colocou tranquilamente os pratos usados e os guardanapos no cesto para evitar que eles fossem atirados ao mar pelo vento. Quando se sentiu pronto Jack levantou-se.

- Acho que está na hora de voltarmos - disse ele, quase como se lamentando que a viagem estivesse chegando ao fim.

Alguns minutos mais tarde o barco estava de novo em movimento, e ela reparou que o vento era muito mais forte do que antes. Jack estava ao leme, mantendo o Happenstance no seu rumo. Kate estava a seu lado recapitulando a conversa que tinham tido. Nenhum deles falou durante um bom bocado, e Jack Shepard interrogava-se porque razão se sentia tão confuso.

Ainda no leme, ele recordou algo que Sarah lhe disse no último passeio de barco, depois de fazerem amor, Sarah estava deitada ao lado de Jack, passeando levemente os dedos pelo peito dele, nada dizendo.

"- Em que estás pensando? - perguntou ele finalmente.
- Simplesmente não sabia ser possível amar alguém tanto quanto eu te amo - murmurou ela.
Jack passou o dedo pela maçã do rosto dela. Os olhos de Sarah não largavam nunca os seus.
- Eu também não sabia - respondeu ele baixinho. - Não sei o que faria sem ti.
- Promete-me uma coisa?
- Qualquer coisa.
- Se me acontecer alguma coisa um dia, Promete-me que vais procurar outra pessoa.
- Acho que nunca conseguirei amar outra pessoa a não ser você.
- Promete-me mesmo assim, está bem?
Ele levou um momento para responder.
- Está bem, se isso te faz feliz, eu prometo."

Estranho lembrar disso agora. Quando a recordação se dissipou finalmente, Jack tossiu e tocou no braço de Kate com a mão para lhe chamar a atenção. Ele apontou para o céu.

- Olhe para tudo isto - disse ele finalmente, fazendo o seu melhor para manter a conversa neutra. - Antes de haver sextantes e bússolas, eles usavam as estrelas para navegar os mares. Ali, pode ver a Estrela Polar. Aponta sempre exatamente ao norte.

Kate olhou para o céu.

- Como é que sabe que estrela é que é?
- Usa-se outras estrelas como sinais. Consegue ver a Ursa Maior?
- Sim.
- Se desenhar uma linha reta a partir das duas estrelas que perfazem a ponta da colher, elas apontarão para a Estrela Polar.

Kate observava-o enquanto ele apontava para as estrelas a que se referia, meditando sobre Jack e as coisas que o interessavam. Vela, mergulho, pesca, navegação pelas estrelas - tudo o que tivesse a ver com o oceano. Ou tudo aquilo, assim parecia, que lhe permitisse estar horas a fio sozinho.

Perguntava a si mesma porque razão nunca aprendera tais coisas quando era mais nova, e interrogava-se sobre o homem que as aprendera. E subitamente ela soube exatamente porque razão Sarah se apaixonara por ele. Não por ser extraordinariamente atraente, ou ambicioso, ou até encantador. Ele era tudo isso, mas mais importante, parecia viver a vida à sua maneira. Havia algo de misterioso e diferente na maneira como ele se comportava, algo masculino. E isso tornava-o diferente de todas as pessoas que ela conhecera antes.

Jack olhou-a de relance quando ela não respondeu e mais uma vez reparou em como ela era bela. Na escuridão a sua pele pálida parecia etérea, e deu por si a imaginar como seria passar a mão levemente pelo perfil daquela face. Abanou então a cabeça, tentando afastar o pensamento.

Mas não conseguia.


A brisa soprava por entre o cabelo dela, e essa visão fez com que sentisse um aperto no estômago. O cheiro de lavanda estava presente no ar. Há quanto tempo não se sentia daquela maneira? Há tempos, certamente. Sabia isso também enquanto olhava para ela. Não era nem a hora certa nem o lugar certo... nem a pessoa certa. Lá no fundo, perguntava a si mesmo se tudo voltaria a estar certo como antes.

- Espero que não esteja a aborrecê-la - disse ele finalmente, com uma calma forçada. - Eu sempre me interessei por esse tipo de histórias.

Ela olhou para ele e sorriu.

- Não, eu gostei da história.

Embora Jack tivesse dito que normalmente velejava sozinho, ela perguntava-se se ele já teria levado para o alto mar outras pessoas para além de Sarah e ela. E se nunca o tivesse feito, que isso queria dizer? Sabia que ele a observara com atenção naquela noite, embora nunca tivesse sido indiscreto. Mas mesmo que estivesse curioso em relação a ela, mantivera os seus sentimentos bem escondidos. Ele não a pressionara por informações que ela não estava disposta a dar, não fizera nada naquela noite que pudesse ser interpretado como sendo mais do que uma atenção ocasional.

Jack ligou um interruptor, e uma série de pequenas luzes acenderam-se à volta do barco. Não suficientes para que se pudessem ver bem um ao outro, mas para que os outros barcos os pudessem vê-los. Apontou para o negrume da costa:

- A enseada fica mesmo ali, entre as luzes - e virou a roda do leme naquela direção.
- Então - perguntou ele por fim -, gostou da sua primeira viagem num barco à vela?
- Gostei. Foi maravilhoso.
- Fico contente. Não foi uma viagem ao hemisfério Sul, mas foi quase tudo o que pude fazer.

Permaneceram ao lado um do outro, ambos aparentemente perdidos em pensamento. Outro barco à vela apareceu na escuridão a um quarto de milha de distância, regressando também à marina. Desviando-se, Jack olhou de um lado para o outro, certificando-se de que mais nada apareceria. Kate notou que o nevoeiro tornara o horizonte invisível.

Quando se aproximaram da costa, Kate duvidou subitamente de que voltariam a se ver. Dentro de alguns minutos estariam de volta às docas e iriam despedir-se um do outro. Ela duvidava que ele lhe pedisse para o acompanhar de novo, e ela mesma sentia-se insegura com tudo isso.

Quando chegaram à doca, Kate foi até à popa buscar o seu cesto e o casaco e depois deteve-se. Pensando por um momento, pegou no cesto, mas em vez de agarrar no seu casaco, empurrou-o parcialmente para baixo da almofada do assento com a sua mão livre. Quando Jack perguntou se estava tudo bem, ela clareou a garganta e disse:

- Vim só buscar as minhas coisas. - Dirigiu-se para o flanco do barco, e ele ofereceu-lhe a mão. De novo ela sentiu a sua força quando a aceitou, e desceu do Happenstance para a doca.

Olharam um para o outro apenas por um instante, como que querendo saber o que sucederia a seguir, até que Jack por fim apontou para o barco.

- Tenho que preparar o barco, e vai demorar.

Ela acenou com a cabeça.

- Pensei que fosse dizer isso.
- Posso acompanhá-la até ao carro primeiro?
- Claro - disse ela, e ele começou a caminhar ao longo da doca com Kate ao lado. Quando chegaram ao carro alugado, Jack ficou a observá-la vasculhar o cesto à procura das chaves. Depois de as encontrar, ela abriu a porta do carro.
- Como já disse, foi uma noite maravilhosa, gostei muito - disse ela.
- Também eu.
- Devia levar mais pessoas para andar de barco. Tenho certeza de que iriam gostar.
Sorrindo ele respondeu:
- Vou pensar nisso.

Durante um instante, os seus olhos encontraram-se, e por um momento ele viu Sarah na escuridão.

- É melhor voltar - disse ele depressa, ligeiramente embaraçado. - Tenho de acordar cedo amanhã. - Ela acenou com a cabeça, e não sabendo o que fazer, Jack estendeu-lhe a mão.
- Gostei muito de te conhecer, Kate. Espero que se divirta durante o resto das suas férias.

Apertar-lhe a mão pareceu um pouco estranho depois do fim de tarde que tinham acabado de passar juntos, mas ela teria ficado surpreendida se ele tivesse feito algo de diferente.

- Obrigado por tudo, Jack. Foi um prazer conhecê-lo, também.

Ela tomou o seu lugar à frente do volante e ligou a ignição. Jack fechou-lhe a porta e ouviu-a engatar o carro. Sorrindo para ele uma última vez, Jack acenou quando ela arrancou e ficou a olhar até o carro deixar por fim a marina. Depois de ela ter partido, ele caminhou de volta para as docas, perguntando a si mesmo porque razão se sentia tão inquieto.

Vinte minutos mais tarde, na mesma hora em que Jack terminava de arrumar o Happenstance, Kate abriu a porta do seu quarto de hotel e entrou. Atirou as coisas para cima da cama e dirigiu-se ao banheiro. Salpicou a cara com água fria e escovou os dentes antes de se despir. Depois, deitada na cama apenas com a luz do candeeiro acesa, ela fechou os olhos, pensando em Jack.

Ela sabia que ele havia sido sincero e ela ficou intrigada com a sua conduta. No entanto as suas ações pareciam algumas vezes distantes. Lembrou-se do casaco. Sera que exagerara? De verdade, seu medo maior era entender o quanto ele ainda prendia-se ao fantasma de Sarah.

Mas já estava feito. Ela tomara a sua decisão, e agora não podia voltar atrás.



CONTINUA...